Para usar com as crianças

Atividade para crianças bem pequenas: Conversando sobre o banheiro

Perceber os sinais do próprio corpo e exercer o autocontrole: conhecer-se e cuidar de si também passa pelo momento de se libertar das fraldas

Por Maria Lígia Pagenotto

Ilustração abstrata de criança com dor de barriga.
Ilustração: Julia Coppa/NOVA ESCOLA

O desfralde é um ponto de virada na vida das crianças. Quando elas aprendem a reconhecer os sinais do próprio corpo de que é hora de ir ao banheiro - e a tempo de evitar “acidentes” -, é sinal de que um importante passo em relação ao autoconhecimento e ao autocuidado foi dado. É também disso que se trata a competência geral 8 da BNCC.

Para ajudar você e as famílias da sua turma em tempos de pandemia, onde parte das creches ainda está fechada, a professora Leda Barbosa, de Brasília, adaptou uma atividade criada por ela para uso na creche (disponível aqui).

Segundo a docente, o mais importante dessa atividade não é o controle do esfíncter, o músculo que controla o ânus, porque isso, mais cedo ou mais tarde, a criança acaba adquirindo. O fundamental é que os pequenos aprendam a identificar os sinais que seu corpo dá quando necessita ir ao banheiro. “Ela precisa distinguir o que é vontade de fazer xixi, por exemplo, do que é uma dor de barriga”, orienta. 

Nesse sentido, a colaboração dos familiares que convivem com a criança - seja em tempo integral, seja em uma situação normal de escolas abertas - é imprescindível. Pais ou responsáveis devem colaborar com a conquista desse aprendizado. Essa também é uma oportunidade para ampliar o vocabulário da criança, apresentando a ela palavras novas. A conversa sobre os sentimentos e sensações antes e depois de ir ao banheiro faz parte desse esforço, que visa dar aos pequenos capacidade de expressarem seus sentimentos e sensações físicas.

As instruções são simples, mas precisam ser transmitidas adequadamente para os adultos. Confira os passos.

divisória de sugestão de atividade

CONVERSANDO SOBRE O BANHEIRO

Atividade para pais e professores colaborarem com o desfralde das crianças


Indicado para: Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Espaço: A conversa pode ser feita em qualquer cômodo da casa. Não precisa ser no banheiro, mas pode ser importante acompanhar a criança e mostrar os objetos, ensinar a usar a descarga etc.

Na BNCC:
Campo de experiência: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
EI02ET06 - Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, rápido, depressa, devagar).

Campo de experiência: Corpo, gestos e movimentos
EI01CG02 - Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios.

Campo de experiência: O eu, o outro o nós
EI02EO04 - Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender.


PASSO A PASSO

1. Prepare a atividade: Em uma conversa por videochamada ou outro meio possível, oriente os pais sobre a importância da proposta. Ao final, peça que eles proponham aos filhos que imitem fisicamente, com gestos, expressões faciais, os sinais de incômodo, aperto na barriga etc. (os adultos também podem entrar na brincadeira e fazer as caretas junto). Diga para o familiar filmar ou fotografar e enviar o registro pelo WhatsApp.

2. O que fazer na “Hora H”: Em algum momento do dia, que pode coincidir com a ida ao banheiro ou não, diga aos pais que lembrem a criança das expressões feitas antes e após fazerem xixi ou cocô. Sugira que eles observem se a criança reconhece a diferença e, assim, entende os marcos de tempo, tais como agora, antes, durante, depois. Os adultos devem prestar atenção também às estratégias usadas pelas crianças para dizerem que querem ir ao banheiro (elas verbalizam? Colocam a mão na barriga?). A ideia é de que as crianças, a partir dessas conversas, percebam quais sinais o seu corpo dá mostrando que querem ir ao banheiro. 

3. E se a criança não chegar no banheiro a tempo? Caso ela não consiga segurar o xixi, por exemplo, e fique chateada com isso, oriente os pais a conversarem sobre os sentimentos que estão passando pela criança. Eles podem dizer que entendem a frustração de querer fazer algo e não conseguir, contar que também passaram por essa fase e que compreendem o incômodo. Ajudar a criança a distinguir e nomear sentimentos e sensações também faz parte da atividade.

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