Para usar com os alunos

Sugestão de atividade: debate regrado para discutir a xenofobia contra os chineses

Dirigida para o 9º ano, proposta aproveita questões relacionadas à origem do coronavírus para promover, na aula de Língua Portuguesa, competências gerais como empatia e cooperação e repertório cultural

Ilustração criada com técnica da caligrafia tradicional japonesa/chinesa apresentando crianças brincando com uma pipa.
Ilustração: Victoria Mitie Koki/NOVA ESCOLA

A pandemia da covid-19 desencadeou por todo o mundo uma onda de fake news sobre a origem do novo coronavírus. Como os primeiros casos foram registrados na China, rapidamente ganharam força informações falsas de que o vírus teria sido criado em laboratório e que a população chinesa seria a responsável por disseminá-lo. Embora o mais recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) não traga conclusões categóricas sobre o assunto, sabe-se que o vírus surgiu naturalmente, por meio de mutações, e pode ter chegado aos humanos pelo contato com animais hospedeiros contaminados. Hoje, a epidemia na China está controlada, mas cidadãos chineses ou de origem asiática seguem sendo vítimas de preconceito e até agressão. 

“O preconceito e a desinformação só podem ser combatidos com conhecimento. Portanto, assuntos atuais precisam ser discutidos e incentivados no âmbito escolar”, afirma Beatriz Dias, professora de Geografia do Time de Autores de NOVA ESCOLA. Segundo Beatriz, é nessa hora que precisamos colocar em prática o que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe, ou seja, desenvolver nos estudantes o Conhecimento (Competência Geral 1), o Pensamento Científico, crítico e criativo (Competência Geral 2) e a Empatia e cooperação (Competência Geral 9), para que eles possam entender e explicar a realidade a partir da investigação científica, sempre com empatia, diálogo e cooperação, sem espaço para preconceitos ou estereótipos. 

Para desconstruir estereótipos e ampliar o repertório dos alunos sobre a cultura chinesa – lembrando que a Competência Geral 3 indica a necessidade de “valorizar e fruir as diversas manifestações culturais, das locais às mundiais” –, a sugestão é utilizar o contexto atual como ponto de partida para um debate regrado, gênero argumentativo oral que se realiza por meio da interação entre pessoas que desejam conhecer e discutir diferentes pontos de vista sobre determinado tema. Pelo discurso persuasivo, o propósito é convencer os interlocutores da validade da opinião defendida. Para planejar o discurso, os debatedores precisam dominar os mecanismos das trocas discursivas (turnos de fala) e se apropriar das informações a respeito do assunto para selecionar o tipo de argumento mais apropriado ao percurso argumentativo que deseja trilhar.

A professora de Língua Portuguesa Ilcilene Silva, do Time de Autores de NOVA ESCOLA, autora de uma série de aulas que utilizam o debate regrado para discutir gênero, adaptou uma delas, a aula 11, para tratar da sinofobia, ou seja, a xenofobia contra os chineses. A ideia é permitir o planejamento de uma aula que forneça informações atualizadas sobre o tema, contextualizando-o. Ao final, os alunos serão capazes de planejar seus argumentos para iniciar um debate.

divisória de atividade

Atividade: coloque os alunos para debaterem sinofobia

Utilize notícias, vídeos e artigos para discutir a questão


Indicado para: Turmas do 9º ano

Material:
1. Videoaula apresentada pelo professor de Sociologia João Gabriel, no canal Brasil Escola, que trata da questão da xenofobia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xbZPsaNdT7A

2. Entrevista com o antropólogo e professor Marco Aurélio sobre a xenofobia em relação ao nordestino, apresentada no Câmara Debate. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HWXfHOPGNDc

3. Artigo sobre a questão da sinofobia e sua intensificação durante a pandemia da Covid-19. Disponível em: https://www.palavraaberta.org.br/artigo/uma-pandemia-de-sinofobia

4. Reportagem jornalística a respeito da sinofobia, publicada pela BBC. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-51305487

5. MATERIAL PARA DOWNLOAD: Roteiro para planejamento de debate

6. MATERIAL PARA DOWNLOAD: Roteiro para planejamento da argumentação

Na BNCC: EF69LP13, EF69LP14, EF69LP15, EF89LP12.


PASSO A PASSO

1. Introduza o tema antes da aula – No contexto de ensino remoto, encaminhe previamente aos alunos os links dos vídeos para que assistam aos filmes em casa e, assim, sejam iniciados no tema e possam começar a refletir a questão. Se você tiver conta no YouTube faça uma curadoria de vídeos e salve em uma pasta própria. Assista aos vídeos antes para conduzir melhor a leitura em sala. É interessante que a turma tenha uma direção para a atividade. Nesse sentido, envie um roteiro com os pontos que merecem mais atenção, tomando como base as perguntas que vai fazer na aula síncrona (veja item 2). Embora os quatro materiais sugeridos para envio sejam importantes para discussão a respeito de sinofobia, é você quem sabe o ritmo de leitura e de trabalho da turma. Caso não seja possível utilizar todos, sugerimos os materiais 1 e 3.

2. Verifique o que os alunos compreenderam do material enviado  Na aula síncrona, apresente o tema com base nas questões a seguir. O objetivo é instigar o interesse dos estudantes sobre o assunto, compreender o conhecimento prévio e o que eles absorveram do material sugerido. 

1. Antes de assistir aos vídeos, você já tinha ouvido a palavra “xenofobia”? 

2. Sabia o significado? 

3. Qual a sua opinião a respeito dessa questão? 

4. Há xenofobia somente com “nordestino”? 

5. É possível evitar o contágio xenofóbico? Como? 

6. Como a “sinofobia” se localiza na questão xenofóbica? 

7. É algo provocado pela pandemia do Coronavírus ou é mais antigo? 

8. Está acontecendo só no Brasil? O que motivou? 

9. Vocês acham que a xenofobia é uma questão que precisa ser discutida? Por quê?

A ideia na introdução é que a turma perceba a prática xenofóbica como um problema que precisa ser discutido pela sociedade. Convide-os, então, a prepararem um debate com o tema “Sinofobia: Medo ou falta de informação?” Para auxiliá-los, elaboramos um quadro com perguntas (disponível aqui) para pensar coletivamente alguns elementos extratextuais, como: público, debatedores, mediador e tempo.

PONTO DE ATENÇÃO: É importante a turma já ter tido contato com o gênero debate regrado. Caso necessário, acesse as demais aulas aqui

3. Divida a turma em grupos - Organize os alunos em grupos, conforme as indicações presentes na etapa de desenvolvimento do plano de aula disponibilizado aqui. No entanto, se o trabalho remoto não permitir que isso aconteça, atue como mediador e delegue algumas funções operacionais - controlador do tempo, incentivador de falas, coletor de chat e redator - durante a conversa a fim de colaborar com a sistematização do planejamento. 

4. Explique como planejar o debate  Comente com os alunos a necessidade de planejar o que dizer, tanto no texto escrito quanto no texto oral. Enfatize ser importante ter um roteiro para organizar os argumentos: aqueles que serão utilizados para defender um ponto de vista e os contra-argumentos. No último caso, fale da necessidade de antecipar possíveis argumentos contrários. Lembre os estudantes dos movimentos argumentativos (acesse aqui a aula sobre esse tema) comuns no processo de argumentação. Preparamos um roteiro para ajudar a turma a organizar os argumentos (acesse aqui). 

5. Organize os grupos - A sugestão é de que haja, pelo menos, dois grupos. Um deverá preparar defesa favorável à ideia de que a sinofobia é motivada pelo medo, o outro deverá planejar a defesa de que a questão é resultado da falta de informação. No entanto, é possível ter um terceiro grupo, o qual poderá relativizar a opinião sobre o tema. Encaminhe um roteiro para cada redator escolhido (a quantidade dependerá do que foi decidido na etapa 2). Os redatores anotam no quadro o ponto de vista a ser defendido, os argumentos e os contra-argumentos. Você mediará as reflexões.

PONTO DE ATENÇÃO: Veja, conforme a sua realidade, a melhor maneira de os redatores compartilharem as anotações feitas por eles (uma opção é usar ferramentas digitais para trabalho colaborativo). O importante é que todos tenham acesso para que possam opinar na próxima etapa. 

6. Compartilhe as reflexões  Nessa etapa, o trabalho da turma é refinar os argumentos e contra-argumentos apresentados para cada posicionamento. Para isso, compartilhe com todos as anotações feitas pelos redatores e incentive os alunos a analisarem cada um dos argumentos e contra-argumentos, verificando a viabilidade, a estratégia e o movimento argumentativo tomado. Durante as intervenções, se houver sugestões de refinamento e reescrita, você toma o papel de mediador e de redator. Delimite um tempo para intervenções em cada planejamento.

7. Sistematização  Convide-os a refletirem sobre o fato de que, embora seja um texto oralizado, o debate regrado precisa ser planejado, de modo a se obter um roteiro para guiar os debatedores durante a discussão do tema. Relembre-os de que debater é apresentar opiniões e defendê-las e, para isso, escolhe-se um movimento argumentativo que direciona o argumentar e o contra-argumentar na defesa dessas opiniões. Enfatize que o debate regrado é uma interação na qual as pessoas discutem questões importantes para a sociedade, que precisam ser discutidas, como são os casos da xenofobia e da sinofobia.

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