Para aprender sobre a prática

Como fazer um bom ditado com ajuda da turma

Ditado não é repetição: com intenção didática e planejamento, essa prática pode contribuir para o avanço da aprendizagem

Estudantes da EE Professora Josefina Maria Barbosa, em São Paulo, trabalham em dupla durante ditado interativo dado pela a educadora Graziella Giovanna Rocco. Foto:Raoni Maddalena/Nova Escola

O ditado interativo é uma prática que pode ajudar as crianças a avançarem na compreensão do sistema alfabético, através da atividade e da reflexão que é proposta em relação à ortografia. No ditado interativo, os alunos são organizados em duplas ou pequenos grupos e podem discutir entre si como deve ser a escrita. "O debate cria uma atitude de dúvida em relação à escrita. As crianças percebem aspectos que nunca tinham pensado antes e o comentário de um vai mudando o olhar do outro", aponta Célia Prudêncio, formadora do Programa Ler e Escrever, em São Paulo.

O ditado interativo colabora para que as crianças pensem sobre as palavras e discutam suas hipóteses quando encontram dificuldade. "O ditado interativo colabora para que se pense sobre palavras que contêm uma dificuldade ortográfica - por exemplo, G ou GU; S, Z ou SS. O professor lê um texto conhecido pela turma e pergunta como se escreve determinado termo", descreve Artur Gomes de Morais, docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Para realizar essa proposta, é importante que o professor escolha um texto ou mesmo um trecho que já tenha sido trabalhado com a turma. O mesmo texto pode ser utilizado várias vezes, se o professor perceber que os alunos encontram dificuldade na grafia de determinadas palavras – se são escritas com S e SS ou S e Ç ou ainda AM e ÃO, por exemplo. Sempre que surgir uma dúvida em relação à grafia, o professor pode questionar como as crianças acham que deve ser escrita a palavra e anotando no quadro.

"Um dos alunos pode ser o escriba porque a grafia do texto é resultado da discussão. O que mais interessa é o debate que gera a reflexão e a tomada de consciência, procedimentos cognitivos muito importantes no processo de aprendizagem", afirma Célia.

Nas duplas ou pequenos grupos, a discussão precisa ser respeitosa e todos têm de saber ouvir e argumentar. O professor faz a mediação, mas não entrega a resposta correta: o ponto aqui é fazer com que as crianças possam refletir e argumentar.

Para terminar a sequência, os alunos vão apresentar a forma como acham que a palavra deve ser escrita e o professor pode anotar em um cartaz e pregar para usar na próxima aula. “Assim, em outra aula, quando discutirem o mesmo tipo de regularidade, é possível recorrer ao material e rever o que já se sabe sobre essa regra", propõe Célia.

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