Para planejar a volta

Dicas para manter a proximidade e confiança das famílias

Estratégias que podem ser trabalhadas pelos educadores a fim de fortalecer este vínculo tão importante para o bem-estar das crianças

Ilustração de pai auxiliando filha no momento de higienização das mãos em sua casa.
Ilustração: Leticia Moreno/NOVA ESCOLA

Ao longo da quarentena, a parceria e a confiança estabelecidas entre famílias e escolas foram essenciais para continuar oferecendo às crianças ambientes de aprendizagem, apesar do distanciamento social. Mas a tarefa de construir uma parceria efetiva com as famílias é um desafio diário e um dos aspectos mais complexos da vida escolar, sobretudo neste momento delicado. 

Com a retomada das atividades presenciais, é preciso que esse vínculo se fortaleça. Abaixo, compartilhamos algumas estratégias que podem ser trabalhadas pelos educadores com essa finalidade. Vale lembrar que deve partir da escola a iniciativa de construir uma relação saudável com os responsáveis pelas crianças, por meio de práticas institucionalizadas, construídas, retomadas e refletidas coletivamente. 

Invista em uma comunicação direta e franca: A comunicação entre a escola e a família precisa ser clara, objetiva e verdadeira. Tudo o que acontece com a criança precisa ser compartilhado com os responsáveis e vice-versa. Na Creche Baroneza de Limeira (SP), a direção da escola produziu cinco vídeos que contam às famílias, de forma bem didática, todos os aspectos da segurança no espaço da creche (procedimentos de entrada e saída, higienização, alimentação, brincadeiras, troca de roupas, uso de máscaras). Após as famílias assistirem aos vídeos, a direção da creche reuniu-se, remotamente, para discutir esses aspectos com os pais e esclarecer todas as dúvidas e incertezas. Além disso, o esforço para contatar os familiares é contínuo. A diretora Ceila Luiza Pastório conta que utiliza bilhete impresso, agenda eletrônica, WhatsApp, chamadas por vídeo, ligações, também faz contato na porta da escola com os pais, sempre que possível. A comunicação, afirma, tem de ser intrínseca à cultura da escola.

Não somente as crianças precisam ser acolhidas, mas as famílias também: As famílias vivem todos os tipos de situações que interferem na vida escolar da criança. Por isso, acolher e oferecer apoio é uma forma de aproximação que tende a fortalecer o vínculo e a confiança. Neste momento, especialmente, a escola deve investir em  espaços permanentes de escuta. É preciso ter claro que muitas famílias e crianças passaram ou passam por situações de luto. Karina Rizek, consultora da Avanti Educação e Mobilização Social, pontua que é muito importante que essas angústias possam ser colocadas dentro do ambiente escolar. “Algumas famílias querem voltar às aulas presenciais, outras não (por receio de contaminação). Isso tudo deve ser decidido na base do diálogo, da gestão democrática, a escola não pode ser soberana nessa decisão”, afirma. 

Dessa forma, é importante disponibilizar um horário periodicamente para essa conversa, seja com as crianças, seja com as famílias, presencial ou remotamente. “Muitas crianças estão indo pela primeira vez à escola presencialmente. É um momento delicado”, lembra Evandro Tortora, professor de Educação Infantil no CEI Tancredo Neves, em Campinas (SP). Em alguns casos, reforça Tortora, não basta mandar à família apenas uma mensagem de texto, falando sobre os protocolos da escola. “Sugiro que a direção demande um tempo especial para fazer uma chamada de vídeo ou uma ligação com essas famílias. Temos de ouvi-las em suas necessidades, seus medos, suas expectativas, e mostrar que temos preocupação com suas crianças.” Ele conta que na sua escola, por exemplo, os professores têm uma carga horária de dedicação às crianças e uma carga horária especialmente voltada para atender as famílias.

Envolva os familiares nas ações de cuidado da escola: É fundamental a escola e o educador levarem em conta que é um direito da família participar e uma obrigação da escola envolvê-la nas atividades e na vida escolar das crianças. Para isso, a rotina deve prever a presença e a participação permanentes dos pais e cuidadores. A escola, orientam os especialistas, deve mostrar constantemente aos pais tudo o que vem sendo feito para evitar a contaminação. “É preciso ter uma prática bastante transparente e, nos momentos de interação com as famílias, mostrar os cuidados praticados, como a reestruturação das turmas, as modificações nos mobiliários, os totens de álcool em gel espalhados, a oferta de máscaras para as crianças e a higienização dos ambientes, entre outros aspectos”, explica Karina Rizek. Ela defende ainda que a escola deve comunicar o andamento da vacinação dos funcionários e professores, dizer que cobra comprometimento da sua equipe em relação aos cuidados e firmar um compromisso com as famílias de que todos também estejam engajados com esses protocolos fora do ambiente escolar. “É preciso deixar claro que o retorno só será tranquilo se todos fizerem sua parte”, reflete Karina.

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