Para usar com as crianças

Como avaliar o trabalho com as competências na Educação Infantil? Baixe um modelo para se inspirar

Feita a partir de perguntas formuladas adequadamente, a avaliação deve estar centrada no registro e na descrição dos comportamentos, e não no cumprimento de metas

Por Maria Lígia Pagenotto

Ilustração de calendário e materiais de estudo sobre mesa.
Ilustração: Julia Coppa/NOVA ESCOLA

Nesta Caixa sobre a competência geral 8, Autoconhecimento e autocuidado, você já deve ter lido sobre a importância de experiências nas quais a criança pode se conhecer e aprender a cuidar de si.  Também é provável que você já tenha conhecido duas atividades que proporcionam essas experiências: a troca de roupa dos bebês e a conversa sobre o uso do banheiro, a ser feita na época do desfralde.

Aí, você deve estar se perguntando: “OK, mas como eu vou saber se o meu trabalho está sendo efetivo? Como verificar se as estratégias que estou usando realmente ajudam as crianças?”

Calma, vamos te ajudar: NOVA ESCOLA convidou a consultora Vládia Pires, mestre em Educação e supervisora educacional de creches e escolas de Campina Grande (PB) para elencar algumas orientações imprescindíveis para a avaliação do trabalho pedagógico. Além disso, Vládia criou um modelo de registro com perguntas voltadas para a reflexão sobre a atividade 2 desta Caixa, a troca de roupas dos bebês.

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Instruções de uso do modelo e orientações para uma boa observação

O modelo pode servir tanto como pauta de observação direta (no caso da atividade ser feita na creche) quanto como um roteiro de conversa com as famílias (se a proposta for feita em casa, em um contexto de creches fechadas).

Vládia Pires enfatiza que a avaliação na Educação Infantil não deve se pautar de forma alguma pelo cumprimento de objetivos. O instrumento, afirma, serve fundamentalmente para que os educadores encontrem as melhores formas de trabalhar com as crianças.

“O importante é que os professores encontrem novas rotas para atuar com os pequenos”, explica. Portanto, o professor não deve levar em conta se a criança conseguiu vestir o sapato sozinha, por exemplo, nem se conseguiu usar corretamente o vaso sanitário, mas sim, verificar como ela realizou suas descobertas e aprendizagens para chegar aos resultados.

O uso de uma tabela (como esta que você pode baixar no botão acima) para anotar o processo de cada criança, de acordo com a atividade proposta e segundo os aspectos escolhidos para análise, não é a única estratégia de registro. “Essa pauta é um dos instrumentos possíveis, mas temos também os vídeos, as fotografias, os áudios, as produções das próprias crianças, como desenhos, por exemplo”, afirma Vládia. “Cada forma de registro tem um sentido – o vídeo capta muito o movimento, o áudio pega as palavras. Já as fotografias registram com precisão expressões importantes desses momentos de aprendizado.”

O que realmente faz a diferença na hora de registrar é a intenção de observação do professor, que precisa se perguntar: “O que eu quero observar nesta atividade? E qual seria o melhor tipo de registro para isso?”

A consultora exemplifica esse ponto: em uma atividade que envolva o banho das crianças, que tal verificar:

- Como as crianças participam do banho?

- Elas demonstram interesse pelo momento? Como? 

- Quais estratégias as crianças utilizam para cuidar do seu corpo no momento do banho?

- Pedem ajuda? Como solicitam apoio? 

- Qual a melhor forma de captar tudo isso? Filmando? Fotografando? Fazendo anotações a posteriori? Mesclando mais de uma forma de registro?

A diferença também está nos tipos de perguntas que o professor faz sobre a proposta, as quais devem dar margem para a descrição dos modos de ser e de agir das crianças diante das situações de aprendizagem. “As crianças não devem ser classificadas em 'aptas' ou 'não aptas', se sabem ou não fazer uma coisa. Por isso, ao elaborar uma pauta de observação, não devemos fazer perguntas que sejam respondidas apenas com 'SIM' ou 'NÃO', pois pouco ou nada dizem sobre a criança”, explica Vládia.

Todos os conhecimentos das crianças devem ser adquiridos e ampliados por meio de experiências diversas e de qualidade, que as coloquem como protagonistas e favoreçam a construção de vínculos seguros e estáveis. “Os registros vão nos revelar muito de como as aprendizagens acontecem por guardarem toda a memória do vivido [pela turma]. São ações, falas, gestos, interações que precisam ser compreendidos no processo reflexivo do professor”, finaliza Vládia.

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