PARA TODA A EQUIPE

De vídeos sobre o funcionamento da escola à recepção no portão: como acolher famílias e alunos no retorno

Confira sugestões de educadores que já voltaram a atuar presencialmente para construir uma relação de confiança com os estudantes e seus familiares

Ilustração digital simulando pintura manual de pais levando o filho para a escola.
Ilustração: Julia Coppa/NOVA ESCOLA

O retorno das crianças às escolas é algo muito esperado e, ao mesmo tempo, delicado para os familiares dos estudantes. Após meses de ensino remoto, algumas instituições de ensino já iniciaram seu processo de reabertura, permitindo que parte dos alunos voltasse às atividades presenciais, mas não sem antes fazer mudanças necessárias para o cumprimento dos protocolos sanitários definidos por toda a rede de ensino. 

Todas as alterações têm exigido da gestão escolar e dos professores a realização de reuniões e avaliações para fazer com que a retomada traga segurança para todas as partes. Outra parte do trabalho da escola é mostrar tanto para os pais quanto para os alunos que, naquele espaço, as crianças são bem-vindas e acolhidas nas suas necessidades.

Para que os pais saibam disso tudo, é preciso que a escola realize uma comunicação ativa, eficiente e transparente com eles, explicando tudo que envolve os protocolos e como será o dia a dia dos estudantes dentro daquele espaço.

Acolhimento dos pais com vídeos e textos sobre o retorno

Na EMEF Professora Adolfina J.M. Diefenthäler, em Novo Hamburgo (RS), onde Joice Lamb é a coordenadora pedagógica, foram produzidos vídeos simulando todas as situações que fariam parte do cotidiano das crianças. Um dos vídeos simula a chegada da criança na escola, mostrando que ela deveria entrar sem os pais e responsáveis e seguir os sinais desenhados no chão que as levaria à sua sala de aula (confira abaixo). Outro explica sobre os protocolos de higiene que deveriam ser seguidos a partir do momento em que o estudante entra na escola. Um terceiro mostra o que a criança precisava trazer na mochila: máscara extra, garrafinha de água e objetos de uso pessoal que não seriam compartilhados.

Confira os vídeos que a escola produziu:

Na EM Leonor Chaim Cury, em Birigui (SP), onde Catiucia Lacerda Masson dá aula para duas turmas do Fundamental 1, a escola também optou por divulgar vídeos para os familiares, mostrando como a escola vinha se preparando para receber as crianças, bem como apresentando orientações sobre como as crianças seriam recebidas, os horários de entrada que deveriam ser respeitados para evitar aglomeração na porta da escola e os itens a serem levados pelos alunos em suas mochilas.

“O responsável precisa entender e precisa saber exatamente o que está acontecendo. Eu, como mãe, me senti segura quando a escola me chamou para dizer que iriam voltar para o presencial e explicar como iria acontecer esse retorno”, comenta Renata Capovilla, formadora de professores e mãe de duas crianças. No caso das escolas dos seus filhos, Renata recebeu as informações detalhadas em um texto que indicava o passo a passo desse retorno e que transmitia todo o carinho da escola pelos alunos. “Isso faz com que os pais fiquem muito mais tranquilos.”

Acolhimento dos alunos desde o portão da escola

Em relação à recepção dos alunos, Renata acredita que dizer a verdade é sempre o melhor caminho. “O aluno gosta de lidar com a verdade. Então, quando você senta com eles em uma roda respeitando o distanciamento   e explica que estão voltando, mas que ainda é necessário tomar uma série de cuidados, pronto, você estabeleceu com eles uma troca de respeito e de importância, mostrando que você, professor, pode contar com eles, e eles com você.”

Em meio a tantas mudanças para se adaptar aos protocolos, coisas boas podem surgir. A partir da necessidade de receber as crianças no portão da escola para aferir a temperatura, conta Joice, foi adotado um novo formato de recepcionar os alunos, que antes entravam na escola e iam direto para suas salas. “As crianças acabam sendo recepcionadas com uma equipe que dá bom dia no portão da escola e isso foi algo que enriqueceu, que acrescentou no cotidiano”, explica. “Se alguém está mais choroso quando chega, temos alguém para acolhê-lo antes de entrar na sala de aula.”

A consultora educacional Sonia Guaraldo destaca que gestos como esses fazem toda a diferença na hora do retorno à escola. “As crianças precisam sentir que as pessoas querem que elas estejam ali no lugar onde estão. A escola precisa mostrar para a criança que elas são desejadas, que são queridas e que serão apoiadas naquele espaço e no seu desenvolvimento”, reflete.

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