PARA COMEÇAR O ANO

Mãos à obra: Como melhorar a estrutura física da escola de Educação Infantil

Com a ajuda de três gestoras de Educação Infantil, elaboramos um passo a passo para ajudar você a financiar e realizar as intervenções necessárias em sua creche

Por Marina Gama Cubas

Ilustração: Rafaela Pascotto/NOVA ESCOLA

Em meio à perspectiva de vacinação dos brasileiros para a covid-19 em 2021, muitas escolas e creches da Educação Infantil  já conseguem vislumbrar a retomada das atividades presenciais. Ainda não há uma previsão exata de quando educadores, funcionários, familiares e crianças serão imunizados, mas governos e prefeituras dão sinais de que as instituições da rede pública devem reabrir suas portas ainda neste primeiro semestre (diversas escolas particulares já voltaram). 

Com ou sem a vacina, a pandemia exigiu e continua a exigir mudanças nas formas de nos relacionarmos, tanto com outras pessoas quanto com os espaços da casa, do trabalho e do lazer. Na escola não é diferente. Cientistas e médicos afirmam que, mesmo após a vacinação em massa, os protocolos sanitários e de segurança deverão seguir na ordem do dia por um bom tempo. 

Para que as aulas dentro das creches e escolas retornem com segurança, o gestor precisa estar atento sobre o que é preciso alterar ou adaptar de modo a proporcionar uma recepção tranquila, saudável e segura para as crianças, pais, funcionários e professores.

Nesta hora, algumas obras nas estruturas físicas das escolas - espaços da sala de aula, ambiente externo, banheiros e refeitórios - podem ser necessárias. NOVA ESCOLA conversou com três gestoras de Educação Infantil para compreender como planejar e realizar as alterações que garantam um ambiente adequado no contexto pandêmico e pós-pandêmico: Ceila Pastório, diretora pedagógica da Creche Baroneza de Limeira, conveniada à rede municipal de São Paulo; Claudiana Araújo, coordenadora pedagógica da EMEI Arco-Íris, em Lagoinha (SP); e Fabiana Meirelles, coordenadora da Educação Infantil na escola particular Vera Cruz, em São Paulo, que retomou as atividades presenciais com os pequenos em outubro. 

A maioria das obras, contam elas, é relativamente pequena e não exige grandes gastos. Outras são adaptações simples. “Às vezes, uma intervenção necessária na sala pode ser a retirada de objetos. Talvez, neste momento, é o menos que vale mais”, ressalta Ceila. Esse assunto será abordado em detalhe ao longo deste Box.

Ceila,  Claudiana e Fabiana lembram que um dos pontos fundamentais para a retomada das atividades é a circulação de ar. Abrir mais janelas nos ambientes fechados, como salas e refeitório, é importante para ocorrer a ventilação cruzada (janelas em paredes opostas, permitindo a entrada e a saída de ar) nesses espaços. Abertura de portas também pode ser uma opção. 

Outra ação que pode auxiliar na circulação de ar em um espaço fechado é posicionar um ventilador na janela, com a parte de trás deste para dentro da sala e a parte da frente para fora. Com isso, o ar de dentro do espaço é jogado para o exterior do ambiente, reduzindo a concentração de aerossóis e, possivelmente, o contágio.

Na Baroneza de Limeira, Ceila pediu que fossem confeccionados pequenos portões para serem instalados no batente das portas das salas, que permanecem abertas, favorecendo, assim, a circulação de ar.

A construção de lavatórios é outro ponto essencial. Fabiana explica que se a estrutura da escola permitir, a instalação de uma pia dentro da sala é a melhor solução. Isso, segundo ela, evita que os pequenos entrem e saiam das salas, reduzindo a circulação aos espaços compartilhados.

As áreas externas precisam de atenção especial, uma vez que a maioria das atividades deve ocorrer ao ar livre (saiba mais aqui). Além dos locais para higienização - sempre com água e sabão -, é importante separar essa área para usufruto de turmas diferentes, sempre separadas umas das outras.

Abaixo, montamos um passo a passo para auxiliar os gestores a se organizarem, planejarem e financiarem as primeiras ações necessárias para colocar a creche em ordem.

PARA O GESTOR: PONDO A CRECHE EM ORDEM

Confira um passo a passo do que considerar na hora de fazer adequações na estrutura física da escola


1. Construa um relatório de inspeção da escola. O primeiro passo para saber o que precisa ser feito na escola é percorrer todos os cantos, salas e espaços com olhar atento e crítico. Essa avaliação, sugerem as gestoras, deve ser sempre acompanhada de um grupo pequeno de funcionários e professores para que os múltiplos olhares possam contribuir para a construção do relatório que deve ser elaborado a partir dessa inspeção.

PONTO DE ATENÇÃO: Antes de fazer essa análise, tenha certeza de que você e aqueles que irão te acompanhar têm informações suficientes sobre a covid-19 e as principais formas de transmissão do vírus. Isso é muito importante e servirá de subsídio para que você consiga analisar quais mudanças serão necessárias.

2. Elabore o orçamento. Feito o relatório do que precisa ser feito, é importante definir um orçamento, tanto dos materiais quanto dos serviços que serão necessários. Para economizar, peça ao menos dois ou três orçamentos de locais diferentes. Uma boa sugestão é fazer orçamentos separados: um de materiais necessários para as reformas e outro para os serviços a serem prestados.

3. Apresente as propostas de mudanças. Mostre as alterações e intervenções pretendidas no espaço físico para toda a comunidade escolar - inclusive para os pais e responsáveis. É uma ótima maneira de convidar todos a participarem do processo. Isso permite que eles compreendam o cuidado que a escola está tomando para receber os pequenos e se mobilizem para preservar e proteger todos contra a disseminação do vírus. A comunidade poderá, inclusive, colocar a mão na massa e ajudar mais concretamente nas mudanças (ver o próximo item).

4. Busque recursos. Com o  reconhecimento dos espaços, o orçamento e a apresentação do projeto, já se sabe quanto custará fazer todas as modificações necessárias. Mas como pagar por tudo isso? As escolas podem financiar as obras com o dinheiro advindo do repasse emergencial do Programa Dinheiro Direto na Escola, dos governos federal e estaduais, previsto justamente para as obras e compras necessárias para a acolhida das crianças neste contexto. 

Uma boa notícia para 2021 e os próximos anos é que o governo federal ampliou o porcentual maior de recursos do Fundeb para a Educação Infantil. O valor pode auxiliar na implementação das melhorias e adaptações da creche. A depender da cidade e da proximidade da gestão da escola com secretarias municipais, é possível pedir auxílio para outras pastas. É o que acontece em Lagoinha, conta Claudiana Araújo, da EMEI Arco-Íris.

Quando a escola precisa de algum reparo, obra ou manutenção, a direção da escola faz um pedido para a Secretaria de Obras do município de Lagoinha, que prontamente atende às necessidades sem que seja necessário usar as reservas financeiras da própria instituição. “Trabalhamos muito em conjunto com as secretarias de Saúde, Transporte e Obras. Fazemos um ofício, encaminhamos e eles executam o serviço”, explica.

Outra maneira para diminuir os gastos é pedir ajuda dos pais e suas áreas de atuação profissional. “Se você tiver uma comunidade de cem famílias e disser 'preciso abrir uma janela e gostaria de contar com os pais que trabalham com isso', aparecerão inúmeros voluntários”, sugere explica Ceila, da Baroneza. “Promover redes de apoio e a construção de parcerias com as famílias é importante porque eles têm interesse. Vão ficar muitíssimo mais envolvidos com a escola por terem sido convidados para tornar essa escola melhor”, explica ela.

5. Mãos à obra! Com o recurso financeiro em mãos e uma equipe de trabalho com profissionais e voluntários, a hora é de trabalhar. Mãos à obra e bom retorno!

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