Para usar com as crianças

Atividade: leitura e encenação de histórias para todos

Confira uma sugestão para Educação Infantil alinhado à perspectiva da Educação Inclusiva e à BNCC

Por Tory Helena

Dá para incluir todas as crianças no faz de conta. Ilustração: Duda Oliveira/Nova Escola

A leitura de histórias alimenta brincadeiras e garante às crianças experiências sobre a linguagem e aprendizagens sobre si mesmas e sobre o mundo. Cabe ao educador organizar sua intencionalidade.

Nesta proposta de atividade, o objetivo é promover conversas antes, durante e depois da leitura e, com base nelas, propor brincadeiras de faz de conta nas quais as crianças são convidadas a construir cenários, vestimentas e personagens. Vale tudo, inclusive fugir do enredo inicial, para dar espaço às ideias dos pequenos. Por isso, é fundamental ajudá-los a trocarem ideias e a construírem narrativas de maneira criativa e crítica. Este plano de aula foi elaborado por Danielle Barroso, do Time de Autores de NOVA ESCOLA.

Para garantir a inclusão de todas as crianças, recomendamos alguns cuidados:

1. Identifique barreiras físicas, comunicacionais ou relacionais que podem impedir que uma criança ou o grupo participe e aprenda.

2. Reflita e proponha apoios para atender às necessidades e às diferenças de cada criança ou do grupo.

3. Observe as crianças que ainda estão em processo de desenvolvimento da fala ou as que utilizam expressões faciais e movimentos corporais para se expressar.

4. Atente-se ao que elas apontam ou tentam pronunciar e traduza o que elas estão querendo comunicar.

Lembre-se, professora, trata-se de uma sugestão. É possível (e recomendado) que você adapte os conteúdos para a realidade da sua escola e para as necessidades da sua turma. Vamos lá?

Indicado para: 1 ano e 7 meses a 2 anos e 11 meses.

Materiais: Livro com a história da Chapeuzinho Vermelho ou outro que as crianças gostem e já tenham familiaridade. Objetos para compor o faz de conta como cestinhas, orelhas de lobo de papel ou de EVA, retalhos de tecido vermelho (para representar a capa da Chapeuzinho) e adereços para a personagem da Vovó e do Caçador; Casa da Vovó confeccionada com cartolinas coloridas para colar no cenário; Duas cadeiras, colchonete ou almofadas e lençóis para representar a cama da Vovó; Fita adesiva; Materiais para as atividades de livre escolha: livros para manuseio, fantasias e tecidos.

Espaço: É importante o local do cenário seja um ambiente externo e que contenha árvores para representar a floresta. Caso não seja possível, faça árvores com cartolinas para colocar nas paredes. Também fixe em uma parede ou em um biombo a Casa da Vovó e posicione as cadeiras ou as almofadas para que representem a cama. Deixe os acessórios para o faz de conta também nesse espaço. Na sala, escolha um local agradável e aconchegante para a leitura e organize bem os espaços para as atividades de livre escolha.

Tempo sugerido: Aproximadamente 2 horas

Passo a passo
1. Converse com os pequenos. Em roda, com o grande grupo, diga que hoje você lerá uma história já conhecida pela turma e que depois, em pequenos grupos, as crianças brincarão de atuar como personagens da história. Aproveite esse momento para apresentar as atividades de livre escolha, como a do manuseio de livros e a de fantasia e tecidos. Explique que enquanto você estiver com o pequeno grupo, as outras crianças estarão com outro educador ou profissional da escola nessas propostas. Combine que elas podem se dirigir à atividade de sua preferência e respeite suas escolhas. Só interfira caso alguém não se dirija a nenhuma atividade ou se um grupo ficar bem maior do que os outros. Organize o tempo de forma que a maior parte dele seja destinada aos passos 4 e 5, referentes à brincadeira de representar papéis no cenário.

2. Apresente o livro e faça perguntas. Convide o pequeno grupo para se sentar com você em um local confortável para a leitura. Mostre o livro e faça perguntas que estimulem os pequenos a fazerem antecipações da história, por meio de comentários ou imitando os personagens. Atente-se ao que as crianças querem comunicar e, se necessário, verbalize para as outras. Algumas possíveis falas do professor neste momento: vocês se lembram dessa história? Isso mesmo, é a história da Chapeuzinho Vermelho. Que outro personagem aparece nesta história? Vocês se lembram o que acontece quando o lobo se encontra com a Chapeuzinho? E com a vovó?

3. Convide-as para a história. Leia sem fazer adequações na narrativa, utilizando diferentes entonações para as falas dos personagens. Algumas crianças podem interromper sua leitura imitando um personagem, outras podem levantar fazendo gestos para representar uma parte dela. Observe essas ações, incentivando-as, mas atente-se para não perder o foco da leitura e não demorar muito tempo nesse passo. Após a leitura, converse e explore as ilustrações e os personagens, mostrando para as crianças o cenário da história. Perceba o que comunicam por meio das diversas intenções comunicativas e valide sempre que necessário. Caso nenhuma criança se manifeste, aponte para o cenário, mostre as árvores, a floresta e a Casa da Vovó.

4. Chame as crianças para atuar. Convide as crianças para irem até o jardim ou outro espaço planejado para ser o cenário. Diga que agora brincarão de atuar e que cada uma poderá escolher os acessórios para se caracterizar do seu personagem preferido. Respeite as escolhas e as apoie. Algumas podem se envolver em conflitos ao disputar o mesmo personagem ou acessório. Atente-se a essa possibilidade e sugira que estabeleçam combinados, como quem vai usar primeiro etc. Também escolha um personagem para você representar e caracterize-se. Apresente o cenário, mostre o espaço reservado para a floresta e a Casa da Vovó. Algumas crianças podem se interessar, nesse primeiro momento, em explorar os espaços e acessórios antes de atuar como um personagem da história. Acolha e respeite.

5. Observe as falas e ações das crianças. Participe do faz de conta como um ator, permitindo que as crianças liderem. Incentive a brincadeira com uma fala ou ação do personagem escolhido por você. Elas podem continuar o enredo da história lida ou criar um novo. Nessa faixa etária, as crianças necessitam do adulto brincante para observar, imitar e interagir, então por isso, perceba e acolha os novos elementos, gestos ou falas que as crianças trazem ao brincarem no cenário e instigue a brincadeira, valorizando e ampliando as iniciativas delas. Repita os passos com os outros pequenos grupos.

6. Para finalizar. Observe se as crianças ainda estão interessadas em brincar com os acessórios utilizados no cenário. Caso sim, combine que em 10 minutos precisarão guardar os materiais para realizar outra atividade. Passado o tempo, proponha uma forma divertida de guardar os materiais. Combine que cada criança poderá guardar imitando seu personagem favorito. Participe desse momento incentivando as ações delas.

7. Desdobramentos. A brincadeira de faz de conta traz contribuições importantes para o desenvolvimento infantil. É um espaço de investigação e de construção do conhecimento de si e dos mundos real e imaginário. Você pode repetir essa atividade utilizando outras histórias que sejam conhecidas e das quais as crianças já tenham se apropriado. Outra ideia é confeccionar com a turma cenários para compor um canto fixo da sala, onde as crianças possam brincar com autonomia.

8. Engajando as famílias. Envie um bilhete às famílias contando sobre a atividade e explicando que estamos construindo um baú de acessórios. Envie uma lista de referência como os itens das principais histórias que as crianças conhecem. As famílias que tiverem em casa algum tipo de acessório, retalhos de tecido, fantasias, que não são mais utilizados, poderão enviá-los para compor o baú e enriquecer as próximas brincadeiras de faz de conta.

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Ilustração de um computador e um celular