O desafio e a solução

Entenda o que é a rotação por estações e como ela se aplica ao contexto da pandemia

Estratégia, típica do ensino híbrido, proporciona formas diversificadas de aprender um mesmo conteúdo

Convencionalmente, a rotação por estações deve incluir um recurso digital, como o computador. Ilustração: Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

Na EE Basílio Machado, em São Paulo, onde a professora Kalina Elis Pereira Leitão dá aulas de Matemática para o Fundamental 1, a rotação por estações, típica do Ensino Híbrido, era usada pela coordenação como estratégia de formação na sala dos professores. Ligada nas metodologias ativas e interessada em que os alunos experimentassem da melhor forma o estudo de grandezas e medidas, Kalina decidiu replicar  a estratégia na sua prática pedagógica. 

“Constatei nas avaliações que os alunos estavam com muitas dificuldades em ler tabelas de tempo e transpor mililitros para litros, entre outras, e precisava recuperar isso rápido”, conta a professora. A estratégia da rotação por Estações foi pensada, segundo a professora, para que os alunos pudessem construir o seu próprio caminho na compreensão dos conceitos, e que, no fim, esse caminho fosse visual. “Por isso, finalizo a atividade com a produção de cartazes”, comenta. Foi essa a prática que inspirou Kalina a escrever as duas sugestões de atividade que você encontra nesta Caixa (Veja a atividade 1 e a atividade 2).

O pesquisador, consultor educacional e professor da pós-graduação em Metodologias Ativas do Instituto Singularidades, em São Paulo, Fernando Trevisani, conta que a rotação por estações é um modelo inspirado nos cantinhos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental 1, em que a turma é dividida em grupos e realiza simultaneamente práticas diferentes que se complementam para um objetivo pedagógico. Porém, em vez de usar o termo “cantinhos”, chamamos cada arranjo de estações, utilizando uma tecnologia digital para a coleta de dados em pelo menos uma das estações.

“A ideia é separar a classe em grupos de 4 a 6 alunos. O objetivo principal da aula deve ser dividido em objetivos específicos para as estações, e cada uma delas deve ter uma proposta de atividade com começo, meio e fim”, explica Fernando. Os grupos precisam passar por todas as estações e permanecer nelas durante um tempo previamente determinado, que deve ser o mesmo para todas elas. No final, com a composição de todas as estações, o objetivo principal da aula é alcançado. 

No ensino híbrido, essa estratégia deve conter um elemento muito importante: uma das estações prevê o uso de recursos tecnológicos que faça a coleta de dados dos alunos, de modo que o professor possa saber onde estão as potências e os obstáculos na aprendizagem dos alunos. “São esses dados que vão promover a personalização do ensino e ressignificar o ensino deles”, pontua Fernando. Quizz e formulários digitais são algumas das muitas tecnologias que podem ser usadas. 

Se em uma estação estão colocados os recursos digitais, as demais podem ser usadas para discussões em grupo, composição de projetos e trabalhos,  e por aí vai. E o professor? Ele pode, por exemplo, visitar todas as estações ou estar fixo em uma delas tirando dúvidas (sendo esta última opção a mais recomendada para alunos que já estão acostumados com esse modelo de aula). 

Em outras estações, as tarefas podem ser uma experiência prática ou mesmo uma discussão coletiva. Ilustração: Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

Para o especialista, um dos aspectos mais interessantes da estratégia é a possibilidade de os alunos aprendem de formas diversas, diferentemente da aula expositiva: “Eles ganham experiência em aprender de múltiplas maneiras, e as crianças são diferentes umas das outras. Nós somos todos diferentes e aprendemos de maneiras diferentes uns dos outros”.

A professora Kalina concorda: “O trabalho em grupo é muito potente, e a maneira como eles constroem o aprendizado é de dentro para fora, em troca”.

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