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Quando e como usar videoaulas no ensino remoto

Para definir, professor deve considerar o contexto da turma, os formatos possíveis e o melhor momento para encaixar o recurso na proposta didática

Os vídeos podem ser utilizados para introduzir, aprofundar ou concluir um tema ou mesmo como um produto feito pelos alunos. Estúdio Kiwi|NOVA ESCOLA

Com as escolas fechadas por conta da pandemia do novo coronavírus, as videoaulas invadiram o cotidiano de professores e estudantes. Tanto por meio de vídeos gravados e enviados aos alunos quanto no formato de transmissões ao vivo. Não poderia ser diferente: era necessário encontrar novas maneiras de se comunicar e interagir, ações essenciais para a aprendizagem acontecer. 

Os vídeos, mesmo os gravados, dão conta de colocar o estudante em contato com professores e colegas, algo que faz falta neste momento de isolamento. “Os alunos mais novos, principalmente, precisam sentir essa proximidade”, aponta Helena Mendonça, coordenadora de tecnologias educacionais na Escola da Vila, em São Paulo.

O processo de adaptação das aulas presenciais para as digitais com o uso de recurso audiovisual, no entanto, deve considerar as particularidades dessa linguagem. Um equívoco comum é tentar reproduzir em vídeo uma aula expositiva tradicional. Geralmente, o resultado são alunos dispersos e professores sobrecarregados. Isso porque o ambiente é outro, com interações e níveis de atenção distintos. O mais indicado é buscar estratégias que visem ao ensino híbrido, ou seja, que combinem momentos on-line e off-line.

“A grande vantagem do ensino remoto é poder se organizar de outras maneiras. Uma aula não precisa mais durar 45 minutos”, diz o professor Bruno Campos, que integra a Central de Formação e Mídias da Secretaria Municipal de Educação de Vinhedo (SP).

Para a consultora educacional Marly Machado Campos, o momento potencializa a necessidade de colocar o estudante no centro do processo de construção do seu conhecimento e de buscar opções dinâmicas que visem à ampliação de repertório linguístico – aprender a usar linguagens diversas (verbal, corporal, visual, sonora e digital) é uma das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A questão do protagonismo do aluno, aliás, é algo discutido há tempos pelos educadores e que vinha sendo trabalhado em várias escolas mesmo antes do isolamento.

Segundo Marly, as videoaulas devem fugir do modelo único, no qual, em geral, são usadas explanações ou apresentações de slides. “O professor deve aproveitar-se do fato de o aluno estar conectado e colocá-lo para explorar jogos, animações, mapas, fazer debates e entrevistas. Enfim, é tempo para ser criativo”, afirma a consultora, que é especialista em Metodologias Ativas pelo Instituto Singularidades, em São Paulo.

Qual formato trabalhar

Ao pensar no potencial das videoaulas, há de se considerar qual formato faz mais sentido para a proposta didática planejada: uma videoaula gravada ou um encontro em tempo real com os estudantes? Cada uma dessas opções traz vantagens e desvantagens. Para fazer a escolha, o professor deve ter em mente as competências e as habilidades que pretende favorecer e também o contexto da sua turma.

O vídeo síncrono (ao vivo) privilegia a parte afetiva e a troca, pois possibilita a devolutiva do estudante na mesma hora. “Quando utilizamos este tipo de recurso, dividimos os alunos em grupos menores para que todos participem efetivamente”, conta Helena. A desvantagem é exigir que todos tenham acesso à internet no horário marcado e também, no caso das crianças dos anos iniciais, a presença de um dos pais, ou outro responsável, como moderador para lidar com as ferramentas digitais. 

A videoaula assíncrona, por sua vez, facilita a construção de uma narrativa, em que os vídeos gravados pelo professor são combinados com outras atividades e recursos. Para o estudante, a vantagem é poder assistir quando puder, o que contribui para a construção da autonomia, uma vez que ele terá de se organizar para estudar. 

A idade dos alunos também precisa ser observada, pois os níveis de concentração e autonomia são diferentes. Quanto menor, mais fácil a dispersão, o que exige maior interação do professor para manter a atenção. Para as turmas dos anos iniciais, o planejamento deve contemplar as famílias. A professora Amanda Amaral, da Escola Universo da Educação Básica, em Mogi das Cruzes (SP), conta que com a turma do 1º ano fez reuniões com os pais e responsáveis para explicar como seria o processo remoto de alfabetização e como eles poderiam apoiá-lo. “Além disso, interagimos por vídeo apenas três vezes por semana para que as crianças não fiquem tanto tempo em frente às telas”, completa.

5 maneiras de usar vídeos no ensino remoto

Definir o formato também passa pela reflexão de quando, dentro da sequência didática, o vídeo se encaixa melhor. Eles podem ser utilizados, por exemplo, para introduzir, aprofundar ou concluir um tema ou mesmo como um produto feito pelos alunos. Confira sugestões de como trabalhá-los no Ensino Fundamental I.

1 - Para despertar a curiosidade dos alunos

O professor pode gravar um vídeo curto em que introduz o conteúdo e pedir para que a turma assista antes de uma videoaula síncrona e anote comentários e dúvidas. A estratégia contribui para reduzir o tempo da aula ao vivo ao permitir ir direto para as discussões. 

2 - Como acolhimento 

Neste período de quarentena, as interações síncronas por vídeo são momentos valiosos para a manutenção do vínculo com a turma e suas famílias. Vale ressaltar que nem todo contato feito pelo professor precisa ser sobre conteúdos curriculares. Criar espaço para abordar sentimentos e pensamentos dos alunos é também fundamental para minimizar os impactos do isolamento. 

3 - Como produto preparado pela turma

O vídeo é uma das linguagens que os alunos devem aprender a utilizar ao longo da Educação Básica. Muitos, inclusive, já estão familiarizados com ela. “Eles estão habituados a acompanhar canais no YouTube e outras plataformas”, lembra  a professora Amanda. Portanto, por que não colocá-los para produzirem os próprios vídeos? A atividade estimulará a autoria e o protagonismo estudantil e pode ser usada como produto final de projetos variados (como um minidocumentário ou vlogs) ou como instrumento de registro para responder a uma questão disparadora.

4 - Para viabilizar uma roda de conversa 

Os debates ao vivo podem acontecer como introdução ou conclusão de um tema. A maioria das ferramentas – Zoom, Google Meet e Microsoft Teams são algumas opções gratuitas – permite criar salas com grupos menores para, posteriormente, reunir toda a turma. Além de promover trocas e fortalecer o vínculo entre alunos e professor, as rodas de conversa possibilitam um acompanhamento periódico mais personalizado. 

5 - Na formação dos educadores

Para muitos professores, gravar vídeos tem sido tarefa inédita e desafiadora. Uma maneira de colaborar com esse aprendizado é compartilhar as produções com os colegas. Assim, todos poderão trocar informações sobre o que deu ou não certo e aprender macetes e técnicas com os mais experientes. “O repertório construído pelos profissionais é enorme e esse material deve ser valorizado”, explica Marly.

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