PARA SE INSPIRAR

Que saudade da minha equipe: como professoras e gestoras têm se apoiado na volta

Após um retorno marcado pela apreensão com a covid-19, docentes de diferentes regiões do país narram como têm encontrado apoio em colegas para superar os imensos desafios da volta ao presencial nos Anos Iniciais

Ilustração abstrata de professores, gestores e parceiros de trabalho interagindo em volta da palavra Diálogo.
Ilustração: Thiago Lopes (Estúdio Kiwi)/NOVA ESCOLA

Ainda no primeiro semestre deste ano, algumas secretarias municipais ou estaduais de Educação passaram a determinar a volta das aulas presenciais nas escolas. A sensação que prevalecia entre os docentes e demais profissionais da equipe escolar era de apreensão, já que naquele momento o país ainda registrava alta taxa de mortes e de contaminação pela covid-19. 

Contar com o apoio da equipe escolar e dos pares foi e ainda é um conforto para muitos profissionais, que, desde o ensino remoto, fortaleceram os laços de amizade e companheirismo.  “Ao longo do afastamento, quando ficamos isolados, fiquei em uma situação muito difícil, de muita apreensão, porque tenho uma filha com deficiência física. A coordenação e os colegas sempre falavam comigo para saber como eu e minha família estávamos e como poderiam ajudar. Eu me senti mais próxima dos meus colegas durante a pandemia”, conta a professora Lane Patrícia Almeida da Silva, da Escola Municipal Professor Guita, em Macapá (AP). “Trocamos muitos trabalhos e estratégias digitais no período remoto, e também agora, com a retomada das aulas presenciais.”

As trocas com colegas também têm sido fundamentais para a professora de inglês Marianna Lourenço, do Rio de Janeiro (RJ), no retorno ao presencial. Das aulas a distância à reabertura dos portões da escola, Marianna explica que professores e gestores da Escola Municipal João Daudt de Oliveira sempre se mobilizaram para criar planos de ação para atender turmas que ficaram sem docentes, seja por motivos de licenças, seja por doenças durante o isolamento. Mesmo frequentando pouco o espaço físico da escola durante todo o ano passado, o contato on-line aproximou a equipe escolar. “Ficamos próximos desde o começo da pandemia, e continuamos assim até agora.” 

Desafios da volta ao presencial nos Anos Iniciais

Se num primeiro momento as colaborações pedagógicas concentraram-se na busca e no compartilhamento de ferramentas e formatos digitais de ensino, agora, com o retorno, professoras e gestoras de Anos Iniciais têm trabalhado juntas para contornar questões sensíveis de aprendizagem e defasagem. O contato presencial com os alunos, ou parte deles, já deu mostras sobre as consequências do distanciamento para o desenvolvimento dos estudantes.

Professora do 1º ano da UEB Professor Ronald da Silva Carvalho, localizada na capital maranhense, Marília Barbosa de Abreu conta que tem apoiado o trabalho de colegas de Anos Iniciais para reforçar atividades de alfabetização. “Estamos fortalecendo muito essa rede de apoio porque todos estão muito angustiados com os atrasos de aprendizagens demonstrados pelos alunos”, afirma.

Nesta retomada, os professores e gestores também têm identificado outras disparidades: “Muitas habilidades não foram desenvolvidas, como a de coordenação motora fina, por exemplo, ligada à escrita. Por isso, os professores têm buscado trabalhar juntos nessa retomada para avançar nas habilidades”, explica Claudia Ambrozio Vargas de Souza, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Coryntho da Fonseca, no Rio de Janeiro (RJ).

Com as novas questões de aprendizagem colocadas na mesa, a sobrecarga de trabalho dos professores ainda não diminuiu com a volta às aulas, pelo contrário. Além dos planejamentos para o presencial e o remoto, muitos ainda incluem uma programação mais detalhada para atender às demandas neste momento único da Educação. “Todos estão muito atarefados, por isso a equipe de gestores da escola têm trabalhado o máximo para amparar os professores'', diz Claudia.

A professora Lane, de Macapá, por exemplo, tem feito planejamento que inclui três atividades diferentes para as aulas presenciais: uma para os alunos que estão silabando, outra para os que estão lendo, e outra para aqueles que já escrevem. “No ensino remoto, as atividades também eram variadas, mas se tornava mais difícil avaliar a aprendizagem dos alunos. Agora, com o presencial, estamos conseguindo compreender melhor as questões mais específicas da turma, de cada aluno”, analisa. 

Da retomada de aulas presenciais para cá, o contexto da pandemia mudou com o avanço da vacinação e a consequente redução na média móvel de mortes causadas pela doença. O medo de contaminação ainda existe, mas não a questão mais sensível entre os professores no momento. A nova rotina escolar vai se impondo de forma diferente.

“Apesar de a gente ainda não poder interagir na sala dos professores como fazíamos antes da pandemia, todo dia vamos descobrindo formas de ajudarmos uns aos outros”, conta Célia Rodrigues dos Santos, professora do 3º ano na UEB Professor Ronald da Silva Carvalho.

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