Para aprender sobre a prática

Como registrar o movimento na Arte

Reflita com a turma sobre o papel da tecnologia na viabilização da captura de imagens em movimento

Por Wellington Soares

Da pintura rupestre ao GIF: o movimento sempre acompanhou a Arte. Ilustração: Laila Arêde/Nova Escola

Existe uma lenda urbana a respeito da primeira exibição pública de um filme já realizada. Em 28 de dezembro de 1895, em Paris, quando os irmãos Auguste e Louis Lumière apresentaram o clipe Chegada de um Trem à Estação de La Ciotat (veja abaixo), a audiência se assustou e, pensando que havia de fato um trem se movendo na sua direção, saiu correndo em desespero.

Não há provas de que essa cena de fato aconteceu, mas a exibição se tornou um marco da invenção da sétima arte: nascia, naquele momento, o cinema, tal qual o conhecemos hoje.




Para jovens habituados à presença de TV, YouTube e smartphones, pode parecer difícil imaginar um mundo em que não havia selfies, stories e tik-toks. É por meio de fotos e vídeos que adolescentes – e muitos adultos – se comunicam pelas redes sociais.

Capturar o movimento não é mais tão desafiador quanto já foi no passado. E, principalmente agora, neste momento de isolamento social por conta da pandemia de covid-19, a imagem tornou-se ainda mais presente.

Foi pensando em conectar o digital ao analógico que a professora Cíntia Bitencourt, da EMEF Lívia Menna Barreto, em Santa Maria (RS), propôs, em 2018, projeto para que os alunos do 9º ano produzissem animação em stop motion.

Ao longo do desenvolvimento, eles puderam refletir sobre como as artes plásticas retrataram o movimento em diversos períodos. Confira a atividade completa aqui.“Eu queria dar uma nova funcionalidade para o celular, que já está na mão dos alunos o tempo todo", afirma a educadora.

Para o momento de isolamento social, onde o aparelho se impõe como meio de conexão entre escola e alunos, a professora aposta na potencialidade da tecnologia também para apoiar a produção colaborativa de animações: “É a hora de criar e construir esse conhecimento juntos, mesmo estando longe, até para os alunos se sentirem protagonistas desta atividade e de outros trabalhos também”, analisa.

“Assim como o pincel é uma ferramenta, o celular também pode ser", destaca Marisa Szpigel, formadora e professora de Arte na Escola da Vila, na capital paulista, e integrante do coletivo Oquecabeaqui? No fazer artístico, esse pode ser um instrumento importante para apoiar os estudantes na construção de suas obras. O que importa é definir o que querem expressar e, a partir daí, pensar nas formas como a tecnologia pode auxiliar.

Nesse sentido, a escolha do tema da animação merece atenção especial. Nos anos iniciais do Fundamental 2, os assuntos podem girar em torno de propostas mais lúdicas, como a sugestão de um olhar diferente para determinados objetos das casas do próprio aluno, por exemplo, indica Marisa. Já para alunos dos anos finais, a animação pode se apoiar em temas mais calcados na realidade: como estamos vivendo a pandemia, ou qual o significado do isolamento para os alunos. “Retratos em movimento do olhar pela janela também podem propor reflexões interessantes ao aluno”, indica.

No caso da atividade feita na escola de Santa Maria, os alunos decidiram tratar sobre meio ambiente e sustentabilidade. Veja o vídeo abaixo:


Montagem
Na hora da produção, não basta contar com a familiaridade dos estudantes com os aparelhos eletrônicos para garantir o bom andamento do trabalho. “O audiovisual é uma linguagem artística em si própria e é importante abordar suas características", destaca Juliana Ruschel, educadora, artista e formadora da Comunidade Educativa CEDAC. Por isso, aspectos como a composição, o uso da cor, o roteiro e a trilha sonora também precisam ser levantados pela turma.

Um bom caminho é fazer a apreciação de obras audiovisuais com a turma, dando destaque a eles. Vale também observar making ofs, em que se mostram como as obras foram realizadas. “Assim, eles podem antecipar os problemas que terão e já pensar em alternativas para resolver os desafios que irão aparecer", conta Valéria Pimentel, coordenadora pedagógica na escola Verde que te Quero Verde, em São Vicente (SP), e selecionadora de Arte do Prêmio Educador Nota 10.

Por fim, os desafios da hora de produzir sempre existirão: como estruturar o roteiro? Como operar a tecnologia do melhor modo possível? E se uma solução pensada antes não der certo? Problemas assim fazem parte do fazer artístico e pensar em maneiras para resolvê-los também é parte importante da aprendizagem. “A arte é cheia de situações-problema. O artista precisa criar uma solução única, própria, para conseguir expressar o que pretende", destaca Valéria.



Projeto ponto a ponto
1. A pergunta “como a arte retratou o movimento antes do cinema?” pode ser um bom mote para discutir como artistas procediam antes da invenção de certas tecnologias.
2. O pensamento sobre a expressão artística e a maneira de concretizá-la segue sendo fundamental mesmo com a incorporação de celular e outros recursos digitais para a execução da animação.
3. Para ampliar o repertório dos alunos, é importante apresentar boas obras e introduzir técnicas que os ajudem na construção de suas produções. Acesse o e-book Arte em Movimento, que compõe este material. 
4. A resolução de problemas é parte fundamental da arte e exige criatividade dos estudantes no uso de técnicas e ferramentas. Acesse o guia de recursos que criamos para apoiar a produção de animações feitas com apoio do celular.



 *Colaborou: Rachel Bonino 

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Ilustração de um computador e um celular