Para usar com as crianças

Educação Infantil: 3 brincadeiras chinesas para apresentar à turma

Mostre como a peteca, o elástico e os saquinhos de areia também estão presentes no cotidiano das crianças da China e promova conversa sobre diferenças e semelhanças

Ilustração feita a partir de técnica de caligrafia tradicional chinesa/japonesa mostrando uma criança brincando com a família.
Ilustração: Victoria Mitie Koki/NOVA ESCOLA

ideogramas chineses que representam a palavra chute a peteca.ideogramas chineses que representam a palavra elástico de salto. e ideogramas chineses que representam a palavra saco de areia.: esses são os ideogramas chineses para chute a peteca, elástico de salto e saco de areia, três brincadeiras muito populares na China e que guardam várias semelhanças com atividades que divertem as crianças brasileiras. “Brasil e China são nações irmãs, uma tem muito a aprender com a outra”, afirma Yuan Aiping, diretora da Escola Chinesa Internacional (ECI), inaugurada este ano, no Rio de Janeiro, com ênfase na Educação Infantil. Foi Yuan quem elencou as três brincadeiras que podem ajudar a promover esse intercâmbio cultural desde a infância. 

“É interessante as crianças terem contato com brincadeiras de outras culturas para que ampliem sua própria concepção de cultura e entendam que vivem em uma sociedade diversa”, afirma Evandro Tortora, colunista de NOVA ESCOLA e professor da CEI Tancredo Neves em Campinas (SP). Para ele, a iniciativa mostra à turma que existem crianças em todos os países e que onde tem criança há uma cultura da brincadeira.

Evandro lembra que hoje compreendemos as crianças como seres que produzem cultura e não apenas imitam os adultos. “Então é importante que a gente leve esse conhecimento para elas e que elas possam utilizá-lo para ressignificar sua própria cultura”, reforça o professor.

Em relação à BNCC, vale enfatizar que o brincar é um dos seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento previstos no documento, e se relaciona com o conviver. “Ainda que a gente não possa ir à China e vê-las brincando, mostrar as brincadeiras para as crianças brasileiras é uma oportunidade para elas explorarem suas próprias características dentro do contexto da diversidade”, afirma o professor. “Isso amplia o repertório da turma. As crianças podem imitar as chinesas e, a partir disso, a cultura delas se entrelaça com a nossa, que começa a se modificar e se ampliar. Esse movimento é bárbaro e deve ser estimulado dentro das escolas”, conclui Evandro. 

A partir das brincadeiras sugeridas por Yuan Aiping, Evandro fez sugestões de como trabalhá-las no contexto brasileiro. Em todas, é importante apresentar vídeos das crianças chinesas brincando, para que a turma tenha a percepção da diversidade e possa entender as diferenças e as semelhanças com a brincadeira praticada aqui.

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Peteca

Mais que uma brincadeira, a peteca é amplamente difundida na China também como exercício físico entre os adultos. Segundo informações da ECI, documentos históricos e relíquias culturais mostram que a peteca de chute teve origem na dinastia Han (206 a.C. até 220 d.C.). Na China, o mais comum é o “chute a peteca”, em que as crianças, com os pés, lançam o brinquedo umas para as outras ou fazem "embaixadinhas" para ver quem mantém a peteca sob controle por mais tempo. 

No Brasil, o nome peteca é de origem indígena (leia mais aqui). Bastante popular na infância brasileira de indígenas e não indígenas, a peteca por aqui é normalmente jogada com as mãos, mas, ainda assim, há semelhanças com a versão chinesa. É possível brincar jogando a peteca uns para os outros ou batendo na mão para contar quantas vezes cada um consegue mantê-la em movimento sem deixar cair no chão. Ou, ainda, para ver quem consegue jogá-la mais alto.

Além das brincadeiras com a peteca, o brinquedo inspira também a atividade de confeccioná-la. Evandro conta que em um dos parques onde sua turma brincava antes da pandemia era comum, em determinada época do ano, encontrar penas no local, que ficavam ali após a troca de penas dos pássaros. A areia do parque era usada como peso para o saquinho da peteca, feito de tecido e costurado ou fechado com cola.

Em casa, a atividade precisa envolver a família. “Existe a alternativa de utilizar penas compradas, mas na minha escola a gente sempre conseguiu fazer com aquelas recolhidas no parque”, lembra Evandro. Outras opções de materiais são a palha de milho e a casca de bananeira.


Para saber mais:
Brincadeiras Indígenas na Escola - Vamos Brincar de Peteca!!
Outros jeitos de jogar peteca na escola
Atividade - Construindo o próprio brinquedo
Vídeo de crianças chinesas brincando com peteca

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Elástico

O elástico de salto, também chamado de corda de borracha de salto ou elástico de macaco de salto, é um jogo também muito popular entre as crianças chinesas, especialmente entre as décadas de 1950 a 1990. Um cordão elástico circular feito de borracha, com cerca de 3 metros de comprimento, é esticado e fixado nos tornozelos de duas crianças enquanto outras, de 1 a 3, se revezam para saltar. Vence quem concluir a ação (movimentos e regras) combinada antes.

Muito tradicional entre as crianças brasileiras, a brincadeira é indicada para as mais velhas, a partir dos 5 anos. A sequência de movimentos e as cantigas que os acompanham varia de acordo com a região do país. “Ela pode ser realizada no parque ou no pátio para diversificar a linguagem que as crianças podem ter no espaço”, orienta Evandro. 

É importante que o professor brinque com as crianças, mostrando a elas algumas das maneiras para pular o elástico, quais os passos que devem ser seguidos e quais são as regras estabelecidas. O regionalismo deve ser considerado.


Para saber mais:
Atividade - Cordas e elásticos no parque
Brincadeiras de Saltar: Corda e elástico
Diversão de Antigamente que Ainda Hoje Encanta
Vídeo de Crianças Chinesas Brincando com Elástico

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Saquinhos de areia

Sucesso entre as crianças chinesas, o lançamento de sacos de areia, segundo a Escola Chinesa Internacional, desenvolve a habilidade de arremesso e melhora a agilidade, cultivando a consciência coletiva de unidade e cooperação. 

No Brasil, a maneira com que os chineses brincam com os saquinhos de areia seria uma mistura de “queimada” com “bobinho”, como é possível ver no vídeo sugerido. Mas existem várias outras formas de incluir os saquinhos nas atividades com as crianças. 

Uma delas é a confecção dos saquinhos, que pode ser feita nas atividades presenciais, ou mesmo no ensino remoto, com a ajuda da família. Um pedaço de tecido é preenchido com areia e costurado em forma de pacote. É possível também usar cola. O saquinho também pode ser feito com sementes, feijões ou outros grãos. 

Prontos, os saquinhos podem ser usados na brincadeira de arremesso ao alvo no chão (assista aqui). Basta estabelecer uma distância e fazer um círculo no chão. Pode ser elaborado também um sistema de pontuação como o do tiro ao alvo, com vários círculos com o mesmo centro e um sistema de pontos (veja crianças chineses brincando desta maneira). 

Outra versão sugerida por Evandro é a cinco-marias, também conhecida como pipoquinha ou belisco. São usados cinco saquinhos de tamanhos aproximados, de mais ou menos 3 por 4 centímetros. Os saquinhos são jogados no chão e a criança deve pegar um deles sem tocar nos demais. Depois,  jogar para o alto o saquinho escolhido enquanto pega um dos outros quatro que estão no chão. Sem encostar nos restantes, deve segurar o saquinho na volta, com a mesma mão, antes que ele caia no chão. A ação deve ser repetida para cada um dos saquinhos, sucessivamente.


Para saber mais:
Plano de Aula - Construindo brinquedos e revivendo brincadeiras
Como Jogar Cinco-Marias

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