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Relação criança e pandemia: o que a Ciência já sabe

Confira respostas a cinco perguntas frequentes a respeito de transmissão da covid-19, desenvolvimento cognitivo e uso de máscaras e de telas

Ilustração de celular sendo segurado por criança sobre fundo sólido verde.
Ilustração: Yasmin Dias/NOVA ESCOLA

A pandemia de covid-19 trouxe uma série de temores para toda a sociedade, dentre os quais a preocupação de como a doença e o distanciamento social poderiam afetar as crianças. Um ano depois, familiares, educadores e profissionais da saúde observam alguns efeitos no comportamento dos pequenos e se perguntam o quanto o prolongamento da pandemia e a falta de atividades escolares presenciais podem continuar refletindo sobre eles. 

Especialistas e estudos apresentam hipóteses, mas não conseguem garantir quais serão todos os efeitos a longo prazo desse contexto ímpar na vida das crianças (leia aqui como está a saúde mental dos pequenos). Antes de pensar no futuro, é preciso adotar medidas e cuidados que preservem a saúde, a qualidade de vida e os direitos das crianças no momento presente, mesmo com todas as dificuldades impostas pelo coronavírus. 

NOVA ESCOLA consultou especialistas, buscou pesquisas e organizou a seguir respostas para algumas questões frequentes sobre a relação entre crianças e epidemias. Confira.

1 - O que sabemos sobre a transmissão e o desenvolvimento da covid-19 em crianças? 

Desde o início da pandemia até a primeira semana de março de 2021 (dia 8), 779 crianças de até 12 anos morreram de covid-19 no Brasil, número que representa algo como 0,29% dos óbitos em decorrência da doença nesse período, de acordo com o DataSus. Segundo Fausto Flor Carvalho,  pediatra e chefe do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), mais adultos e jovens estão sendo atingidos pela doença e com maior gravidade, um provável efeito das novas variantes. Mas o aumento também é percebido nas crianças, mesmo que elas continuem a representar uma parcela muito pequena dos afetados. “Geralmente, elas têm menos sintomas, mas ficamos preocupados com a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, doença que afeta especificamente a saúde das crianças e age como uma espécie de sabotagem ao seu sistema imunológico”, explica o pediatra. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aponta que essa doença está potencialmente associada à covid-19 e atinge pelo menos dois órgãos e sistemas, gerando o comprometimento cardiovascular em cerca de 80% dos casos (a nota de alerta da SBP pode ser acessada aqui). 

Para evitar se contaminar e transmitir a doença, as crianças também devem fazer uso da máscara e higienizar as mãos frequentemente. Além da tosse e cansaço, o médico orienta que os pais fiquem atentos aos sintomas mais comuns nelas, como náusea, diarreia e vômito. Além disso, é possível que elas não comentem a ausência do paladar, mas expressem a falta de vontade de comer. 

2 - As crianças pequenas vão conseguir se lembrar do período de pandemia? 

A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, habitualmente, os adultos se lembram do que aconteceu em suas vidas a partir dos 4 anos de idade. Entretanto, isso não significa que o período pandêmico não terá nenhum efeito em crianças menores. “A teoria psicanalítica indica que nosso inconsciente ‘mascara’ o que acontece nos primeiros anos de vida. Sabemos que esse distanciamento vai trazer algum reflexo nelas lá na frente, porém, não vai ser na memória, e sim, no inconsciente", comenta o pediatra Fausto. 

3 - As crianças estão com atrasos cognitivos por conta do ensino remoto? 

Priscilla Oliveira Bomfim, professora colaboradora do programa de pós-graduação em Neurociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), tranquiliza os pais e educadores que estão muito preocupados com essa questão: “Como especialista no assunto, posso dizer que o cérebro é plástico e podemos aprender até ficarmos velhos. Quando o cérebro é estimulado cognitivamente de modo desafiador e motivador, a criança aprende, mesmo que tenha passado muito tempo longe da escola”. Cada caso deve ser avaliado individualmente, mas antes de presumir que a dificuldade é cognitiva, é preciso analisar todo o contexto. Por exemplo, a constante possibilidade de que a escola volte a fechar pode fazer com que a criança reprima a vontade de participar das atividades (mesmo que inconscientemente), pois não quer se apegar àquele ambiente por causa do medo de ser separada dele novamente. “Na maioria das vezes, a dificuldade para aprender não é cognitiva, mas emocional”, comenta Priscilla.

4 - Quais as orientações para o uso de máscara em crianças? Quantas máscaras o educador deve recomendar que elas levem para a escola?

Segundo a SBP, o uso da máscara não é recomendado para crianças menores de 2 anos de idade porque “a salivação intensa, as vias aéreas de pequeno calibre e a imaturidade motora elevam o risco de sufocação”. A partir dessa idade, elas podem usar, mas com a supervisão constante de um adulto, que deverá orientá-las quanto ao uso correto (veja as recomendações aqui). Segundo o pediatra Fausto, o ideal (quando possível) é usar uma máscara no transporte até a escola, trocá-la ao chegar e depois do momento do lanche. Mesmo com a popularização da máscara-padrão PFF2/N95, ele esclarece que, por ser mais desconfortável e mais caro, o modelo pode ser inviável para uso diário das crianças. Sendo assim, recomenda-se para elas a utilização do modelo cirúrgico ou o de duas camadas de pano.

5 - As telas também invadiram o cotidiano das crianças. O tempo de tela interfere no desenvolvimento delas?

A exposição excessiva às telas (para as crianças, deve ser bem menor do que para os adultos) pode causar uma série de consequências na postura corporal, comportamento alimentar, comportamento social, concentração e desenvolvimento ocular. Leia aqui algumas orientações sobre como moderar o uso de telas nas atividades remotas da Educação Infantil e uma entrevista com a oftalmologista Marcia Keiko Tabuse.

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