Para saber mais - Literatura

Livros e escritores com olhar inclusivo para ler e expandir os horizontes em 2022

Do clássico As Mil e Uma Noites até graphic novel criada no Instagram, conheça títulos e autores para mergulhar na leitura o ano todo

Ilustração de criança lendo sobre fundo abstrato.
Ilustração: Laíssa Ribeiro/NOVA ESCOLA

O que você quer ler neste ano? Janeiro é tempo de descansar, fazer listas, imaginar possibilidades e elencar responsabilidades. Para muitos professores, em especial após mais um ano letivo de pandemia, é um tempinho crucial para colocar em dia as leituras e planejar os próximos mergulhos no universo literário em 2022. 

De autores consagrados aos novos escritores gerados nas redes sociais, além de obras milenares como As Mil e Uma Noites, selecionamos livros e escritores com olhar inclusivo, abertos para as realidades de seu tempo e que valem a pena adicionar em sua lista de favoritos neste ano, ler e compartilhar com outros professores. Boa leitura.

*Colaboraram: Cintia Gonçalves, Danielle Brandão, Felipe Gonzalez, Katia Chiaradia, Cintia Diógenes e Rodrigo Blanco.

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Livro | Confinada, de Leandro de Assis e Triscila Oliveira. Todavia (2021)

Singular, por ter sido publicada episodicamente nos stories e posts do Instagram ao longo da pandemia de covid-19, quase como uma novela das 8, Confinada é uma saga brasileira e feminina, contada a partir do ponto de vista da trabalhadora doméstica Ju e da influenciadora digital Fran, que se isolam juntas, mas em situações bem diferentes, durante as primeiras ondas da pandemia na capital fluminense.

Autores: Leandro de Assis e Triscila Oliveira

Dupla expoente da nova geração de quadrinistas brasileiros, cuja colaboração trouxe um olhar diferente e inclusivo para uma questão central do Brasil. 

Por que ler: Confinada é um retrato agudo e inclusivo dos comportamentos do Brasil ao longo da pandemia em 2020-2021.

Uma colaboração entre os quadrinistas Leandro Assis e Triscila de Oliveira, a história, financiada coletivamente e agora reunida fisicamente na graphic novel da editora Todavia, é um retrato instantâneo dos comportamentos presentes na sociedade brasileira, com suas contradições e marcas históricas do racismo e da desigualdade.


Livro | Nós, de Ievguêni Zamiátin. Aleph (2017)

Numa realidade devastada após uma guerra que dizimou a população, um Estado totalitário isola-se da natureza atrás de uma muralha e força seus habitantes a viverem uma vida fabril e mecanizada em construções inteiramente de vidro. 

Autor: Ievguêni Zamiátin (1884-1937) 

O autor concebeu a obra logo nos primeiros anos após a Revolução de 1917, decepcionado com os rumos que a União Soviética tomava. Por isso, foi exilado e seu livro teve de ser publicado no exterior, só chegando à URSS nos anos 1980, explica o professor de Inglês e Língua Portuguesa Felipe S. Gonzalez, que indica o livro, recentemente traduzido diretamente do russo pela editora Aleph. 

Por que ler: Nós é um dos avós da distopia como gênero.

Influenciando diretamente clássicos mais conhecidos como 1984 (George Orwell) e Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), ambos no topo dos mais vendidos ao longo de 2021. 


Livro | Carta a minha filha, Maya Angelou. Agir (2019)

“Você encontrará relatos de amadurecimento, emergências, uns poucos poemas, algumas histórias leves para fazê-la rir e algumas para fazê-la meditar”, resume a poeta, escritora e ativista afro-americana Maya Angelou (1928-2014) na abertura do livro. Publicado meses antes de seu falecimento, em 2013, Cartas a Minha Filha é dividido em 28 partes e prefaciado pela escritora mineira Conceição Evaristo.  

Autora: Maya Angelou (1928-2014) 

Mais conhecida pela potente biografia de sua infância e juventude, Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, na qual relata o racismo, as vivências nos Estados Unidos segregados do início do século 20 e o abandono e abuso suportado na infância. 

Por que ler: Olhar vivo e compromisso com o antirracismo em tom confessional.

Tudo é contado a partir do olhar bem vivo da autora, observadora-participante da vida das mulheres negras e profundamente envolvida com a causa antirracista e com os direitos da população afro-americana ao longo da vida.


Livro | Ensinando a Transgredir - A educação como prática da liberdade, bell hooks. WMF Martins Fontes

Autora | bell hooks (1952-2021) 

A escritora nos deixou no finalzinho de 2021, mas suas ideias seguem mais do que relevantes (contamos a biografia dela e suas principais contribuições neste e-book) para caminhar na diversidade da sociedade atual. No campo da Educação, dialogou com as ideias de Paulo Freire e ampliou debates importantes no campo das relações étnico-raciais. 

Por que ler: Fundamental, o pensamento de bell hooks contribui para ampliar a diversidade na Educação.  

A partida da autora nos últimos dias de 2021 deu origem a uma enxurrada de homenagens e releituras para aquela que foi uma das mais importantes pensadoras da atualidade. Vale a pena conhecer ou retomar o livro, publicado originalmente em 1994, bem como outros clássicos.


Livro | Cartas para Minha Avó, de Djamila Ribeiro. Cia. das Letras (2021)

Em um diálogo com a matriarca da família, já falecida, a filósofa, feminista negra e escritora desce à ancestralidade e à infância para contar memórias que entrelaçam suas vivências às da avó Antonia e da mãe Erani Benedita. 

Autora: Djamila Ribeiro (1980) 

Filósofa e pensadora feminista, já era autora de Pequeno Manual Antirracista e Lugar de Fala, além de capitanear Feminismos Plurais, responsável por publicar autores negros e negras. Santista agora envereda pela escrita mais autoral, sem deixar de lado a relevância de temas como o racismo estrutural e a vivência das mulheres negras brasileiras de diferentes gerações. 

Por que ler: Troca de afetos entre mulheres de diferentes gerações.

As vivências na presença da avó e as memórias são o fio condutor das histórias relembradas por Djamila. Em uma passagem, ela reflete como nunca perguntou diretamente os sonhos e os medos para a matriarca, que no livro emerge em uma foto de família imponente, trajada de branco.  

Do exercício surgem questões fundamentais (Como foi criar os sete filhos? Como se sentiu ao construir uma boa casa depois de uma vida toda trabalhando na casa alheia? Como sentia o racismo?) e memórias afetivas em tom confessional.


Livro das Mil e Uma Noites, volume 1-5. Tradução de Mamede Jarouche. Globo/Biblioteca Azul 

Quantas noites já se passaram contando histórias? As narrativas atemporais colhidas e amalgamadas pela jovem Sherazade para entreter o xá Xariar e evitar a morte ficam mais elevadas, interessantes e surpreendentes com a fabulação literária reunida nos cinco volumes da série Livro das Mil e Uma Noites, aqui traduzida diretamente da língua original para a portuguesa pelo tradutor Mamede Jarouche. 

Autor e tradutor: Mamede Jarouche (1963)

Duas vezes vencedor do Jabuti de melhor tradução, Mamede Mustafa Jarouche é pesquisador, professor de Língua e Literatura Árabe na Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor pela Universidade do Cairo. As credenciais do filho de libaneses nascido em Osasco (SP) também incluem a tradução dos cinco volumes da coleção Livro das Mil e Uma Noites, iniciada em 2006, única tradução da obra diretamente do árabe para a língua portuguesa. 

Por que ler: Universo rico das histórias do dito Oriente ajuda a viajar. 

Além de enriquecer o repertório de qualquer um, as narrativas compiladas podem ser lidas individualmente ou de forma coletiva e ajudam a ampliar o universo de referências e a imaginar outros mundos e histórias para leitores de todas as idades.

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