Para aprender sobre a prática

Ateliês: atividades variadas que vão muito além da pintura

Numa escola pública municipal de Campinas (SP), Evandro Tortora usa ateliês para formar cidadãos criativos e emancipados

Se você pensa que ateliê é só o de pintura, este texto é um convite a abrir os olhos para um mundo de possibilidades. Colagem, desenho e escrita, modelagem, computador, casinha, matemática, biblioteca, água... Muita coisa cabe num ateliê - só depende do que o professor e a turminha criarem. Os ateliês são espaços criados na própria sala de referência, ou em outros espaços da escola, nos quais as crianças podem desempenhar um determinado tipo de atividade. É um outro jeito de organizar o espaço e a rotina na Educação Infantil.

Evandro Tortora sempre acreditou no protagonismo da criança para o sucesso do aprendizado, mas não conhecia a ideia de ateliês. Antes de assumir seu posto de educador na CEI Dr. Tancredo Neves, em Campinas, interior de São Paulo, há um ano, experimentou diversas abordagens educacionais. Mas foi ali, na sala anteriormente a cargo de Roseane Daminelli Gomes, especialista em Psicologia Escolar e da Aprendizagem, que encontrou o espaço ideal. Naquele universo onde convivem 30 crianças com idades entre 4 anos e 5 anos, a professora adotou a Pedagogia Freinet, fundamentada na formação de cidadãos criativos e emancipados por meio de um método que estimula a expressão livre e respeita as vontades de cada estudante (veja uma entrevista em que Roseane explica direitinho os princípios da pedagogia Freinet, neste box, clicando aqui).

Com cinco anos de profissão, o mestre em Educação para a Ciência comprovou que o uso de ateliês ajuda a criança a usufruir os seis direitos de aprendizagem estabelecidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC): conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. 

“Quando cheguei à escola, me apropriei da abordagem, pois vai ao encontro do que acredito. As crianças ganham autonomia, participam mais, fazem o que gostam e desenvolvem responsabilidades”, diz Evandro, que faz parte do Time de Autores de Nova Escola e já produziu até curso sobre a sua prática (para conhecer, clique aqui). Na Pedagogia Freinet, o professor deixa de ocupar o lugar central e passa a ser um condutor do processo de aprendizagem. “Quando uma criança tem alguma dúvida, sabe que pode perguntar a um colega e não ser repreendida por isso”, conta o professor.

Os ateliês mudam conforme a necessidade e muitos projetos surgem de forma espontânea, sempre sob a condução e o incentivo do professor, que ajuda a detectar os temas mais relevantes para o desenvolvimento das crianças. Durante um passeio no parque, por exemplo, os pequenos se encantaram por sementes que pareciam borboletas. Na volta à sala, o material coletado formou um painel em que cada crianças colaborou. Alguns colaram, outros pintaram e tudo virou um grande “borboletário” de sementes. Foi um trabalho coletivo no qual os pequenos usaram criatividade e desenvolveram habilidades. “Ficou do jeito que eles queriam”, conta Tortora, satisfeito com o sucesso da empreitada.

Aula ponto a ponto

  1. Evandro começa a aula com uma roda de conversa, em que as atividades são planejadas em conjunto, de acordo com os interesses e vontades das crianças.
  2. Meninos e meninas montam os ateliês, organizando os materiais em cada espaço.
  3. Crianças escolhem os ateliês onde querem ficar, colocando o próprio nome num painel no fundo da sala. Cada um é livre para escolher onde quer trabalhar e também para mudar de um ateliê para outro
  4. Começam as atividades livres, que duram uma hora e 15 minutos por dia (o período máximo não deve ultrapassar 2 horas), tempo ideal para manter a atenção das crianças. 
  5. Terminado o tempo, a turma limpa e coloca os materiais no lugar.
  6. Evandro e as crianças encerram a atividade com uma roda de conversa, na qual todos fazem uma avaliação do trabalho desenvolvido.

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