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O que é um conto - e quais subgêneros integram esse universo

Entenda as características desse gênero de narrativas curtas que atraiu escritores de diferentes épocas

Imagem: Duda Oliveira/Caronte

De Machado de Assis a Ruth Rocha. De Tatiana Belinky a Lima Barreto. De Clarice Lispector a Chico dos Bonecos - isso para ficar só na lista de escolhidos para a coletânea que NOVA ESCOLA apresenta nesta caixa. O que une esses autores tão diversos, que escreveram em tempos tão diferentes e para públicos tão distintos, é a força do conto. Todos eles se aventuraram nesse gênero, de textos tão breves quanto potentes.

Mas, afinal, quais são as características essenciais desse gênero?

O conto é uma narrativa breve constituída por uma única unidade dramática, que se desenrola em torno de um único conflito a ser enfrentado pelo protagonista. Nos contos, as complicações do enredo (sequência de ações praticadas pelas personagens), o tempo e o espaço são bem demarcados.

Pense em um romance extenso. Em geral, os personagens vivem diferentes conflitos ao longo do livro: às vezes, a trama vai e volta no tempo, viaja por diferentes lugares, é entremeada por histórias paralelas. No conto, a narrativa fica centrada numa única sequência de acontecimentos. É como se o autor usasse uma lente de aumento para retratar um fragmento da vida dos personagens.

A origem da palavra conto, em português, remete a duas vertentes da história do gênero: a de origem oral e a de origem escrita. Em português, ao empregar o vocábulo “conto”, pode-se apontar para a narrativa oral, ou à escrito, ou às duas formas simultaneamente (em outras línguas, como inglês e espanhol, existem palavras diferentes para designar o conto oral e o escrito). Muitas das histórias nasceram como registros que condensam a tradição oral. É o caso, por exemplo, dos irmãos Wilhelm e Jacob Grimm, cujos famosíssimos contos, como A Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho, foram criados a partir das histórias que viviam na memória e nos lábios dos contadores de histórias. 

Atualmente, a crítica literária classifica os contos por subgêneros, levando em conta o tipo de enredo ou o tipo de personagem que protagoniza as ações:

- Os contos de animais são protagonizados por animais com características antropomórficas (ou seja, típicas de seres humanos, como falar) ou envolvem enredos que privilegiam de alguma maneira os personagens animais.

- Os contos de artimanha envolvem enredos que privilegiam o comportamento astuto dos personagens principais para resolver o conflito. Em geral, a situação inicial é marcada por um estado de carência (falta de dinheiro, comida...), que o herói consegue alterar graças a uma atitude de esperteza.

- Os contos etiológicos explicam a razão de ser de um aspecto, propriedade ou caráter de qualquer ente natural.

- Nos contos de aventura, um herói, geralmente jovem, inicia uma viagem ou busca algo desconhecido que se configura como um obstáculo cuja superação envolve situações arriscadas e perigosas, que exigem que o protagonista tome decisões limites que o conduzam a uma transformação.

- Os contos acumulativos, também chamados de lengalenga, caracterizam-se pelo encadeamento sucessivo de uma mesma sequência de falas ou de ações. A cada repetição, agrega-se mais um elemento, resultando, ao final, uma longa enumeração.

- Os contos de fadas ou de encantamento, tendo ou não fadas como personagens, apresentam uma intriga que envolve a realização interior do protagonista, ligando-se, geralmente, aos ritos de passagem de uma idade para outra ou de um estado civil para outro. Sem uma referência espaço-temporal precisa, as peripécias envolvem o enfrentamento de duras provas a serem vencidas para que o herói ou heroína alcance sua realização pessoal ou existencial, descobrindo sua verdadeira identidade ou conquistando a pessoa amada, como em A Bela Adormecida, A Bela e a Fera, Rapunzel, Cinderela...

- Os contos maravilhosos apresentam uma intriga que envolve a luta pela sobrevivência, o enfrentamento de problemas sociais e econômicos da vida prática. Para a resolução desse tipo de conflito, podem intervir elementos mágicos, fantasiosos que, estabelecendo uma lógica diferente da convencional, constroem um mundo em que os desejos se realizem como os indivíduos gostariam – a punição para os maus e o prêmio para os justos e corajosos, como em O gato de botas, A mesa, O burro e o cacete, Aladim e a lâmpada maravilhosa.

- No conto moderno, a tarefa do escritor consiste em assumir o ato de criação e não apenas o gesto de recolher histórias que recebe de velhas gerações e transmiti-las às mais novas. Ao inventar novas tramas, busca o efeito surpreendente que rompe com as expectativas e o surgimento de um desfecho inesperado. Como gênero textual, a composição passa a ser cuidadosa em cada detalhe: a caracterização das personagens, as construção das cenas, a elaboração de cada frase, a perspectiva da narrativa (a personagem principal narra sua própria história; um personagem secundário narra a história; o narrador, analítico ou onisciente, conta a história; o narrador narra a história como observador) até o ritmo das cenas apresentadas.

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