Para repensar a escola

Na Amazônia também tem História

Descubra 9 fatos históricos que você talvez não conheça sobre a região

O ano é 2019 e o cenário é este: a Amazônia em chamas. As imagens do fogo consumindo a floresta rodaram o mundo e fizeram com que essa região voltasse ao centro do debate dentro e fora do Brasil. Quem vê a Amazônia assim pode não imaginar, mas a exploração da região começou há séculos, quando os primeiros europeus chegaram à floresta em 1616 e se depararam com tamanha biodiversidade. Não demorou para que os portugueses fizessem do lugar outra colônia de Portugal, separada do restante do que hoje é conhecido como Brasil. Porém, mais do que isso, o que talvez muitos não saibam é que a Amazônia tem história (e muita!). 

No início do século 17, a maior floresta tropical do mundo começava a fazer parte de uma narrativa de exploração e escravização dos povos nativos. A historiadora e professora de História da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Patrícia Melo Sampaio afirma que muita gente não sabe, mas a ideia de Brasil enquanto nação só começa a ganhar forma no século 19. “Isso dá noção de como somos diferentes e de como cada região, seja ela o Sul, o Sudeste ou o Nordeste, tem uma demanda sobre isso”, observa.

Autor do livro História da Amazônia - Do período pré-colombiano aos desafios do século XXI, Márcio Souza critica a ausência da região no ensino de História nas escolas e reforça a importância de ensinar sobre a trajetória também do Norte do Brasil. “Desconhecer a Amazônia, sua história, sua diversidade cultural, reconhecendo que ali não se trata apenas de natureza, é uma forma de tornar o país mais injusto. Falar da Amazônia é combater a maior de todas as discriminações em relação à riqueza do povo brasileiro”, ressalta. 

Para entender melhor alguns fatos históricos sobre a Amazônia, a historiadora Patrícia Sampaio destaca nove fatos pouco conhecidos sobre a região.

VOCÊ SABIA QUE...

A Amazônia nem sempre foi brasileira 

Nem todo mundo sabe, mas, por mais de 200 anos, a Amazônia permaneceu separada do Brasil. O estado do Grão-Pará e Maranhão, criado em junho de 1621, era independente do estado do Brasil e estava diretamente subordinado a Portugal. Entre 1626 e 1775, a área abrangia o território onde hoje são os estados de Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. Isso quer dizer que a Amazônia, enquanto espaço luso-colonial, desenvolveu dinâmicas próprias, desde a economia ao funcionamento das instituições – o que se distinguia das demais áreas do país.

Brasil ainda está longe de ser uma nação

Essa ideia que se tem de Brasil no século 21 levou muito tempo para ser construída. Apenas no século 19 é que o país vai se transformando, a passos lentos, em uma nação. Foram mais de 200 anos até que esse entendimento pudesse ser consolidado, o que dá a noção do porquê de tanta diversidade. Cada região tem trajetória e demandas distintas, seja ela Amazônia, seja Nordeste, Sul ou Sudeste.

Na Amazônia colonial havia mais índios escravizados do que africanos?

A Amazônia colonial é marcada pela exploração da força de trabalho indígena por conta da sua presença maciça. Com a chegada dos europeus na região, em 1616, a ideia da Coroa portuguesa era tornar os povos da terra seus vassalos, mas as coisas não foram bem assim, e logo os índios se tornaram escravizados, em um processo que já acontecia em outras regiões que, na época, faziam parte de outra colônia. É apenas no final do século 18 que homens e mulheres trazidos da África para serem escravizados no Brasil vão ocupando esse lugar. Processos similares ocorrem nas, até então, duas colônias. A maior diferença foi a temporalidade.

As cidades coloniais surgiram graças à mão de obra indígena

Não só na Amazônia, mas em todas as outras regiões do país, os núcleos urbanos coloniais surgiram como resultado da presença de trabalhadores indígenas – o que ficou mais evidente na região amazônica por causa da maior concentração de índios. A escravidão indígena marca a experiência de formação do espaço colonial brasileiro em todas as regiões. Isso significa que em momentos distintos a escravização dos índios foi o que tornou isso possível. Em 1616 na Amazônia, os europeus recomeçam processos que já haviam se iniciado no Rio de Janeiro e onde hoje é o Nordeste, por exemplo. Os mesmos mecanismos de escravização dos povos indígenas e expropriação de terra pelas capitanias hereditárias.  

A Amazônia teve a primeira legislação indigenista própria

A primeira legislação indigenista própria da Amazônia foi o Diretório dos Índios, de 1755, e a Carta Régia, de 1798. As leis foram feitas para as populações indígenas do Estado do Grão-Pará e depois estendidas ao Estado do Brasil.

A escravidão africana também marcou a trajetória da Amazônia 

Quando se fala sobre a presença negra na Amazônia é frequente ver o espanto das pessoas. Ainda hoje, especialmente fora da região, é comum ouvir a pergunta: “Mas, afinal, existiu escravidão na Amazônia?” Sim, a experiência da escravidão africana também marcou a trajetória da parte norte da colônia portuguesa na América. Em decorrência disso, hoje a presença negra na Amazônia é inegável, com enorme impacto na vida da região, marcando sua história. 

A primeira pesquisa científica na Amazônia ocorreu em 1783

A primeira pesquisa científica ocorrida na Amazônia só ocorre 167 anos após a sua ocupação. Em 1783 o estado colonial português autoriza a entrada de um cientista na região. O naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, nascido na Bahia, passou nove anos viajando pela Amazônia com a expedição científica chamada Viagem Filosófica. Ele e sua equipe percorreram cerca de 40 mil quilômetros pelas Capitanias de Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Nesse período, o pesquisador fez um levantamento criterioso da fauna, da flora, das populações e das possibilidades de agricultura. Na sequência, leva o apanhado de informações para Lisboa. Até hoje, o volume de informações coletadas por Alexandre alimenta várias áreas do conhecimento.

Cabanagem é uma das mais importantes revoltas populares 

Ocorrida no período regencial brasileiro, a Cabanagem é um dos movimentos populares de maior envergadura. De 1835 a 1840, as províncias das regiões que são o Pará e o Amazonas viveram sob esse período de revolta e insurgência popular, principalmente contra o domínio branco. Essa é a mais longeva revolta popular e a de maior alcance em termos territoriais, pois começa em Belém e alcança as povoações do Alto Rio Negro. O nome “cabanagem” foi dado porque a maioria dos revoltosos era formada por pessoas pobres que moravam em cabanas às margens dos rios. Eles eram chamados de cabanos. Dica de documentário: A Revolta dos Cabanos, de Victor Leonardi

Amazônia abriga a maior quantidade de populações indígenas

É na Amazônia onde está a maior concentração de populações indígenas do Brasil, com um total de 60%. Isso representa uma rica diversidade socioetnolinguística e mostra, mais uma vez, como há diferenças que precisam ser respeitadas no país.

 

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