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Formação de professores: como estimular a equipe a pôr em prática a Educação Integral

Saiba como a gestão escolar pode investir em metodologias ativas e em outras ações que promovem o engajamento

Ilustração de professor e gestor acompanhando o desenvolvimento de um aluno em atividade.
Ilustração: Nathalia Takeyama/NOVA ESCOLA

Estimular a aprendizagem significativa na escola passa por um ponto principal: a formação de professores. “A postura docente não pode mais ser tão rígida, senão a criança tem protagonismo nas assembleias escolares e fica limitada na sala de aula”, observa Mara Roseli Gomes, ex-diretora da Escola Estadual Professora Clorinda Tritto Giangiacomo, com turmas do 1º ao 5º ano, em São Paulo. O maior desafio, segundo ela, é perfilar todos na mesma linha pedagógica, para que o trabalho não fique fragmentado. Isso implica investir em formação continuada em serviço, já que a troca de professores na rede estadual é uma constante. 

Zilene Trovão, diretora do Cime Prof. Dr. José Aldemir de Oliveira, em Manaus, atua formando líderes e professores dentro da escola, pois participa de jornadas pedagógicas e formações especializadas com outras escolas de referência em Educação Integral. Para ela, além de instruir os professores do Ensino Fundamental, o desafio é explicar a proposta inovadora para as famílias que vivem um cotidiano de exclusão e pobreza.

“Acho interessante como o contexto da pandemia problematizou novas questões, como a falta de conexão, que gerou desigualdade entre as crianças em idade escolar. Mas é fato que existe uma nova forma de integrar diferentes recursos a favor da aprendizagem e o ensino requer novas estratégias. A tecnologia impacta a formação de professores e também a relação da escola com a família”, observa Lino de Macedo, professor emérito do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e membro da cátedra de Educação Básica da mesma universidade.

A complexidade do mundo atual exige dos gestores um novo olhar. “A aprendizagem está ampliada para incluir as dimensões socioemocionais e a formação integral dos estudantes. Essa é a primeira mudança de mentalidade a ser construída com e pelos gestores escolares: o desenvolvimento socioemocional é uma dimensão central do desenvolvimento integral, como propõe a BNCC”, defende Simone André, consultora independente na área de Educação Integral. A função maior do gestor escolar, em qualquer tempo e lugar, é ter foco na aprendizagem e assegurar que toda a comunidade escolar – professores, estudantes, funcionários e familiares – tenha esse mesmo foco. 

Neste início de 2022, a especialista propõe que o gestor faça as seguintes perguntas para nortear suas ações: quem são os estudantes e suas famílias, onde e como vivem? Quais são as necessidades formativas dos professores e suas condições de trabalho? Quais são as necessidades de aprendizagem dos estudantes? Como foram afetados pelo fechamento das escolas? Segundo Simone, conhecer bem a escola, os professores, estudantes, familiares e ter proximidade com eles permite ao gestor tomar decisões coerentes e compartilhadas, propondo como transpor o referencial curricular para a escola, como fazer a formação continuada em serviço dos professores, a busca ativa dos estudantes em risco de abandono, recompor aprendizagens desestruturadas pela pandemia, acolher e escutar continuamente esses públicos, além de negociar com a secretaria melhores condições para promover as aprendizagens.

Simone André, especialista em Educação Integral e competências socioemocionais, indica três responsabilidades do gestor escolar para nortear ações e decisões em 2022:

1 - Apropriar-se da nova concepção de aprendizagem, que inclui competências socioemocionais e não se restringe ao desenvolvimento cognitivo;

2 – Compreender de forma aprofundada o contexto escolar e seus desafios;

3 – Apoiar e formar os professores para novas estratégias de aprendizagem. 

Formação e engajamento dos professores

“A literatura educacional é inequívoca ao apontar que, para que essas aprendizagens ocorram, os professores são o fator intraescolar com maior impacto nas aprendizagens”, ressalta a especialista. Por isso, cuidar do engajamento, da formação continuada em serviço e das condições de trabalho do professor, que estão ao alcance da escola, é fundamental. 

Vale a pena construir com eles estratégias diversificadas para lidar rapidamente com os desafios de aprendizagem, colaboração e relacionamento, considerando a diversidade e a desigualdade entre as crianças e os adolescentes. 

Simone aponta vários instrumentos essenciais para promover o engajamento de professores e estudantes na escola: a escuta (veja um conteúdo exclusivo sobre o tema neste mesmo Box), o feedback, a colaboração entre pares, o protagonismo, as metodologias ativas, as oportunidades de escolha, o cuidado e o acolhimento. De forma individual, essas ferramentas já são bastante conhecidas pelos gestores, mas seu uso conjunto potencializa as ações da escola, de alunos e professores em direção à aprendizagem significativa.

“A Educação Integral não é apenas uma bandeira, pois há muitas evidências de que o clima escolar impacta a aprendizagem. A forma como a pessoa se percebe acolhida e apoiada no ambiente incentiva a aprender”, resume Raph Gomes Alves, consultor de políticas públicas na área de Educação. Esse apoio e acolhimento também deve ser estendido aos professores e são os gestores que cuidam disso. 

A equipe pedagógica precisa de habilidade técnica para lidar com as socioemocionais, o que exige formação inicial e continuada. “Quando implementamos o projeto Compasso, em escolas públicas no estado de São Paulo, percebemos que há um tempo de aplicação e formação continuada de professores e é preciso seguir experimentando e debatendo as propostas nos HTPCs, trazendo a discussão sobre aprendizagem significativa e como transpor para a prática as competências socioemocionais e estruturar projetos que usem metodologias ativas”, explica Leticia Lyle, mestre em currículo e competências socioemocionais pela Columbia University e cofundadora da plataforma digital de aprendizagem Cloe.

Essa conversa está parecendo muito abstrata e falta um exemplo prático? Um projeto de Matemática nos anos finais do Ensino Fundamental com a rede pública de São Paulo sugere cuidar de espaços de convivência, como uma praça situada ao lado da escola. Primeiro acontece uma proposta de intervenção, convidando os professores; a questão engaja os alunos, trabalha competências e conteúdo no contexto, sempre usando metodologias ativas. Nesse caso, a Geometria e a Matemática uniram-se ao estudo de formas e à criação artística de mosaicos para cobrir os bancos de alvenaria da praça. De certo modo, são os gestores que apostam nesse caminho. “Mas os estudantes são os primeiros a ficar felizes com suas realizações e é isso que dá o impulso para o educador encarar essas transformações”, completa Leticia.

Veja ou baixe os slides abaixo, que trazem importantes pontos relacionados ao protagonismo e à aprendizagem dos estudantes para considerar na formação da equipe pedagógica de sua escola. O material foi preparado pela Camino Education e pela consultora Simone André.

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