Para se inspirar

Como apoiar alunos com dificuldade para estudar ou trabalhar em grupo

Confira que tipo de ações chamam os estudantes para a interação e fortalecem os vínculos entre a turma

Por Rachel Bonino

O professor deve buscar entender o que pode barrar a interação do aluno. Ilustração: Bruno Pixels

Neste momento em que os contatos entre aluno, professor e escola estão diferentes, estudar em grupo pode ser um alento para muitas turmas. Conectar-se, trocar e trabalhar em conjunto fortalece os laços e une os estudantes. Mas, na contramão disso, alguns alunos podem não se adaptar tão rapidamente aos formatos colocados em prática de contato e aprendizagem a distância e não se sentirem incluídos.

Uma primeira avaliação importante a fazer é entender qual a situação familiar do aluno. Há casos de pais que resolveram cumprir o isolamento fora de casa, em outra cidade, sem acesso à internet; outros casos de famílias sem estrutura para acompanhar web-aulas, por disporem de apenas um celular na casa. Cenários muitos díspares, que exigem um olhar empático da escola e do professor para promover a integração neste momento totalmente novo a todos.

Para turmas que já estejam conseguindo trabalhar em conjunto, conectadas virtualmente de algum modo, cabe ao professor ficar atento para entender se todos os estudantes estão ali, presentes e atuantes nos encontros virtuais. Pedir para todos ligarem as câmeras durante a web-aula é uma forma mínima de se conectar também visualmente com os estudantes.

“Caso perceba que algum aluno esteja menos participativo ou distante na web-aula, o professor é orientado a falar com ele, no privado, para buscar entender o que pode estar barrando a interação”, conta Celina Martins de Mello Moraes, coordenadora do Ensino Fundamental 2 da Escola da Vila, em São Paulo (SP). A escola também é formada por orientadores educacionais que estabelecem um canal aberto com a família para facilitar a inclusão do aluno “desgarrado”.

Estímulo positivo
Para Walkiria Rigolon, doutora em educação pela Unicamp e professora de pedagogia da Unip, o momento é de construção de vínculos positivos entre professores e alunos e entre os próprios estudantes. Atividades que possam ativar vínculos negativos, como as que ranqueiam atuações ou tarefas, devem ser deixadas de lado porque podem afastar, repelir participações. “É importante o cuidado extra com as interações para não gerar maus sentimentos, como a culpa, por exemplo”, analisa.

Para a especialista, os educadores também precisam refletir sobre novas formas de intervenção pedagógica para que os alunos se sintam motivados a externar suas dúvidas e opiniões no ambiente digital. Como o aluno não aprende só com o professor, mas também com os próprios colegas, Walkiria reforça a necessidade de espalhar para o coletivo, para a turma, a importância do apoio mútuo com atividades que criem um clima de respeito, cooperação e inclusão. 


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