PARA USAR COM OS ALUNOS

Atividade: Como os tupis-guaranis marcam o tempo com a constelação de Curuxu, ou Cruzeiro do Sul

A posição das estrelas é utilizada pela etnia para determinar os pontos cardeais, o intervalo de tempo transcorrido durante a noite e as estações do ano. Leve esses saberes celestes ancestrais para os alunos

Ilustração de garota indígena observação a constelação de curuxu (cruzeiro do sul) no céu estrelado.
Ilustração: Ana Carolina Oda/NOVA ESCOLA

Marcar o tempo por meio da observação do céu determinou muitos dos rituais praticados até hoje pelos tupis-guaranis – o mais extenso grupo em número e na distribuição geográfica dentre os povos de línguas do tronco tupi. Essas percepções deram origem à chamada etnoastronomia, ciência que investiga o conhecimento astronômico de povos ancestrais. Por meio de vestígios arqueológicos e relatos de tradições orais atuais, é possível compreender de que forma esses povos relacionaram as fases da Lua e o movimento das constelações com a passagem das estações, a duração das marés e a chegada das chuvas, por exemplo. Tudo isso associado ainda a histórias e mitos que determinaram muitos rituais.

Localizada na Via-Láctea, a constelação nomeada Cruzeiro do Sul (chamada de Curuxu ou Curussu pelos tupis-guaranis) é uma das mais reconhecidas pela cultura indígena brasileira e de demais povos tradicionais do Hemisfério Sul. É formada por quatro estrelas alinhadas em formato de cruz, mais uma quinta localizada fora no braço da cruz. As estrelas Magalhães (mais brilhante) e Rubídea (avermelhada) formam o braço maior da cruz; já a Mimosa e a Pálida compõem o menor. Há ainda a Intrometida (a mais apagada), que não aparece na representação feita pelos tupis-guaranis.

Inspirados pelo plano de aula “Contos indígenas brasileiros. Memória, história oral e formas de marcar o tempo por meio da etnoastronomia”, de Gabriela Ferreira Bustamante Fonseca, professora de História do Time de Autores de NOVA ESCOLA, sugerimos a atividade a seguir para aprofundar os conhecimentos dos alunos sobre a importância do Cruzeiro do Sul para os tupis-guaranis.

divisória de atividade

ATIVIDADE: O CRUZEIRO DO SUL PARA OS TUPIS-GUARANIS

Confira um passo a passo para mostrar aos alunos o valor das estrelas para as culturas de matriz indígena


Indicado para: Turmas de 5º ano

Materiais: Plataforma síncrona como Google Meet e Zoom (em caso de aula remota); aplicativos para navegação celeste (Google Sky, Sky View etc.); vídeo sobre a importância do Cruzeiro do Sul para os tupis-guaranis (confira abaixo).

Na BNCC: EF05HI08 - Identificar formas de marcação da passagem do tempo em distintas sociedades, incluindo os povos indígenas originários e os povos africanos.


PASSO A PASSO

1. Compreenda o repertório dos alunos sobre astronomia. Comece a aula com a pergunta: o que podemos ver no céu noturno e como acontece à noite? Repasse explicações sobre os movimentos de rotação e translação da Terra e como estes determinam a ocorrência do dia e da noite. Questione sobre como os alunos acham que povos indígenas compreendem esses conceitos também. Explique que, como grandes observadores da natureza, cada etnia possui formas distintos de relacionar os movimentos dos astros com os surgimentos do dia e da noite.

2. Contextualize o tema da etnoastronomia. Explique aos alunos que a etnoastronomia é o estudo dos saberes celestes de cada povo e ressalte como os indígenas se apoiavam e se apoiam na observação do céu para compreender a marcação do tempo. Exiba ou recomende que os alunos assistam, até o minuto 18’44'', ao documentário Cuaracy Ra’Angaba – O céu Tupi-Guarani, codirigido por Germano Bruno Afonso, cientista pioneiro na pesquisa da etnoastronomia brasileira.

3. Apresente o Cruzeiro do Sul. Confira se os alunos conhecem essa constelação. Explique que ela é importante fonte de referência astronômica utilizada pelos tupis-guaranis para determinar os pontos cardeais, o intervalo de tempo transcorrido durante a noite e as estações do ano. 

Vale detalhar como ela se movimenta, de acordo com as descrições feitas pelo pesquisador Germano Bruno Afonso, que constam em artigo de sua autoria:

“O Cruzeiro do Sul está próximo do Polo Sul Celeste (PSC), prolongamento do eixo de rotação da Terra no nosso céu, parecendo girar em torno dele de leste para oeste, devido ao movimento de rotação da Terra de oeste para leste. Assim, dependendo do dia e da hora, a cruz pode estar de cabeça para baixo, deitada, inclinada ou em pé, sempre fazendo uma circunferência em torno do Polo Sul Celeste.”

“O início de cada estação do ano é determinado pelos tupis-guaranis considerando a posição da cruz ao anoitecer: no outono ela fica deitada do lado esquerdo do sul, isto é, para leste; no inverno, fica em pé apontando para o sul; na primavera, ela se encontra deitada para o lado oeste e no verão de cabeça para baixo, abaixo da linha do horizonte, sendo visível somente após a meia-noite.”

Para facilitar a compreensão dos alunos sobre como a constelação muda de posição no céu ao longo do ano, preparamos o vídeo abaixo. Assista e compartilhe com os alunos!

4. Mostre como as demais constelações estão associadas ao Cruzeiro do Sul. Retome o documentário Cuaracy Ra’Angaba – O céu Tupi Guarani e exiba a partir do minuto 18’45'', quando são indicadas as lendas e demais constelações identificadas e representadas por animais e figuras humanas, como o Homem Velho e a Ema. Contextualize sobre o valor de outras estrelas e constelações para os povos indígenas brasileiros. 

5. Sugira a observação das constelações. Para envolver os alunos, peça que baixem aplicativos de celular de navegação celeste, como Sky View ou Star Walk, em que os alunos podem tentar identificar o Cruzeiro do Sul de suas próprias casas. Peça aos alunos para listarem quais constelações estão mais visíveis e em quais posições se encontram na estação em que estamos, o outono.

PONTO DE ATENÇÃO: Caso os alunos não tenham condições de acessar o aplicativo, é possível organizar um encontro em uma plataforma síncrona (em caso de aula remota) para mostrar a eles essa e outras constelações relevantes para os povos indígenas brasileiros – há outros exemplos além do Cruzeiro do Sul no plano de aula da professora Gabriela. Uma boa opção é apresentar os alunos às constelações por meio do Google Sky.

6. Sistematização. Converse com os alunos sobre suas descobertas relacionadas à observação do céu e reflita com eles sobre o papel que as estrelas tinham para os povos indígenas e como hoje nem sempre conseguimos identificá-las com a mesma precisão por causa da forte presença de luz artificial em muitas cidades brasileiras.

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