Para repensar a prática

Como os gestores podem deixar o conteudismo de lado e apoiar o desenvolvimento integral dos alunos

Confira dicas e um quadro-modelo que ajudam a visualizar os seis fatores que devem ser considerados para promover uma mudança profunda na forma como a Educação é encarada em sua escola

Ilustração de professora estimulando alunos a tocarem instrumentos musicais.
Ilustração: Nathalia Takeyama/NOVA ESCOLA

Ser capaz de aprender sempre e não apenas dominar determinados conteúdos que sabe-se lá se servirão no futuro. Na era Google, em que informações estão a um toque do dedo, o foco da Educação mudou: queremos formar seres críticos, autônomos, que possam fazer escolhas que impactem sua qualidade de vida. Será que a prática colabora com isso? Segundo o educador Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), enquanto a Coreia do Sul está acabando com o excesso de componentes curriculares, aqui no Brasil há quem resista e acredite que quanto mais conteúdo um sujeito acumula, mais bem formado está. E relembra a frase do matemático americano Richard Hamming: “Os professores deveriam preparar o aluno para o futuro do aluno, não para o passado do professor”.

A mudança de paradigma que enfrentamos atualmente troca o tradicional ensino conteudista, que privilegia o acúmulo de conhecimentos, pelo desenvolvimento integral do estudante. Em uma formação em aprendizagem ativa, realizada pela equipe da Camino Education, essa transição fica bem visível na seguinte tabela:

DE PARA

Pensamento simplificado
Ênfase em estudantes decorando resultados, fatos e apenas repassando os mesmos

Pensamento complexo
Demanda por atividades que contemplam capacidade cognitiva mais intensa, como pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas, colaboração e comunicação

Analógico 
Salas de aula e trabalhos baseados em papel, lápis, fichários e livros didáticos, centradas em seu espaço físico 

Digital
Salas de aula em espaços locais e globalizados, com muita tecnologia e conectividade

Direcionado pelo professor
Espaços de aprendizagem são controlados pelo professor

Direcionado pelo estudante
Espaços de aprendizagem permitem agência dos estudantes sobre o que aprendem, como, onde, com quem e por que aprendem

Para Raph Gomes Alves, consultor de políticas públicas na área de Educação, o gestor escolar que quiser instituir a Educação Integral e a aprendizagem significativa na escola deve liderar o processo construindo um plano pedagógico em conjunto com sua equipe, ressaltando que o currículo extrapola conteúdos e passa a incluir as atitudes dentro da escola, explicando as competências socioemocionais e a postura dos professores e dos demais funcionários. 

“A forma como as pessoas se relacionam e como os espaços são organizados precisa ser intencional, a merendeira precisa ter consciência de como a postura dela influencia as crianças, as práticas precisam ser modelares e o gestor pode estabelecer premissas de atuação.” Tanto melhor se elas forem acordadas com os demais profissionais. Por exemplo: um professor pede para organizar o espaço de aula para facilitar que um estudante aprenda com o outro. Até os alunos, quando são envolvidos na tomada de decisão ou ajudam a construir as regras da escola, adquirem outro nível de engajamento e de corresponsabilidade. 

Na hora de preparar um plano de ação para implementar grandes transformações na escola, Leticia Lyle, mestre em currículo e competências socioemocionais pela Columbia University e cofundadora da plataforma digital de aprendizagem Cloe, indica o modelo de mudanças de situações complexas proposto pelo professor Timothy Knoster, em 1991. 

Knoster mostra que qualquer gestor que estiver lidando com mudanças complexas precisa olhar para seis elementos: visão, consenso, habilidades, incentivos, recursos e plano de ação. “A tabela aponta que você pode planejar o que for, mas se não tiver uma visão bem definida, só vai colher confusão; planejar e não ter recursos para implementar, por exemplo, gera frustração. Esse modelo funciona como uma forma organizadora e contém tudo o que é importante considerar na hora de fazer um planejamento”, diz Leticia, que também é diretora da Camino School, em São Paulo.  

Confira abaixo modelo de mudança de situações complexas Knoster.

Tabela adaptada de Knoster, T (1991) apresentação na TASH Conference em Washington D.C
Tabela adaptada de Knoster, T. (1991) apresentação na TASH Conference em Washington D.C. Credito: Divulgação/Camino Education

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