Para pensar a prática

Como planejar propostas que contemplem o ambiente da escola e de casa

É importante refletir sobre o que se espera dos familiares e responsáveis pelas crianças e ter clareza sobre os objetivos de aprendizagem da turma

Ilustração abstrata de sala de aula com crianças sentadas em roda em frente a professora. A ilustração se divide ao meio apresentando um momento presencial na parte inferior e um momento remoto na parte superior.
Ilustração: Nathalia Takeyama/NOVA ESCOLA

Os pequenos tiveram de ficar em casa durante um longo período da pandemia - ou ainda estão - e, com isso, familiares e educadores tentaram estreitar a comunicação, na tentativa de manter a criançada conectada à escola de alguma forma. 

Não foi fácil. Sabemos que nem sempre as propostas sugeridas para serem realizadas em casa dão certo, por mais simples que sejam. As crianças mudam o foco de atenção rapidamente e ficam entediadas com frequência, entre outros desafios. No entanto, é possível afirmar, de modo geral, que a aproximação entre família e escola foi um dos grandes ganhos desse período conturbado que ainda vivemos. As pessoas passaram a se conhecer mais, compreender melhor as questões pessoais de cada um e a rotina das crianças

Aproveitar esse cenário daqui em diante, com a volta gradual às aulas - na maioria das escolas, no esquema de rodízio ou semipresencial -, pode ser bastante proveitoso para propor atividades que intensifiquem esses vínculos e contribuam para o desenvolvimento da criançada. Mas não basta promover qualquer atividade para ser feita em casa com a ajuda das famílias. É preciso planejar um passo a passo para que pais e responsáveis não se sintam sobrecarregados ou, pior ainda, imaginem que a escola está delegando a eles a tarefa de ensinar.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o que se espera é que a escola acolha as vivências e os conhecimentos construídos pelas crianças no ambiente familiar e na comunidade e os articule a propostas pedagógicas, ampliando o que a criança sabe e proporcionando a ela novas aprendizagens. Em outras palavras, o que se espera é que a escola estabeleça parcerias com pais e responsáveis e que o tom de participação voluntária fique implícito em cada convite.

“A participação dos familiares ou responsáveis extrapola a tarefa em si, precisa ter a ver com o prazer de fazer junto e com o que só a família sabe sobre aquela criança: como foi sua chegada em casa, como seu nome foi escolhido etc.”, reforça Karina Rizek, consultora da Avante Educação e Mobilização Social. Por isso, estabelecer uma comunicação frequente, de mão dupla, é tão importante, de acordo com Beatriz Abuchaim, gerente de Conhecimento Aplicado da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. 

Durante o planejamento, também é importante ter em mente o que é possível ser feito em casa. “O que vai ser realizado não pode estar a serviço de uma grande aprendizagem. Tarefas assim devem acontecer na escola”, diz Karina. Ou seja, para casa devem ser planejadas tarefas complementares, não primordiais, ainda que a participação da família na vida escolar das crianças da Educação Infantil seja fundamental

Mil e uma possibilidades de interação

Outro ponto bastante delicado é que à família não podem ser designadas tarefas quaisquer, somente para constar no planejamento que elas vão participar de alguma maneira. Por isso, ter ciência da riqueza da vida em família, das preferências de cada criança e da rotina que envolve a casa é essencial. Elisiane Andreia Lippi, educadora da EMEI Professora Ceci Capuani, em Frederico Westphalen (RS), explica que o currículo da Educação Infantil é o cotidiano das crianças. 

“Quando a escola recorre à família, valorizando o que acontece em casa, como as tarefas domésticas e o lazer do fim de semana, além dos saberes de pais, avós, tios, primos, todos saem ganhando”, reflete Elisiane.

A educadora ainda acrescenta que, por conta de tudo isso, no planejamento também precisam constar momentos em que sejam apresentados para familiares e responsáveis a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo, conforme preconiza a BNCC.

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