Para repensar a escola

Saúde Mental e coronavírus: qual é o papel da escola?

O assunto ganha importância com a crise e a quarentena. Saiba como acolher os alunos e apoiar os familiares

Por Diogo Rodriguez

Durante a pandemia, os educadores devem oferecer acolhimento e conexão aos jovens. Ilustração: Nathalia Takeyama/Nova Escola

Antes da pandemia de covid-19, havia outra ameaça à saúde dos jovens e adolescentes: os transtornos de saúde mental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a principal causa de incapacitação de adolescentes entre 15 e 19 anos no mundo. Metade de todas as doenças de Saúde Mental começa por volta dos 14 anos, mas a maior parte dos casos passa despercebida, ou seja, não é tratada, de acordo com a organização. 

A atual crise mundial pode piorar ainda mais esse quadro, caso não sejam tomadas medidas de precaução. Os jovens se veem obrigados a ficar em casa para preservar a sua e a vida dos outros. De uma só vez, perdem a estrutura que a rotina escolar proporciona e deixam de ter contato presencial com colegas, amigos e professores. Ainda, passam a conviver permanentemente com a família, situação que pode gerar tensões.

Por isso, é essencial que as escolas e professores redobrem os esforços para prevenir e identificar transtornos que podem possivelmente acometer os alunos. "A escola precisa agora, mais do que nunca, ser uma comunidade", afirma Alcione Marques, psicopedagoga e diretora da Neuroconecte. Para ela, é hora de colocar a conexão com os alunos em primeiro lugar. "A pressão de dar o conteúdo é algo péssimo para o professor e isso sobrecarrega o aluno", explica. "E ambos estão vivendo situações difíceis”, reflete.

É preciso entender que as mudanças na vida dos alunos são intensas. "A primeira coisa que devemos considerar é a dificuldade de ser um autodidata, e o fato de que neste isolamento, muitos jovens não estão conseguindo empreender uma rotina", diz Adriana Marcondes, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas de Educação e Moral (Gepem), que envolve instituições como a USP, Unesp, Unicamp e a Fundação Carlos Chagas. 

Mas, observa ela, não é que não haja nenhum tipo de rotina. Os alunos acordam em horários determinados, fazem suas refeições, realizam tarefas domésticas, se distraem. Só essa série de atividades já constitui uma rotina, na opinião da pesquisadora. "Nós, adultos, tendemos a usar a palavra 'rotina' quando ela está dando certo para a escola. Mas essa rotina está tendo que se compor com a do isolamento e a da casa. E isso dá trabalho porque ela está sendo desenvolvida. O jovem tem de estar com os familiares o tempo todo, coisa que não fazia. Não estou dizendo que é ruim ou bom, mas há uma mudança. É um exercício de desenvolver convivência”, analisa Adriana. 

Precisamos falar sobre saúde mental 

Diante desse cenário, é essencial falar sobre saúde mental. Deisi Ruiz, neuropsicóloga, avalia que neste momento é importante a escola ter abertura para falar sobre o assunto. "Seria muito bacana se os professores pudessem separar um tempo a cada aula ou semana para perguntar aos alunos como está sendo essa situação para eles", sugere. "Para os que não se sentem confortáveis [em falar em público], a escola pode disponibilizar um espaço privado onde os alunos possam se expressar, de maneira anônima ou não."

Além da conexão e do espaço para falar sobre saúde mental, a escola também deve dar suporte aos pais, de acordo com Luciene Tognetta, pesquisadora do Gepem.  "Precisamos ajudar os pais a reconhecerem os sentimentos não manifestados dos filhos", afirma. "Uma criança ou um adolescente dificilmente vão dizer que não aguentam mais ficar em casa; vão demonstrar gritando, chutando a bola no meio da sala, brigando com o irmão, fazendo picuinhas", explica. 

As palavras da vez são: acolhimento e conexão. A escola e os professores precisam mostrar aos pais e jovens que, apesar de estarem fisicamente distantes dos alunos, estão presentes em suas vidas de maneira ativa.



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