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Amazônia: Fotos, fichas e dados para entender os incêndios de 2020 e abordá-los nas aulas

Ao menos 70 mil focos de incêndio foram detectados no bioma em setembro. Saiba como trabalhar o assunto em Ciências, Geografia e Matemática

Um ano após o "Dia do Fogo", queimadas intencionais ainda atingem o bioma da Amazônia. Fotos: Sidney Oliveira /AGPara/ Vinicius Mendonca /Ibama

Do alto do avião, é possível ver seringueiras e castanheiras – espécies de árvores enormes, nativas da Região Amazônica – em chamas. Mesmo acima das nuvens, há muita fumaça e a linha do horizonte parece o tempo todo tingida com um tom cinza. No chão fumegante, carcaças de animais, como tamanduás e cobras carbonizados, são algumas das tristes evidências do fogo que se alastra pela Floresta Amazônica em 2020. 

Somente na primeira quinzena de setembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou quase 70 mil focos de incêndio na Amazônia, o que representa crescimento de 86% nos registros em comparação ao mesmo período de 2019. De acordo com o levantamento O uso da terra nos biomas brasileiros: 2000-2018, realizado pelo IBGE, a redução da cobertura florestal natural da Amazônia na última década somou 265,1 mil quilômetros quadrados, equivalente a 26,5 milhões de campos de futebol.

Incêndios criminosos 

Assim como nos casos do Pantanal e do Cerrado, o fogo na Amazônia não é causado meramente pelo período de seca, mas principalmente, por ações criminosas. “Os incêndios têm acontecido de forma intencional. Enquanto no Pantanal há muitas queimadas por conta da agropecuária, na Amazônia existe também a busca por madeira e bens naturais dali. Isso implica motivos diferentes, mas ainda assim estamos falando de queimadas criminosas, de falta de acompanhamento e de políticas públicas que podem ajudar nesse processo”, afirma Leandro Holanda, professor especialista em Ciências. 

Para Murilo Vogt Rossi, professor especialista em Geografia e Cartografia, a quantidade de fogo na Amazônia é espantosa por se tratar de uma região úmida, assim como o Pantanal – e é justamente isso que torna ainda mais evidentes as queimadas criminosas. Ele explica que o que mais queima nesse bioma é a zona de transição entre Amazônia e Cerrado, onde há uma fronteira de expansão agropecuária. 

Além disso, segundo Murilo, há a questão latifundiária. “Na Amazônia há essa queima intencional, inclusive, no ano passado, teve o Dia do Fogo”, lembra o especialista, referindo-se ao crime ambiental organizado por fazendeiros em agosto de 2019. Mais de um ano depois, ninguém foi preso ou responsabilizado pela ação, cuja magnitude pode ser vista até do espaço.

Leandro Holanda diz que para falar sobre as consequências disso é preciso, sobretudo, entender que o clima no mundo é uma questão complexa. “Não se trata de plantar uma árvore em determinada região para fazer com que o clima do mundo melhore. Sabemos hoje que a poluição que sai do Sudoeste do Brasil implica um distúrbio nas chuvas e no clima da própria Amazônia. Ações em um continente podem afetar todo o clima do planeta”, chama atenção o professor. 

No entanto, como discutir esse tema tão urgente com os estudantes? Para ajudar você nessa tarefa, NOVA ESCOLA ouviu especialistas em três componentes curriculares e preparou dois materiais de apoio para você utilizar com seus alunos: uma galeria com imagens que dão a dimensão da devastação e uma ficha com informações básicas sobre a Amazônia, que pode servir como ponto de partida ou arquivo de consulta para a turma.

- Veja a galeria:

- Clique no botão abaixo para obter a ficha: 

BAIXE A FICHA

- Confira, a seguir, as sugestões de Leandro, Murilo e Luciana Tenuta, especialistas do Time de Autores de NOVA ESCOLA:


Como trabalhar os incêndios na Amazônia em Ciências

Ao falar de biomas nas aulas de Ciências, é possível que o professor amplie a ideia de que esse tema estará presente na BNCC apenas no eixo temático Vida e Evolução, conforme Leandro. Em Matéria e Energia também há habilidades que indicam a importância de se trabalhar os ciclos da matéria, o que é importante de ser analisado pelos estudantes para que possam entender quais são essas as relações e como elas são perturbadas numa queimada. 

“Quando falamos em BNCC, a ideia é trazer essas relações mais complexas, fazer com que o aluno desenvolva a comunicação usando esse contexto, que ele possa desenvolver também a argumentação e a responsabilidade social. Isto é, olhar para além dos conceitos e se perguntar: como consigo fazer com que meu aluno pegue esse conhecimento e consiga transformar o seu entorno? Esse é o nosso grande desafio”, salienta. 

Leandro enfatiza que, na prática, não dá para trabalhar apenas com textos e definições de biomas com os alunos. Por isso, a sugestão do educador é também partir para projetos em que os estudantes possam pesquisar e construir modelos físicos ou virtuais, para avaliar, por exemplo, o impacto de uma queimada. Outra possibilidade é trabalhar com mapas virtuais, fazer um trabalho em que o aluno se coloque como alguém que está pensando nas causas e nas possibilidades desse tipo de problema. 


Como trabalhar as queimadas na Amazônia em Geografia 

Murilo Vogt Rossi ressalta que, para trabalhar o tema das queimadas nas aulas de Geografia, o professor precisa, em primeiro lugar, explicar para os alunos que o fogo, em si, não é o culpado por tudo o que está acontecendo no bioma. 

É interessante explicar que, sim, as queimadas controladas são praticadas há muito tempo pela humanidade, por meio de técnicas como a coivara (que é queimar uma área depois da colheita para em seguida plantar novamente). “Mas, para isso, o fogo tem de ser controlado pelos chamados aceiros, que é fazer covas ou deixar o solo exposto ao redor de onde será a queima”, explica o professor. 

Apostar em boas fontes de pesquisa e utilizar dados disponibilizados por órgãos oficiais como o IBGE, Ibama, Inpe e ICMbio é um bom caminho. A sugestão de Murilo é também utilizar o protagonismo dos alunos do 6º ao 9º ano, solicitando que eles façam a coleta e a comparação dos dados ambientais, com o objetivo de estimular o pensamento crítico e a cidadania.

Outro caminho que pode colaborar com esse processo é trabalhar com as fake news e desconstruir informações falsas. O trabalho sobre o tema deve ser diferente para cada faixa etária. Nos primeiros anos, 6º e 7º, a recomendação é atualizar um pouco o que está nos livros didáticos e trabalhar com dados e imagens atuais sobre as queimadas. Com cuidado, as questões políticas e sociais que envolvem os incêndios de 2020 também podem ser abordadas no 8º e no 9º ano, bem como o uso de dados mais complexos sobre o tema. 

“Ao trabalhar com dados, o professor pode fazer um trabalho de mediação com essas informações, como as imagens de satélite, e comparar os dados. Por exemplo: mostrar para eles como era uma área há dez anos e como essa mesma área está hoje, relacionar com as secas e colocar essas situações para os estudantes para que eles raciocinem por si só”, exemplifica. 


Como trabalhar os incêndios na Amazônia em Matemática 

Quais referências podem ser usadas para fazer com que os alunos dimensionem uma área afetada pelas queimadas na Amazônia? Campos de futebol, quarteirões, fazendas, cidades? Há muitas possibilidades. Esse pode ser um dos ganchos para abordar o assunto nas aulas de Matemática, segundo Luciana Tenuta, mestre em Ensino de Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Na BNCC, o conteúdo a ser trabalhado será a unidade temática Grandezas e Medidas.

“Na Matemática, podemos investigar se o aluno consegue estimar áreas grandes, estabelecer relações entre essas grandes áreas e dar significado a elas. Isto é, quando começar a ler uma notícia, para que isso perdure e seja de fato uma habilidade desenvolvida, o estudante precisa ter essas noções em qualquer momento da vida dele. Assim, ao ouvir determinado número sobre uma área, vai conseguir dar significado para isso”, diz Luciana. 

Para isso, no entanto, uma dica interessante, segundo a especialista, é usar referências que façam sentido para a realidade do aluno. Por exemplo, se ele viver na zona rural, usar uma fazenda para dimensionar o tamanho de uma área pode fazer mais sentido do que um quarteirão. Além disso, neste caso, em vez de usar quilômetro como unidade de medida, outra opção é trabalhar com hectare, que é mais usual em áreas rurais. “Isso é humanizar a Matemática”, reforça.


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