PARA REPENSAR O ANO

5 perguntas e respostas para replanejar Matemática no Fundamental 1

Conheça alguns caminhos para redesenhar o ano letivo para as turmas do 1º, 2º e 3º ano 

Neste momento, é possível fazer escolhas e continuar avançando. Ilustração: Nathalia Takeyama

Com a pandemia de covid-19, muitas escolas estão com as aulas suspensas, trabalhando de forma remota ou enviando as atividades para os estudantes. Seja qual for a situação da instituição de ensino, o que havia sido planejado para o ano letivo de 2020 precisará ser repensado. Mas como fazer isso? O primeiro passo é manter os pés no chão: provavelmente não vai dar tempo de trabalhar tudo o que foi imaginado. Mas é possível fazer escolhas e continuar avançando na aprendizagem dos alunos. 

Para ajudar você a superar esse desafio junto com seus colegas, ouvimos especialistas para responder às dúvidas básicas que costumam surgir nesse momento. Todos os conteúdos desta caixa, incluindo esta reportagem, foram produzidos com a consultoria da formadora de professores Luciana Tenuta, mestre em Ensino de Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC Minas), bacharel e licenciada em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista do Time de Autores NOVA ESCOLA, 

Por onde começar o replanejamento?

O primeiro passo é ter foco. Luciana observa que o educador está precisando lidar com dois desafios simultâneos: o tempo disponível com as crianças e as dificuldades de adaptação ao trabalho remoto. “Diante desses dois limitadores, o que podemos priorizar pensando na progressão [isto é, nas aprendizagens básicas para o aluno conseguir acompanhar os próximos conteúdos]?  No 1º ano, o foco em Matemática deve ser na construção da ideia de número e de quantidade. Já no 2º e no 3º ano, o ponto central é o trabalho com o campo aditivo”, explica a consultora. 

Além disso, as estratégias de cálculo devem ser trabalhadas tanto no 2º quanto no 3º ano. Também é importante lembrar que o planejamento precisa estar alinhado com as habilidades que o aluno precisa desenvolver em cada ano, de acordo com a BNCC. 

Qual é o papel da família no contexto atual? 

Fernando Barnabé, integrante do Time de Autores dos planos de aula NOVA ESCOLA e diretor da rede Trilhas do Saber e da Edu.co Ensino Consultoria, lembra que os conteúdos ensinados nos anos iniciais do Ensino Fundamental costumam ser mais fáceis para a família acompanhar, o que facilita o trabalho dos adultos na hora de ajudar as crianças. Isso é uma vantagem, especialmente porque, aproximando o conteúdo da vida cotidiana, os alunos tendem a tomar gosto pelos números “É uma faixa etária definitiva para não gerar uma aversão futura com a Matemática”, diz Fernando.

Para Luciana, a família pode ser um ponto de apoio para que os estudantes discutam as diferentes formas de pensar e resolver os problemas matemáticos. “Muitos pais são comerciantes, por exemplo. Os adultos têm o seu jeito de fazer as contas e podem compartilhar isso com as crianças, com cuidado para não impor suas estratégias a elas. O que vale são as discussões matemáticas geradas a partir da comparação de diferentes estratégias.

Como o livro didático pode ajudar no replanejamento?

Segundo Luciana, o livro didático é importante por ser uma ferramenta que já está na mão das crianças e  independe do acesso à internet, tão difícil para muitas famílias. E vale lembrar que, além de acessível, o material distribuído nas escolas públicas  passa pelo crivo do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), o que garante a qualidade e o alinhamento do recurso com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Se eu estou planejando a partir das habilidades  previstas no documento, o livro didático pode me ajudar nisso”. 

Como avaliar o aprendizado remotamente? 

A avaliação remota no contexto de uma pandemia global é um desafio para os educadores. Kátia Smole, diretora do Mathema, instituição especializada no ensino de Matemática, e ex-secretária de Educação Básica do MEC, reforça que fazer provas neste momento não é o melhor caminho. 

“A avaliação não se resume à nota”, diz a especialista, que defende outras formas de sondar o desenvolvimento dos alunos. Ela propõe, por exemplo, que o docente acompanhe as atividades por meio de fotos  e conversas por telefone ou WhatsApp com os alunos. “Se estamos inovando na forma de dar aulas, também precisamos inovar na forma de avaliar. É importante investir em pequenas atividades que possam compor um cenário de acompanhamento.”

Luciana sugere que o educador faça perguntas ao longo das atividades ou aulas a distância para captar as dificuldades e sugere uma avaliação pontual, como é feito nos Planos de Aula NOVA ESCOLA com as atividades de Raio-X. (nesta caixa, você encontrará uma tabela com todos os planos essenciais para fazer isso e muito mais)

Como organizar a volta às aulas presenciais? 

Além do respeito aos protocolos de saúde para não colocar em risco as crianças e os educadores, será preciso diagnosticar o que os alunos aprenderam ou não durante o período de afastamento, suspensão das aulas ou ensino remoto. É esperado que seja detectada uma grande diversidade: alguns alunos terão avançado muito, outros não. 

Para Luciana, não será possível tratar o grupo de forma homogênea. Uma experiência possível, compartilhada pela educadora, é a adoção de turmas flexíveis para as aulas de Matemática, organizadas de acordo com os níveis de aprendizagem de cada um e com foco no aluno, em vez da divisão tradicional seriada. Luciana conta que esse foi um experimento-piloto feito em uma escola municipal de Belo Horizonte com bons resultados. No entanto, esse combinado precisa contar com a ajuda de toda a comunidade escolar para ser bem-sucedido. 

Kátia defende que, no lugar de trazer todos os estudantes para as escolas aos sábados, por exemplo, é importante focar especialmente em quem precisa de maior acompanhamento em atividades de reforço. “A equidade significa principalmente não deixar nenhum aluno para trás.” Ela ressalta ainda que a volta das aulas presenciais envolve diversos protocolos a serem adotados pelas secretarias de Educação e os profissionais de Saúde, o que foge da alçada dos professores e gestores escolares.

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