Para aprender sobre a prática

Por que ouvir histórias é um apoio emocional para as crianças

Perto de finais felizes e de pessoas que as amam, elas conseguem vislumbrar que os problemas têm solução e ampliar os horizontes da imaginação

Por Rosi Rico

 Ler para alguém é um ato de afeto e uma forma de apoio democional. Ilustração: Thiago Lopes/Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

A menina de casaco e capuz vermelho segue pela floresta para levar bolo e doces para a avó, encontra um lobo no caminho, quase é devorada (!) por ele... mas consegue se salvar. Ufa! A narrativa da Chapeuzinho Vermelho, em suas variadas versões, é um clássico que continua provocando medo, suspense e alívio nas crianças. Esta possibilidade de transitar da instabilidade para o seguro, da ameaça para o conforto, é um dos papéis das histórias infantis. E, em tempos de incerteza provocada pela pandemia do novo coronavírus, revisitar finais felizes é boa estratégia para acalmar o coração durante o isolamento social. 

“As crianças que escutam uma boa história vivem essa travessia com os personagens, de passar pelo momento de angústia, quando as coisas ficam instáveis e muito ruins, para o conforto de tudo estar bem novamente”, conta Silvana Augusto, coordenadora da pós-graduação do Instituto Singularidades, em São Paulo (SP) e colaboradora do Instituto Avisa Lá. “Essa experiência se transmite como uma atitude de vida de saber que sofrimento e tristeza existem, mas que, apesar das intempéries, tudo dá certo”, completa. 

Cultivar a estabilidade no imaginário das crianças torna-se mais importante no contexto atual. “Em um tempo em que tudo está tão incerto e os próprios adultos estão inseguros, para uma criança pequena é motivo de segurança afetiva interna reconhecer que algumas coisas se estabilizam na vida”, explica Silvana. Por isso, é oportuno que a escola incentive os pais a aproveitarem, na medida do possível, o período em casa para ampliar o repertório das crianças por meio de contação de histórias. Valem aquelas transmitidas oralmente ou lidas.

Além da segurança, a contação de histórias trabalha com o afeto: a dedicação do adulto ao ler ou contar e se propor a entrar com a criança no universo da fantasia também é um apoio emocional para os pequenos. “A contação traz esse aconchego e bem-estar da troca, do cuidado, do tempo que é dado para o outro”, diz Ana Flavia Castanho, professora de Pedagogia no Instituto Vera Cruz e autora do curso Leitura para Bebês, de NOVA ESCOLA, que pode ser acessado gratuitamente aqui.  

E para além do aspecto emocional, o contato com as histórias contribui para o desenvolvimento cognitivo. É uma oportunidade para aprender a lidar com diferentes percepções e sentimentos, mas também, para ampliar o vocabulário, construir repertório cultural e desenvolver a escuta, a imaginação e a criatividade. “Tudo o que as crianças vão construindo na infância por meio das histórias, elas depois reapresentarão na brincadeira do faz de conta, no desenho e nos casos que elas contam”, diz Silvana.

Em relação às histórias lidas, é fundamental inserir as crianças no mundo da literatura desde cedo, o que contribui na construção de um comportamento leitor. “As histórias que são lidas ajudam a despertar o interesse por aprender a ler e escrever para desvendar os mistérios que a escrita guarda”, lembra Silvana. Aos poucos, a criança vai percebendo as diferenças entre as pausas e expressões das histórias transmitidas oralmente e daquelas lidas. Mais à frente, ela vai saber o que é uma marca gráfica e reconhecer a pausa como sendo vírgula e reticências e as emoções como reflexo de pontos de exclamação ou de interrogação, por exemplo. “A criança vai sendo informada, muito antes de conhecer as letras, sobre a linguagem escrita”, explica a coordenadora do Instituto Singularidades. 

Neste período de quarentena, a contação também é uma maneira de oferecer às crianças alternativas aos meios eletrônicos. “Temos de lembrar que a criança está em uma fase importante de desenvolvimento neurológico. É fundamental garantir o acesso a um repertório literário diverso para que ela não fique apenas exposta ao que está na televisão ou no celular”, diz Karine Ramos, doutora em Educação e orientadora pedagógica da área de Educação Infantil do Colégio Santa Maria, em São Paulo. 

Por tudo isso, escolas e professores devem incentivar as famílias a promoverem a contação de histórias em casa. Como orientá-las? Neste texto, apresentamos algumas sugestões.


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