Foi bom ou pode melhorar

O que funcionou e não funcionou no ensino remoto de alfabetização

Flexibilizar os horários para atender os alunos foi uma iniciativa importante. Agora, Gleiciene tem o desafio de envolver mais alunos e famílias que se comunicaram pouco

Gleiciene visitou a EMEB Professor Antônio Manoel de Paula, a pedido de NOVA ESCOLA, para realizar a sessão de fotos. Passados sete meses, ela refletiu sobre os próprios aprendizados. Foto: Djuly Engel Mendes/NOVA ESCOLA

Ao olhar para trás e analisar o que organizou desde o começo das aulas remotas, a professora conta o que julga ter acertado e o que pode ser aperfeiçoado daqui em diante.

A professora Gleiciene dos Santos Cipriano Perrone dá aulas para uma turma de 1º ano da EMEB Professor Antônio Manoel de Paula, em Franca, interior de São Paulo. Tem feito o possível, desde o início da quarentena, para ajudar todos os alunos a seguirem avançando no processo de aprendizagem da leitura e da escrita. E não vê problemas em afirmar que nem tudo o que fez deu certo até agora. Veja o que ela considera acertos e erros do processo. 


FOI BOM

Participação on-line

Gleiciene decidiu não fazer dos encontros virtuais on-line com os alunos momentos de leitura e de escrita. Compreendeu que as crianças querem bater papo, brincar, matar as saudades e falar sobre a rotina quando se encontram, ainda que estejam se vendo somente através da tela do celular ou do computador. Propondo brincadeiras e rodas de conversa, ela conseguiu que os alunos participantes demonstrassem interesse pelo momento.

Canal aberto 

Quando criou um grupo de WhatsApp com todos os pais da sala, para passar as tarefas que devem ser feitas no dia a dia, Gleiciene criou um vínculo com os responsáveis. “Caso alguém tenha alguma dúvida, eu respondo direto para a pessoa.”

Todo dia é dia 

A professora compreendeu que, durante a pandemia, pode ser que às vezes seja necessário ir além dos horários regulares das aulas. “Já conversei com um aluno num sábado, dia que a mãe dele estava em casa e podia acompanhá-lo”, diz Gleiciene.


PODE MELHORAR

Mais interesse dos alunos 

A professora nota que ainda é preciso pensar mais em como deixar as aulas ao vivo bem interessantes para que as crianças queiram participar e fiquem ansiosas para chegar esse momento. 

Nas próximas vezes... Vale conversar com os próprios alunos e perguntar o que eles querem fazer da próxima vez que se encontrarem virtualmente. Também pode ser instigante contar uma história e não apresentar o fim da trama, para a molecada ficar curiosa. 

Pais em silêncio

São poucos os pais que não se manifestam quando Gleiciene envia pelo grupo de WhatsApp as tarefas diárias, mas isso a deixa angustiada, querendo saber como estão as crianças, se estão fazendo as tarefas etc. 

Nas próximas vezes... A escola vai continuar a mandar mensagens diretas para essas famílias e perguntar se pode ajudá-las de alguma forma a participar mais das aulas, se estão todos bem de saúde etc. Outra recomendação é pedir ajuda para a coordenação pedagógica da escola. 

Explorar a videoaula 

Gleiciene não investiu em aulas em vídeo porque não se sentia segura. “Estou aprendendo a lidar com a câmera ainda e foi importante respeitar isso em mim mesma para o material ter qualidade”, conta. Ela, no entanto, entende que o recurso pode fortalecer o vínculo com a tuma. 

Nas próximas vezes... Enfrentar o receio de ficar diante da câmera amplia os recursos disponíveis no ensino remoto e permite enriquecer a interação com os alunos. “Quero parar de apenas enviar vídeos dos outros e tentar preparar os meus. Pretendo fazer ao menos um por semana para contar histórias, criar desafios e instigar a curiosidade da turma”, diz a professora.

Caixa abrindo

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