Para repensar a escola

Carnaval para além do confete

A data pode ser ponto de partida para pensar diversas experiências importantes para as crianças na Educação Infantil

O Carnaval pode ir além de uma festa para a crianças. Ilustração: Ana Matsusaki Fotografia: Marcelo Curia

A forma de celebrar o Carnaval diz muito sobre a cultura de um povo. Ao levar essa data para a escola, é possível ir além da organização de uma festinha com as crianças e pensar em atividades que permitam que elas entrem em contato com elementos culturais e com experiências que colaborem com a aprendizagem e desenvolvimento delas. Acredite ou não, além de divertido e bonito, o Carnaval oferece muitas possibilidades do ponto de vista pedagógico.

Para Maria Paula Zurawski, especialista em Educação Infantil e professora no Instituto Vera Cruz, um projeto de Carnaval pode contemplar todos os Campos de Experiência apontados pela BNCC de Educação Infantil. Entre eles, ela ressalta O eu, o outro e o nós, dado que é uma festa que mexe com a subjetividade, com a interpretação e com brincar de ser outro. “É uma manifestação que diz para elas onde estão e a possibilidade de aprender o que é tradição para seu povo”, explica. 

Já dentro do Campo de Experiência Traços, sons, cores e formas encontra-se toda a vivência com as músicas e o trabalho plástico de criar as fantasias ou decorações da festa. Isto é, a experiência de explorar as diferentes linguagens que podem ser encontradas no Carnaval. 

Para explorar a folia com os pequenos, a palavra central é significado. “É uma festa sobre identidade, pertencimento, de construção de significados. É uma festa que junta todas as idades. Para uma criança pequena é muito marcante ver uma pessoa mais velha cantando as mesmas músicas que ela está aprendendo a cantar”, afirma Maria Paula. 

Para tal, é preciso que o professor pense em atividades com uma intencionalidade pedagógica que seja interessante e que permitam uma diversidade de experiências. Isso significa ir além do confete e de um dia para vir fantasiado. “Criar uma apresentação que tenha história, que eles se apropriem, tentem criar um passo de dança. O intuito é ampliar o repertório das crianças”, diz Daniela Munerato, formadora do Centro de Formação da Vila e coordenadora pedagógica de Educação Infantil na Escola Viva, em São Paulo. Para a especialista, é papel da escola compartilhar de onde vem essas histórias, as manifestações das diferentes culturas, ritmos, danças e músicas. 

A receita para fazer isso acontecer é tão diversa quanto as fantasias de Carnaval, mas um ponto fundamental para o professor é garantir o protagonismo das crianças e permitir que eles tenham autonomia para criar. 

De Salvador para o mundo: as possibilidades do Carnaval

Em Salvador, a Gira Girou desenvolve um trabalho consistente sobre o Carnaval, resgatando elementos regionais para seu projeto. Para a professora Elvisa da Conceição, a manifestação popular representa diversidade. Ela enxerga a possibilidade de utilizar a data para refletir e comparar as vivências com brinquedos, brincadeiras e canções do passado e do presente. "O Carnaval está no mundo e é a oportunidade de refletir sobre as diferentes formas de celebrar essa festa", afirma. 

A comparação entre Veneza e Bahia, por exemplo, rendeu muita conversa na turma da professora. Os pequenos se encantaram com as caretas do tradicional Carnaval de Maragojipe, município no recôncavo baiano. "Apresentei que as máscaras são usadas há anos no Carnaval do mundo", conta a educadora. Ela mostrou fotografias do Carnaval de Veneza no presente e no passado. "Escutamos a músicas de lá e as crianças perceberam que na Itália as pessoas se comunicam em outro idioma, tem outros costumes, mas que existem semelhanças com Maragojipe", compartilha a professora. Com base nesse interesse,  os pequenos elegeram que esse seria o tema do baile, produziram e dançaram com as caretas baianas.

A professora Juliana Oliveira também apresentou as caretas de Maragojipe, mas a turma focou na Bahia. Ela conversou com sua turma sobre a história do Carnaval, trabalharam com axé - ritmo que explode na cidade durante as folias - e apresentou as caretas de Maragojipe. Com base nesse trabalho, houve interesse nas crianças de conhecer mais sobre a cultura da capital baiana, o que resultou em um projeto maior sobre história de Salvador.

Seja a partir da comparação com outras manifestações no mundo, com marchinhas clássicas das décadas de 30 ou uma imersão na cultura local, o Carnaval oferece muitas possibilidades que podem se adaptar à realidade, tempo disponível e faixa etária das crianças. Acima de tudo, é importante aproximar as crianças da cultura popular - não de forma contemplativa, mas experimental e imersiva, possibilitando que elas criem dentro dela como uma manifestação cultural viva da qual fazem parte.

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