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Afinal, o que são os Campos de Experiência?

Presentes na BNCC da Educação Infantil, os Campos de Experiência apresentam uma leitura nova e avançada sobre os objetivos de aprendizagem desde os primeiros anos de vida das crianças

“Os Campos de Experiência referem-se à base estrutural pedagógica. São propostas curriculares que devem guiar as escolas com as aprendizagens necessárias para cada série”, explica Andrea Ramal, consultora e doutora em Educação pela PUC-Rio. Para ela, os campos não são apenas uma lista de conteúdos (como se tem no Ensino Fundamental) divididos por disciplinas e ano escolar. “É uma forma de expressar que a Educação precisa ser menos conteudista e mais baseada no desenvolvimento de competências”.

A BNCC de Educação Infantil altera a concepção de professor e de criança. Nesse sentido, os Campos de Experiência são um convite para que os professores inovem, tenham outro olhar sobre esta etapa do desenvolvimento da pessoa e construam uma Educação diferente. “Isso fica evidente nas dez competências que a BNCC integra ao currículo da Educação Básica. São as competências de que um cidadão do século 21 precisa para viver bem neste mundo”, aponta.

Atenção: Campo de Experiência não é currículo!

Os Campos de Experiência não são currículo. Eles fazem parte da estrutura da BNCC para a Educação Infantil, que foca no “o que ensinar”. A definição sobre o “como ensinar”, que também compõe um currículo, é de responsabilidade de redes estaduais e municipais, escolas e professores. 

A ideia é que os campos de experiência sejam norteadores para a construção do currículo baseado em experiências. Este, por sua vez, deve ser debatido coletivamente de maneira que incorpore as especificidades locais, primeiro nas redes e depois nas escolas. Após a revisão curricular, é a vez das discussões entre gestores e equipe docente sobre o que pode ser mantido e o que é preciso mudar em termos de diretrizes pedagógicas – concepções de educação (criança, aprendizagem, papel do professor, organização de tempos, espaços e materiais), opções metodológicas, planos de ensino etc. – para que o projeto político-pedagógico da instituição esteja alinhado às propostas da BNCC. 

Nesse processo de debater como levar a perspectiva trazida pelos campos de experiência para a prática cotidiana, é essencial lembrar que eles não são disciplinas, com suas listas de conteúdos a cumprir a cada ano, e, portanto, não devem ser trabalhados um de cada vez. Pelo contrário, uma vez que surgiram justamente para romper com essa lógica e valorizar a aprendizagem por meio de experiências, como o nome diz, é necessário integrá-los. Ou seja, as atividades propostas podem e devem envolver mais de um campo de experiência simultaneamente. Quanto mais junto e misturado, mais rico será para as crianças. 

Quais são os objetivos de aprendizagem do Campo de Experiência “O eu, o outro e o nós”? 

Para começar, um pouco de teoria. Leia abaixo o trecho extraído da BNCC da Educação Infantil sobre o Campo de Experiência “O eu, o outro e o nós”. A seguir, separamos os objetivos de aprendizagem específicos do campo, separados por faixa etária. Lembre-se de que, por mais que seja importante entender as especificidades de cada campo, o ideal é que vários deles sejam combinados nas atividades. De novo: quanto mais misturado, melhor! 

"É na interação com os pares e com os adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando-se como seres individuais e sociais. Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio. Por sua vez, na Educação Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças entrem em contato com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes, celebrações e narrativas. Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizar sua identidade, respeitar os outros e reconhecer as diferenças que nos constituem como seres humanos." Fonte: Trecho extraído da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil

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