Caso real

Como uma professora adaptou a rotação por estações para trabalhar Literatura durante a pandemia

Vanessa Bolina conta como se inspirou nessa estratégia e na proposta de laboratório rotacional, dois modelos de aula originários do ensino híbrido

A turma de Vanessa leu e discutiu obras literárias utilizando a rotação por estações. Ilustração: Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

Colocar em prática os conceitos e estruturas do ensino híbrido é tema que já estava no planejamento de aulas da professora de Língua Portuguesa, Vanessa Bolina, desde antes da pandemia. Ela leciona para turmas de 8º e 9º ano do Colégio Objetivo e de 9º ano da Escola Portal, ambas instituições localizadas em Sorocaba, interior de São Paulo. 

Diante das dificuldades impostas pelo ensino remoto, ela intensificou os usos de ferramentas digitais e de aplicativos, com o intuito de preservar as experiências de aprendizagem coletiva dos alunos. “Em Língua Portuguesa, costumo explorar bastante as ferramentas de trabalho colaborativo”, conta. A docente apoia suas atividades com compartilhamento de formulários, mapas mentais e plataformas de organização e produção de tarefas em grupos. 

Modelos

Para apoiar o ensino de literatura, Vanessa tem apostado em aulas inspiradas e adaptadas a partir dos modelos de rotação de estações e, também, de laboratório rotacional – ainda que não exatamente como foram conceituados no ensino híbrido, pois nem todos os seus alunos retomaram as aulas presenciais.

No primeiro, inspirado na rotação por estações, Vanessa organizou a sala por grupos – as estações de aprendizagem – para desenvolver atividades com objetivos de aprendizagens diferentes, mas complementares, e promoveu estações virtuais por meio de plataformas síncronas, com a sala dividida em três grupos (ou seja, três estações). Cada um deveria montar um roteiro de estudo sobre um mesmo autor ou analisar diferenças entre fontes de pesquisa (Enciclopédias Barsa, Britânica e Wikipédia), entre outras atividades já aplicadas.

O estudo individual também teve espaço no trabalho de Vanessa. Ilustração: Estúdio Kiwi/NOVA ESCOLA

Também já indicou tarefa com uma série de obras literárias, na qual cada grupo deveria listar argumentos para convencer a outra turma sobre os pontos fortes do livro que escolheu. “É um formato de aula que garante que os alunos leiam diferentes textos, focando a autonomia e o protagonismo e garantindo que ganhem reportório”, analisa. A coleta dos argumentos produzidos por cada grupo foi realizada para compor a avaliação processual. Para esta atividade aplicada ao 9º ano utilizou os livros Os Meninos da Rua Paulo, do húngaro Ferenc Molnár; Noah Foge de Casa, do irlandês John Boyne; e A Metamorfose, do tcheco Franz Kafka.

Já no modelo laboratório rotacional, Vanessa costuma dividir a turma em dois momentos: “Enquanto um grupo está produzindo com recurso digital para a coleta de dados, eu estou com outro trabalhando a atividade”, conta. Embora conceitualmente este modelo indique a presença de parte dos alunos em sala e outros em laboratório ou outro espaço escolar que tenha tecnologia digital, mas sem a presença física do professor, Vanessa adaptou para que pudesse trabalhar remotamente com cada um dos grupos, ficando sincronamente com parte da turma, enquanto a outra parte realizava a atividade assincronamente. Mais um exemplo de aula que foi inspirada em um dos modelos de ensino híbrido.

Numa análise em perspectiva, a docente percebeu que o ensino remoto atual pede roteiros de aula muito mais detalhados para dar um bom suporte às atividades on-line ou mesmo as que incluam atuação presencial. “É preciso direcionar bem a aprendizagem nas plataformas, senão os alunos podem ficar muito dependentes”, avalia.

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