Caso real

Professora usou dados dos alunos para saber o que planejar em Matemática

Com um plano simples e objetivos bem definidos, professora promoveu ensino e aprendizagem a partir da solução de desafios em grupo

Por Carol Scorce

NOVA ESCOLA/Estúdio Kiwi
                                                                                                       Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

No ensino da Matemática, são inúmeras as possibilidades didáticas que incluem jogos e dinâmicas. A professora Tatiana Siqueira Campos, que dá aulas para o 5º ano do Colégio Beka, em São Paulo, fazia a formação em ensino híbrido e metodologias ativas quando veio a pandemia. Aplicar as estratégias tal como devem ser no modelo híbrido - com momentos presenciais com toda a turma - não seria mais possível. Mesmo assim, Tatiana focou em uma característica do ensino híbrido com o objetivo de integrar os alunos e sanar dificuldades específicas de cada um - a chamada personalização do ensino. Será que ela conseguiu?

“Com a pandemia, achei que era um bom momento para me colocar mais como uma mediadora da aprendizagem dos alunos, e possibilitar o protagonismo deles”, afirma a professora. Por isso, ela começou uma sequência didática sobre situações-problema usando estratégias baseadas na sala de aula invertida: enviou um vídeo com o conteúdo e um questionário. Nele, os alunos deveriam dizer qual eles imaginavam ser a melhor forma para aprender os conceitos. 

As respostas, que também podemos chamar aqui de dados, eram dissertativas, e para melhor interpretá-las, a professora se debruçou com cuidado nas indicações de cada aluno. “Senti que eles precisavam exercitar os conceitos, na prática mesmo, e que gostam de trabalhar em grupo. Com isso consegui personalizar para o corpo do grupo a próxima etapa da sequência didática, que foi a rotação por estações”, conta Tatiana. 

Mãos à obra 

Na atividade - que se baseou na proposta de rotação por estações para o ensino remoto, com a criação de “estações virtuais” -, a turma foi dividida em três grupos. Cada grupo teve um tempo predeterminado para superar o desafio de cada estação. Na primeira, eles tiveram de resolver uma situação-problema. Na segunda, eles tinham de criar uma situação-problema. E, por último, responder a um quiz, elaborado pela própria Tatiana na plataforma Worldwall. Lá, eles colocaram questões como: “Em um estacionamento de um aeroporto, 366 motos estão estacionadas juntamente com o triplo de carros. Quantos carros há no estacionamento?”

“Eu estava muito animada com a ideia de eles colocarem a mão na massa e não quis abrir mão disso na aula remota. O que pude notar é que eles também se animam com essa possibilidade. Vi os alunos combinando sobre os encontros que fariam para discutir os desafios, mesmo fora da aula. A atividade foi muito além”, conta a professora, entusiasmada.

Por fim, os alunos fizeram registros sobre cada estação, postados em vídeos no mural do Padlet. Cada grupo teve de resolver a situação-problema criada pelo outro grupo, e todos puderam comentar as produções. Tatiana fez isso com três turmas do 5º ano e todas puderam ver e avaliar o trabalho dos colegas das outras turmas.

A atividade de Tatiana foi feita totalmente de forma remota. No caso da volta parcial ou total dos encontros presenciais, as discussões nas estações e a avaliação formativa, feita em cada etapa da sequência didática, poderiam ser praticadas na própria escola.

Para Tatiana, o saldo do trabalho foi positivo: “O professor fica com medo de perder tempo com atividades assim, mas penso o contrário, ganhamos tempo, pois o engajamento deles foi muito bom. Os alunos podem desenvolver muito bem a autonomia, e isso é algo que não podemos tirar deles mais”.

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