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Para pensar sobre a prática

Utilize o interesse dos alunos por jogos a favor da aprendizagem

Esses recursos desenvolvem habilidades socioemocionais e podem ser utilizados para refletir sobre conteúdos curriculares

Divertidos e envolventes, os jogos podem ajudar os alunos a refletir sobre o conteúdo e também fazê-los aprender a respeitar regras, a lidar com a frustração e a trabalhar coletivamente. Ilustração: Estúdio Kiwi.

Tabuleiro, videogame, cartas ou as opções encontradas nos computadores. É praticamente impossível conhecer uma criança que, neste período de isolamento social, não tenha se rendido à diversão proporcionada pelos jogos. Então, por que não utilizá-los a favor da aprendizagem? 

A linguagem e a dinâmica dos games podem ser grandes aliadas da educação a distância ao trazerem um componente essencial para o aprendizado: o engajamento. “No esquema remoto, as crianças do Fundamental I têm dificuldade de focar quando as exposições temáticas são muito longas”, conta Telma Ferraz Leal, docente no programa de pós-graduação em Educação e formadora de professores no Centro de Estudos em Educação e Linguagem, ambos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Os jogos permitem uma postura de aprendizagem ativa, com situações problematizadoras e lúdicas que favorecem a curiosidade e a motivação”, completa.

Quando aplicados com intencionalidade pedagógica, os jogos ajudam a refletir sobre o conteúdo curricular. Eles podem ser utilizados para apresentar um novo conteúdo, para realizar diagnóstico ou como instrumento de revisão, por exemplo. Por meio de uma experiência imersiva de aprendizagem, eles também permitem desenvolver habilidades e competências socioemocionais. “As crianças aprendem a lidar com regras e frustrações, a antecipar a reação do outro e a serem colaborativas”, ressalta Telma. 

As possibilidades de uso são infinitas, mas é importante seguir alguns critérios para a escolha dos jogos. “O professor precisa definir quais competências e conhecimentos quer promover. Além disso, deve considerar a idade das crianças e os conhecimentos prévios que elas já precisam ter desenvolvido para aproveitar o jogo”, aponta a pedagoga Elisa Vilalta, do Time de Autores e do Time de Formadores de NOVA ESCOLA. No atual momento de quarentena, ela destaca ser essencial conhecer o perfil da turma para pensar em quais opções propor. Deve ser um jogo em que os alunos possam usufruir na casa deles. Se for virtual, é necessário saber se todos têm acesso à internet e se os computadores ou celulares comportam a ferramenta. Se a ideia é pedir para os estudantes produzirem o jogo, é recomendado cuidado na seleção de materiais. 

Propostas que incentivem a participação dos pais e responsáveis e outras crianças que moram na mesma casa são bem-vindas, pois estimulam a interação e contribuem para o estreitamento do vínculo familiar. Mas o educador deve se lembrar de que as configurações são variadas e, assim, incluir a possibilidade de adaptar o jogo para apenas um ou dois jogadores, por exemplo.

Fernando Barnabé, mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e formador de professores, levanta outro ponto de atenção: evitar jogos que sigam a lógica do treino. Segundo ele, isso ocorre com boa parte das ferramentas voltadas para os anos iniciais do Ensino Fundamental que abordam o processo de alfabetização e de letramento matemático. “Muitas das atividades acabam apenas sendo outro jeito de decorar respostas. É preciso ir além”, completa. 

Como monitorar as aprendizagens 

Para mediar e acompanhar os alunos em suas empreitadas, os educadores podem se valer de uma série de recursos para entender os percursos, as estratégias utilizadas e as descobertas deles. Dá para pedir a gravação de vídeos ou o envio de relatórios individuais, desenhos e fotos. Para as escolas que estão conseguindo reunir as turmas virtualmente, outra opção é propor uma roda de conversa. “O importante é que eles façam um registro contando sobre os conhecimentos que mobilizaram e os questionamentos que tiveram”, diz Fernando. Esse exercício permite aos estudantes elaborar o que aprenderam.

O feedback do professor, por sua vez, deve ir além do certo e errado. Isso porque a proposta desse tipo de atividade é justamente levantar hipóteses, então, pode ser que algumas delas não se comprovem. “No jogo, o erro é muito mais permitido do que na sala de aula e é isto que favorece a autonomia dos alunos na solução de um problema”, diz Bruna Mruk, professora no Colégio Ânima, em Goiânia (GO).


Pontos de atenção para planejar atividades com jogos na quarentena 

- Conhecer o perfil da turma para escolher que tipo de jogo propor;

- Definir os objetivos de aprendizagem: trabalhar habilidades socioemocionais ou também fazer do jogo uma etapa de apoio ao ensino de um conteúdo;

- Antes de selecionar, experimente o jogo para conhecer melhor suas possibilidades;

- Promover momentos de reflexão: discuta as estratégias utilizadas, pergunte das dificuldades encontradas e estimule a troca entre os alunos.

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