Para repensar a prática

Educação Infantil: Brincar é para todos

A professora Priscila propõe brincadeiras diversificadas que permitem a participação e o desenvolvimento de todas as crianças

A professora Priscila vai criar "Caixas de Diversão" personalizadas para cada criança. Ilustração: Julia Coppa/NOVA ESCOLA

Interrupção. Talvez essa seja a palavra certa para descrever 2020. A pandemia chocou e pegou o mundo de surpresa. Exigiu de nós revisão e transformação das relações escolares e a prática pedagógica. Planejamentos foram suspensos e todo o trabalho foi revisado. 

Não foi diferente com Priscila de Freitas Machado, professora  da CMEI Sementes do Futuro, em Palmas (TO). Em 2019, a educadora estava com uma turma de crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, segundo a organização da BNCC). Duas delas autistas.

Animados, os meninos e meninas perguntavam todo dia: "Hoje vamos brincar de quê?" Esse questionamento inspirou a professora a desenvolver o projeto Brincadiquê, que foi um dos finalistas do Prêmio Educador Nota 10 de 2020.

O objetivo era garantir espaço, tempo e materiais para promover a interação entre as crianças e experiências que incentivassem a imaginação, o corpo, a oralidade, o faz de conta, o desenho, a dança e a escrita espontânea. Ela organizou o trabalho em diversas etapas, todas com rodas de conversa, brincadeiras variadas e interação com diferentes objetos, oferecidos em cantos temáticos. Foram promovidos quatro tipos de atividades: brincadeiras de faz de conta, experiências de exploração dos elementos da natureza, brincadeiras folclóricas e, finalmente, com palavras. As crianças registraram essas experiências em um livro da vida.

O projeto foi um sucesso, toda a turma engajou-se e o desenvolvimento promovido pelas atividades era evidente. Um trabalho que poderia ter continuidade no ano seguinte... não fosse a pandemia. A rede optou por fechar as escolas em março e,  partir de então, Priscila perdeu contato com as crianças e famílias.


“E, o laudo?”: a pergunta que não quer calar 

Sempre que a discussão sobre como incluir crianças com deficiência na Educação Infantil vem à tona, a questão do laudo aparece. Mas os especialistas são unânimes em afirmar: o trabalho pedagógico não depende do documento. Guacyara responde: "A criança precisa ter um tratamento. Quanto mais cedo melhor. Mas isso não implica trabalho pedagógico. O diagnóstico é para ajudar, não para marcar a criança. É para abrir possibilidade e não paralisar. O laudo é bom quando mostra as possibilidades dessa criança. São saberes que caminham juntos. Um não se sobrepõe ao outro. O laudo não vai dizer como trabalhar pedagogicamente, mas saber como essa criança está no mundo".


E agora?

Só agora a rede municipal de Palmas decidiu organizar atividades remotas. A previsão é de que elas comecem em setembro.

Nesse contexto, Priscila teve a ideia de criar as "Caixas de Diversão", que são kits com jogos e brincadeiras para as crianças e as famílias utilizarem em casa. Esses materiais serão entregues até o fim do próximo mês. 

As caixas serão personalizadas a partir das necessidades de desenvolvimento de cada criança. "As famílias poderão continuar estimulando as crianças em casa de uma forma atraente e que não seja cansativa", conta Priscila. Além dos materiais, eles receberão orientações sobre o que está sendo trabalhado na proposta e como a família pode participar. 

Para garantir uma boa parceria com as famílias, é essencial que as propostas façam sentido para eles. "Falar sobre a importância do brincar, como ela vai se desenvolver, o quanto ela está aprendendo e se desenvolvendo. Convidar para trabalhar junto", sugere Guacyara. Outro ponto que também deve ser levado é a importância de estimular a autonomia dos pequenos em casa. 

Mas o que serão enviadas nas caixas propostas por Priscila? As crianças podem receber blocos de madeira para empilhar, quebra-cabeças, madeira e papelão para desenhar, dominó com imagens e cores, e outros materiais com diferentes formatos e superfícies para estimular a exploração.

A flexibilidade da proposta traz ganhos para toda a turma. Crianças cegas ou com baixa visão receberão, por exemplo, itens que estimulem o tato. Já crianças com alguma dificuldade em manipular coisas pequenas não receberão um quebra-cabeça feito de pequenas peças. Essa foi a forma encontrada para evitar que a criança fique frustrada e desista de brincar. 

Como seu projeto do ano passado, a proposta deste ano é orientada pela ideia de que toda criança, com ou sem deficiência, brinca. A educadora que poderia ter dado continuidade ao Brincadiquê vai tentar uma opção para continuar estimulando a brincadeira e o desenvolvimento dos pequenos. O tempo dirá se a estratégia vai funcionar, mas é certo que a outra palavra para 2020 é superação.

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