Para refletir sobre a prática

Ontem, hoje e amanhã: trabalhe noção de tempo na Educação Infantil

Aprendizado, que faz parte do conhecimento matemático, pode ser desenvolvido por meio de experiências cotidianas

Gif ilustrado de carrinho de criança ao lado de uma janela mostrando a passagem do tempo através da luz do sol.
Ilustração: Rafaela Pascotto/NOVA ESCOLA

Quem nunca ouviu uma criança dizer algo como “vou passear ontem”, misturando passado, presente e futuro? As noções de tempo e linguagem caminham juntas. Esse aprendizado é preconizado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no campo de experiências Espaço, Tempo, Quantidades, Relações e Transformações, que prevê a necessidade de os educadores estimularem as crianças a observarem e investigarem diversos espaços (rua, bairro, cidade etc.) e tempos (dia e noite, ontem, hoje e amanhã etc.). “É por meio de experiências que os pequenos entendem o conceito de passagem do tempo”, afirma o professor Evandro Tortora, da CEI Tancredo Neves, em Campinas (SP), e colunista de NOVA ESCOLA. 

Se antes das restrições de distanciamento impostas pela pandemia o educador convidava as crianças para irem ao parque, por exemplo, às 9 horas e apontava o relógio, agora a necessidade de ensino remoto mudou um pouco o cenário e os professores precisam contar com o apoio de pais e responsáveis. Isso inclui orientá-los como utilizar a rotina para ensinar noções de tempo físico (dia, noite etc.) e cronológico (hoje, ontem, amanhã etc). “Fazemos um combinado com as crianças e suas famílias para planejar um período do dia para mostrar as atividades. Se determinada tarefa tem de ser feita amanhã, o adulto informa isso à criança, que, assim, começa a entender a divisão do tempo”, conta Evandro. 

A organização das atividades também pode ser um momento de aprendizado. “Se propomos uma brincadeira com tintas, por exemplo, isso envolve tempo cronológico. Organizamos o espaço antes e depois arrumamos as coisas. É essencial apontar isso para as crianças”, explica o docente.

Bebês de 1 ano e 7 meses a 2 anos assimilam a noção de tempo por meio da rotina. Assim, cabe aos pais e responsáveis estabelecerem os horários e informarem os pequenos a hora de comer, de ir dormir, de tomar leite. “Os pais devem desenvolver essa rotina também para não perder o vínculo com a instituição”, diz o professor. “Essa prática de pontuar os momentos da rotina traz segurança e previsibilidade. Apesar da correria do dia a dia, é importante ter com o filho uma vivência sugerida pela escola”, completa. 

O trabalho com o calendário 

O calendário é um grande aliado. A ferramenta utilizada há milênios tem uma função social (contagem de tempo) e pode ajudar as crianças a entenderem a passagem do tempo conforme são estimuladas a compreender os elementos que a compõem (dia, mês e ano) e a regularidade deles. O calendário também pode ser utilizado como fonte de informação e pesquisa para leitura e registro de números. 

Com crianças mais velhas, a proposta de construir um calendário e desenhar os números é viável, pois elas já têm habilidade para tal (confira uma sugestão de atividade). No caso das mais novas, existe a opção de acompanhar as datas no calendário, que podem marcar os aniversários de todos do grupo ou outros compromissos e acontecimentos comuns à turma. Quantos dias faltam para o aniversário do Paulinho? Quanto tempo faz que fizemos uma live? Essas perguntas são uma oportunidade para entender como organizar e antecipar atividades. “Exemplo: se hoje é aniversário do Paulinho, todos são convidados a mandar parabéns para ele. Desse modo, noções temporais como ontem, hoje e amanhã são trabalhadas de modo simples e objetivo”, explica Evandro.

Outra iniciativa proposta pelo professor é a construção de uma ampulheta. A ideia é fazer em casa e o material é simples: duas garrafas pet pequenas conectadas pelo meio, areia ou grãos. É um modo criativo e engenhoso de ajudar a entender o passar do tempo cronológico e trazer ao conhecimento das novas gerações um instrumento existente há séculos.

Essas experiências de medição de tempo fazem parte do conhecimento matemático, como o desenvolvimento da noção de espaço (leia mais aqui) ou de ritmo. Afinal, Matemática vai além de aprender a contar. Atividades como bater palmas para acompanhar uma música ou cantar com os adultos, por exemplo, ajudam a organizar o pensamento e influenciam as construções motoras. “Quando a criança pula, canta, dá passos, está aprimorando a motricidade. Tudo isso é Matemática, mas não denominamos desse modo para não disciplinarizar a Educação Infantil”, explica Evandro.

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