Para saber ainda mais

20 filmes, documentários e livros para refletir sobre raça em 2020

Confira a lista com materiais para apoiar o planejamento de aulas para trazer à tona a discussão em torno das questões raciais

Uma listona de referências para ler, estudar, assistir e recomendar para seus alunos. Ilustração: Yara Santos

Apesar de ser comemorado em novembro, refletir sobre a Consciência Negra é um trabalho para o ano todo. Para você saber ainda mais sobre o assunto, listamos 20 filmes, séries  e livros - de ficção ou não - que explicam e se relacionam às questões atuais sobre racismo, preconceito, violência de gênero e raça, identidade e luta antirracista. 

As indicações podem apoiar o conhecimento dos professores e ampliar a visão de mundo dos alunos adolescentes. Confira: 


PARA ASSISTIR: 5 SÉRIES 

1. Lovecraft Country: Racismo e terror 

Questões em foco: Racismo e História dos Estados Unidos (Leis de Jim Crow, Direitos Civis)  

Por que devo assistir: A série ressignifica a obra do escritor H. P. Lovecraft, explorando o universo fantástico e de terror na ótica de personagens negros. Ao longo de 10 episódios da temporada de estreia, a série da HBO acompanha as descobertas e aventuras de Atticus Freeman, soldado negro veterano da Guerra da Coreia, na década de 1950, em um Estados Unidos segregado e branco. 

Destaque: Apesar de se passar em uma região fictícia, o Território Lovecraft, o personagem vive todas as injustiças promovidas pelas leis segregacionistas dos Estados Unidos daquela época que ficaram conhecidas como Leis de Jim Crow. Jim foi um personagem de teatro criado pelo ator branco Thomas D. Rice em 1832, que fazia blackface e representava de forma pejorativa a comunidade negra americana. 

Onde assistir: HBO Brasil

2. Watchmen: Super-heróis contra a supremacia branca

Questões em foco:  Violência racial e grupos extremistas da supremacia branca

Por que devo assistir: A série da HBO propõe uma continuidade à graphic novel escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, em 1986. O foco agora é direcionado a uma mulher, a detetive Angela Abar. Os nove episódios da primeira temporada mostram a saga da personagem para impedir o avanço da Sétima Kavalaria, seita formada por supremacistas brancos. Para proteger sua identidade, Angela esconde-se por trás da heroína Sister Night para barrar os violentos cometidos por integrantes da seita. 

Destaque: A série atualizou o objetivo central dos heróis da trama: trocou a busca pelo desarme da bomba nuclear pelo combate à expansão da supremacia branca.

Onde assistir: HBO Brasil

3. Olhos Que Condenam: A história real da luta por justiça 

Questões em foco:  Erro judicial e preconceito racial

Por que devo assistir: Série com base na história real de cinco jovens (quatro negros e um latino) acusados de envolvimento na morte, em 1989, de mulher branca no Central Park, em Nova York (EUA). Nos quatro episódios, a série mostra o drama vivido por eles, da acusação pelos crimes de estupro e assassinato e julgamento que os colocou na cadeia, até os quase 30 anos seguintes de luta nos tribunais para comprovar a inocência de todos. 

Destaque: O filme dá especial destaque às declarações, à época, do atual presidente Donald Trump. A partir do caso, o então empresário milionário passou a defender publicamente a volta da pena de morte no estado, chegando a pagar por anúncio de página inteira no jornal The New York Times para destacar tal posição. 

Onde assistir: Netflix

4. Cara Gente Branca

 

Questões em foco:  Apropriação cultural e discurso antirracista

Por que devo assistir: Já são três temporadas da série ficcional que trata dos conflitos raciais enfrentados pela estudante Sam White e de um grupo de jovens negros em universidade americana.

Destaque: A cada temporada, a série trata de discussões atuais da causa negra: colorismo, o tal racismo reverso, apropriação cultural e solidão da mulher negra, entre outros temas, a partir de histórias e situações universais.

Onde assistir:  Netflix

5. AFRONTA! Breves depoimentos de personalidades negras no Brasil 

 

Questões em foco: Representatividade, autonomia e igualdade racial

Por que devo assistir: Em 26 episódios, a série produzida pela cineasta brasileira Juliana Vicente mostra a fala atual de personalidades negras de variadas áreas e regiões, como Rappers Rincon Sapiência, Tasha & Tracie e as empresárias Loo Nascimento e Daniele DaMata, entre outras. São depoimentos de 15 minutos que mostram a perspectiva dos entrevistados sobre temas variados, de preconceito e racismo à visibilidade e novas formas de expressão e compreensão da narrativa afro-brasileira.

Destaque: A fala jovem e atual dos entrevistados atualiza o discurso racial e abre caminho para debates mais reais sobre o modo de se ver no mundo.

Onde assistir:  Netflix


PARA ASSISTIR: 5 FILMES / DOCUMENTÁRIOS 

1. 13ª Emenda: Um documentário sobre o encarceramento em massa 

Questões em foco: Injustiça racial e encarceramento em massa 

Por que devo assistir: Documentário ouve políticos, ativistas e estudiosos para demonstrar a relação de proximidade entre o atual sistema penitenciário americano com a escravidão abolida no país há 150 anos.

Destaque: Filme lançado em 2016 e dirigido por Ava DuVernay, a mesma diretora da série de 2019, Olhos que Condenam – também indicada nesta lista. Ava é profissional reconhecida por atuar em trabalhos de temática de forte crítica racial.  

Onde assistir:  Netflix

2. Libertem Angela Davis: Mulher, raça e classe em foco

Questões em foco: Tensão racial, preconceito, representatividade

Por que devo assistir: Filme documental resgata os fatos que culminaram na prisão, em 1970, de Angela Davis, professora universitária, defensora dos direitos humanos, comunista e integrante do movimento americano Panteras Negras. Acusada de envolvimento em crime do qual não participou, Angela travou batalha judicial por 18 meses e contou com grande apoio mundial até sua libertação. 

Destaque: Filme mostra, com reproduções de entrevistas e depoimentos da época, como a censura política e o racismo transformaram Angela em alvo principal dos representantes das alas conservadoras da Justiça e da política da época, entre eles, o governador da Califórnia, Ronald Reagan e o presidente Richard Nixon.

Onde assistir: Disponível em DVD e também no YouTube para compra

3. Pantera Negra: Um clássico contemporâneo 

Questões em foco: Representatividade e luta antirracista

Por que devo assistir: Com a aura dos filmes da Marvel, trama conta de forma ficcional a diáspora africana no Ocidente. Na história, T'Challa é o rei de Wakanda, reino fictício na África, e assume sua identidade secreta, a de Pantera Negra, para defender seu povo.

Destaque: Grande sucesso de bilheteria em todo o mundo, esse filme é considerado marco na questão da representatividade negra nas telas de cinema. A morte do ator Chadwick Boseman (T'Challa), em agosto de 2020, concedeu uma aura ainda mais mítica ao filme. 

Onde assistir:  Disponível em DVD ou no YouTube

4. Corra! O terror do racismo estrutural

Questões em foco: Racismo estrutural e preconceito velado

Por que devo assistir: Thriller que mostra várias cenas incômodas, inconvenientes e depois apavorantes que comprovam o racismo estrutural da sociedade atual. Tudo a partir da visita do protagonista Cris, negro, à casa dos pais da namorada Rose, que é branca.

Destaque: O racismo é o que sustenta toda a narrativa da trama que ganha contornos aterrorizantes após 20 minutos de história.

Onde assistir:  Telecine

5. Loving: Uma história de amor 

Questões em foco: Relacionamentos interraciais e preconceito

Por que devo assistir: Filme conta a história real do casal Mildred e Richard Loving que, na década de 1960, foi obrigado a deixar a terra natal, a Virgínia, nos Estados Unidos, por causa da legislação estadual, que não permitia casamentos inter-raciais. A Certidão de Casamento de ambos foi anulada e a condenação de um ano de prisão só foi anulada para que os dois deixassem o estado com o compromisso de não retornarem por 25 anos.

Destaque: A decisão da Suprema Corte revertendo a decisão deste caso, após nove anos de batalha judicial, abriu caminho para que outros casais pudessem formalizar suas relações.

Onde assistir: DVD

PARA LER: 10 LIVROS 


1. Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro, Editora Cia. das Letras

Questões em foco: Racismo e luta antirracista

Por que devo ler: “O que você está fazendo ativamente para combater o racismo?”, questiona a autora dessa obra, a filósofa Djamila Ribeiro. Ela deixa o academicismo de lado para abordar com linguagem clara e didática de que forma é preciso reconhecer e combater o racismo na prática.

Destaque: O livro traz muitos dados para sustentar como a trajetória histórica e socioeconômica do país justifica as desigualdades sociais que tanto impactam na vida da população negra brasileira.

2. Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, Cia. das Letras

Questões em foco: Racismo, desigualdade de gênero e imigração.

Por que devo ler:  Romance conta a história de protagonista nigeriana Ifemelu, uma “Americanah”, nome dado a quem sai da Nigéria e volta dos Estados Unidos com sotaque e comportamentos de lá. Quando se muda o outro país, ela passa a escrever em blog as suas impressões e percepções sobre questões raciais, imigração e de aceitação das próprias raízes.

Destaque: Chimamanda Ngozi Adichie é autora nigeriana com obras de grande alcance mundial na atualidade. Além de preconceito e racismo, Ngozi também explora o feminismo com abordagem universal apesar de partir do seu ponto de contato, a África. Destaque para seu livro “Sejamos Todos Feministas" (Companhia das Letras). 

3. Becos da memória, de Conceição Evaristo, Ed. Pallas

Questões em foco: Desigualdade social e preconceito

Por que devo ler: O livro de ficção registra o drama de comunidade que está prestes a ser retirada do local onde vive devido a “um plano de desfavelamento”. Maria-Nova, menina de 13 anos, é quem narra os sofrimentos, sonhos e lutas dos moradores que, em comum, vivem a miséria, o abandono e o preconceito.  

Destaque: A premiada Conceição Evaristo traz personagens criados a partir da sua vivência e memórias, com características que representam tantos brasileiros que vivem em situação de vulnerabilidade social.

4. Quarto de Despejo - Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, Ed. Ática

Questões em foco:  Desigualdade social e preconceito

Por que devo ler: Apesar de ter completado 60 anos de sua publicação, a obra continua atual. A autora conta a vida de exclusão a que eram submetidas as famílias que viviam em comunidade no bairro do Canindé, em São Paulo, na década de 1960. 

Destaque: Trata-se da obra de maior projeção dessa autora brasileira, Carolina de Jesus (1914-1977). No total, o livro vendeu mais de 1 milhão de cópias, foi publicado em mais de 40 países e traduzido para 13 línguas.

5. Escravidão – Vol. 1: Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares, de Laurentino Gomes, Globo Livros

Questões em foco: História brasileira e escravidão

Por que devo ler: Primeiro livro lançado da trilogia sobre o tema, já traz o trabalho grandioso de pesquisa e viagens feitas pelo autor para reunir registros sobre os anos de escravidão no Brasil. Lá retrata 250 anos de história, entre o início das capturas de escravos pelos portugueses na África até a morte de Zumbi dos Palmares em 1695.

Destaque: O grande compilado de dados e informações reunido pelo autor impressiona e pode aprofundar enormemente os materiais didáticos sobre o tema.

6. Eu, Empregada Doméstica, de Preta-Rara, Ed. Letramento

Questões em foco: Precarização do trabalho, manutenção da escravidão e preconceito

Por que devo ler: A historiadora e rapper Preta-Rara, e ela própria ex-empregada doméstica, reuniu em livro os depoimentos de mulheres que, assim como ela, a mãe e a avó, também passaram por situações degradantes na função.  

Destaque: Por meio de relatos fortes e atuais, a autora questiona o trabalho que ainda parece garantir a manutenção da escravidão no país.

7. Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, Ed. Record

Questões em foco: História de escravidão e violência racial

Por que devo ler: Romance parte da história particular da personagem Kehinde, idosa negra que busca pelo filho perdido para resgatar memória dolorosa da escravidão no período colonial brasileiro. Trata-se de uma versão literária da vida de Luiza Mahin, mãe do escritor e abolicionista Luiz Gama.

Destaque: Livro de fôlego com quase mil páginas considerado um marco e que já está em sua 20ª edição. 

8. Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil, de Sueli Carneiro, Selo Negro Edições

Questões em foco: Preconceitos de gênero e de raça

Por que devo ler: Livro é compilado de artigos publicados na imprensa pela autora, ativista e feminista negra. São textos que refletem sobre questões diversas de gênero e de raça e que ajudam a compreender a estrutura desigual da sociedade brasileira. 

Destaque: Sueli é uma das importantes vozes do feminismo negro. Há 30 anos, ao lado de outras nove mulheres negras, fundou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, que é a primeira organização negra e feminista independente de São Paulo.

9. Quando Me Descobri Negra, de Bianca Santana, Sesi-SP Editora

Questões em foco: Autorreconhecimento e orgulho racial

Por que devo ler: Traz o relato pessoal da autora sobre reconhecimento de suas origens e percepção das opressões impostas pela sociedade brasileira a quem nasceu negro no país. “Tenho 30 anos, mas sou negra há 10. Antes, era morena”, afirma.

Destaque: Obra conecta as impressões do passado escravagista com o atual discurso de autorreconhemento negro, e mostra face atual de compressão do racismo e da luta antirracial.   

10. Não. Ele Não Está, de Maíra de Deus Brito, Appris Editora

Questões em foco: Desigualdade racial, preconceito, violência.

Por que devo ler: A autora parte dos relatos recolhidos de mães que perderam os filhos assassinados em comunidades do Rio de Janeiro para tratar do extermínio atual da juventude negra, seja pela opressão policial, seja por conflitos armados do tráfico ou pelo abandono do Estado em diversos setores (saúde, educação).

Destaque: O livro surgido de trabalho de pós-graduação da autora deixou o tom acadêmico de lado para incluir a crueza da experiência da autora junto à realidade das famílias que perderam entes.

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