Para aprender sobre a prática

Como estudar em grupo, mas a distância

Atividades coletivas remotas potencializam interações, mas precisam ser atraentes e despertar curiosidade

Por Rachel Bonino

Estudo remoto: os alunos do Fundamental 2 são nativos digitais, mas precisam de apoio. Ilustração: Bruno Pixels/Nova Escola

As possibilidades de interagir virtualmente com o professor e os colegas neste período de isolamento têm sido um impulso para os jovens persistirem na educação remota imposta pela pandemia. Mas não é fácil. Os alunos do Fundamental 2 até são nativos digitais, mas precisam exercitar a autonomia, além de precisar de apoio e orientação. Muitos professores não estão acostumados a trabalhar nesse formato e estão precisando se reinventar. Para algumas escolas, o formato é novo demais e teve de ser implantado às pressas. Redes públicas de ensino, como a estadual de São Paulo, por exemplo, iniciaram plano de atividades a distância apenas nesta última semana de abril.

“Olhava para as plataformas digitais e pensava: ‘É uma cachoeira de água muito gelada em que vou precisar entrar em algum momento’.” A reflexão foi feita por uma educadora em tom de desabafo a Renata Capovilla, formadora de professores em tecnologia educacional. No último mês, Renata tem apoiado coordenadores e professores pelo país no uso de ferramentas, aplicativos e plataformas digitais com funcionalidades mais ou menos específicas.

Diante da aflição dos educadores, tem salientado um ponto em especial: “O prioritário não é tanto o conteúdo, mas envolver os alunos para as atividades”. Para Renata, a interação que promove o encontro, o diálogo e desperta a curiosidade pode ser mais eficiente agora do que repassar tarefas com exigências de produções muito volumosas, que podem estimular o “copia e cola”. Atividades mais dinâmicas podem “tirar a angústia do professor e tirar a impressão do aluno de que ele vai perder o ano”, avalia.

Apesar de já ter na grade curricular o uso de plataforma de digital para apoiar as aulas presenciais, a Escola da Vila, de São Paulo (SP), mudou bastante a rotina. As cinco horas de aulas presenciais foram trocadas por duas ou três aulas remotas de 40 minutos por dia apenas, com horários definidos semanalmente de plantões dos professores. Dentro da nova programação a distância, os professores têm proposto atividades em grupos, de duplas e trios.

“Estamos aplicando estratégias mais ousadas com os alunos dos anos finais do Fundamental 2, como a produção de vídeos e de podcasts. E, com os mais novos, que são mais orais, atividades coletivas com criação de áudios, por exemplo”, conta Celina Martins de Mello Moraes, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental 2 da escola.

As atividades em grupos também demandam um tempo a mais de produção, especialmente na quarentena. Seja nas ações coletivas, seja nas individuais, os alunos têm exercitado a autonomia, avalia Camila Castro, coordenadora de língua portuguesa do Colégio Sidarta: “Eles mesmos comentam sobre a participação da turma das aulas, as atividades em grupos, e sobre o uso de determinadas ferramentas”.

Apesar de todas as dificuldades já percebidas e o desafio extra imposto à escola pública, a professora de história Elisa Greenhalgh Vilalta, da Escola Municipal Arnon Afonso Farias de Melo, de Maceió (AL), enxerga o momento como importante para tirar a apatia de alunos e de professores: “É para dar chacoalhada em todos. Alunos vão perceber que precisam correr mais atrás do conhecimento, e os professores terão responsabilidade extra como mediadores, garantidores de estudo e curadores de conteúdo”.


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