Para saber ainda mais

Saiba tudo sobre a exploração de Marte, o Planeta Vermelho

Com a corrida espacial esquentando, conheça as últimas descobertas sobre o planeta e como levar o tema para as turmas do Fundamental

Ilustração de astronauta com um desenho em mãos olhando para a superfície de marte.
Ilustração: Nathalia Takeyama/NOVA ESCOLA

Com a chegada simultânea de três missões espaciais operadas por robôs no planeta Marte, 2021 já é parte da história da exploração espacial. Agora, China, EUA e os Emirados Árabes Unidos avançam seus programas espaciais rumo ao Planeta Vermelho, abrindo novo capítulo de possibilidades científicas. 

A última novidade foram as incríveis imagens – e sons – capturadas pelo robô Perseverance, o mais sofisticado já criado pela Nasa. 

Do tamanho de um automóvel, Perseverance pousou no planeta vizinho em fevereiro deste ano, em um antigo lago, hoje uma cratera de 45 quilômetros chamada Jezero. Sua missão é procurar sinais de vida microbiana e coletar amostras de pedras e regolito (poeira e outros materiais) que serão, possivelmente, trazidas à Terra para estudos.

Local de pouso do Perseverance, a cratera Jezero já foi um lago há bilhões de anos, como ilustra a imagem acima.
Local de pouso do Perseverance, a cratera Jezero já foi um lago há bilhões de anos, como ilustra a imagem acima.
Foto: Nasa/JPL-Caltech

Este e outros passos da humanidade no espaço – em alta no noticiário e na cultura pop – são oportunidades para se falar de Ciência, Astronomia, História e futuro, além de dialogar com o momento atual e com a vida de seus alunos em 2021.

Marte na escola: porta de entrada para a Ciência 

O interesse dos cientistas por Marte não é novo. Logo após as primeiras explorações lunares, na década de 1960, voltamos os olhos para o planeta vizinho. Hoje frio e deserto, com solo avermelhado por ser rico em óxido de ferro, Marte é inóspito aos seres humanos e às formas de vida que conhecemos. 

A aposta é de que, um dia, suas montanhas, vales, vulcões e cânions já abrigaram vida e, quem sabe, possam receber missões tripuladas no futuro. Isso porque Marte guarda algumas similaridades com a Terra: possui solo rochoso, estações climáticas, água e calotas polares, e uma atmosfera, ainda que muito tênue.

Aqui na Terra, a situação de confinamento, incerteza, acompanhamento de descobertas científicas (como a vacina) em tempo real tem paralelos com o planeta Marte: para chegar lá, é preciso esperar muitos meses, apoiar-se nos conhecimentos da Ciência, praticar e cultivar a resiliência de olho no futuro. 

“É importante que as crianças vejam que a Terra é um planeta único e que reflitam sobre os avanços que as ciências e a tecnologia podem promover”, afirma a brasileira Rosaly Lopes, cientista-chefe do departamento de Ciências Planetárias do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa. 

“Lançar e pousar uma sonda durante uma pandemia mostra o quanto somos capazes de fazer, mesmo nos momentos difíceis. Desenvolver vacina em um ano é outro feito extraordinário. São ações que podem inspirar as crianças a seguirem carreiras nessas áreas”, acredita a filha de professores, cuja área de pesquisa é a geologia de planetas como Marte – e de luas de Saturno, como Io e Titã – e a vulcanologia. 

Rosaly no vulcão Yasur na ilha de Tanna, no Pacifico
Pousar uma sonda em Marte durante uma pandemia mostra o quanto somos capazes de fazer mesmo nos momentos difíceis”, acredita Rosaly Lopes. Na foto, a cientista no vulcão Yasur na ilha de Tanna, em Vanuatu, no Pacífico. Foto: Arquivo pessoal

“A exploração de Marte é uma porta de entrada para a Ciência como um todo e ensina o método científico, que é um tema mobilizador de conhecimentos de outras áreas, como Matemática, Física, Química, História, Geografia e Inglês”, afirma o engenheiro Lucas Fonseca, que trabalhou na Missão Rosettada Agência Espacial Europeia e é fundador do Instituto Garatéa, que busca disseminar a cultura espacial no Brasil com oficinas e formações para professores.

Falar sobre os planetas e o Universo é um tema que costuma cativar atenção de crianças e adolescentes quase imediatamente. Marte pode ser encontrado em filmes e séries no catálogo da Netflix, bem como é cenário de jogos eletrônicos e livros de ficção científica. 

Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Ciências para os anos finais do Fundamental, as orientações sobre o assunto podem ser encontradas na unidade temática Terra e Universo. Em especial no 9º ano, é possível falar de Marte ao estudar com seus alunos a composição e a estrutura dos planetas do Sistema Solar:

EF09CI14 - Descrever a composição e a estrutura do Sistema Solar (Sol, planetas rochosos, planetas gigantes gasosos e corpos menores), assim como a localização do Sistema Solar na nossa galáxia (a Via-Láctea) e dela no Universo (apenas uma galáxia dentre bilhões).

O papel dos educadores é, portanto, estimular a postura curiosa nos alunos, que leva à investigação e ao estudo. “O cientista não acredita, ele testa hipóteses. Então, é fazer experiências com as crianças para testar diferentes cenários e possibilidades na sala de aula e no laboratório. Mas, mais do que isso, é especialmente importante estimular a curiosidade em relação à natureza: observar um pássaro, a Lua, essa é a inspiração para todos os cientistas”, recomenda Rosaly.

Para Denise Chiconato, professora de Ciências na EE Victor Maida, em Ibitinga (SP), essa também é uma oportunidade de promover aprendizagens colocando os estudantes no seu lugar: o de protagonista. 

Assim, é interessante propor problemas e deixar que os estudantes busquem diferentes caminhos e informações para resolvê-los. Isso estimula a imaginação, o pensamento crítico e científico e a curiosidade intelectual.

“É melhor ainda se o problema tiver conexão com a vida real, com isso eles são desafiados a explicar a nossa realidade e colaborar com a sociedade”, avalia a educadora. 

Sobre Marte, especificamente, Denise sugere mobilizar as diferentes disciplinas para abordar as semelhanças e diferenças entre o Planeta Vermelho e a Terra, debatendo as condições para a existência de vida em um e no outro, e a necessidade de preservá-las, bem como discussões sobre o que é a vida em suas diferentes formas. Os próximos conteúdos da caixa trazem outras sugestões de atividades para trabalhar Marte e a exploração espacial com os estudantes.

A representatividade – de mulheres, diferentes nacionalidades e ocupações – ao abordar o tema também é interessante. “Quando eu era pequena, queria ser astronauta, mas não achava que isso seria possível, porque na época eles eram todos americanos e russos, e só uma era mulher, a Valentina Tereshkova”, lembra Rosaly.

E para as crianças que têm um sonho, como o de ser astronauta, mas acreditam que só pessoas “muito inteligentes” ou que nasceram com uma espécie de dom podem alcançá-lo, Rosaly tem um pequeno recado: “Astronautas não são gênios, são pessoas muito dedicadas a não abrirem mão de seus sonhos”.

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