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Black Lives Matter: 6 pontos para entender os protestos antirracistas de 2020

Entenda o movimento nascido nos Estados Unidos e suas reivindicações

Movimento ganhou ainda mais visibilidade com os protestos antirracistas ocorridos em 2020. Ilustração: Yara Santos

Black Lives Matter ou, em bom português, Vidas Negras Importam é uma frase-clamor-protesto que ecoou pelos quatro cantos do mundo em 2020. Mas você saberia explicar para os seus alunos o que ele significa? Para te ajudar, listamos 6 pontos informativos para entender o movimento Black Lives Matter e suas pautas antirracistas. 

O que é o Black Lives Matter

Black Lives Matter ou, em português, Vidas Negras Importam é um movimento político e social negro descentralizado, originado nos Estados Unidos em 2013, que advoga pela desobediência civil não violenta como forma de protesto e pressão política contra a violência policial e racialmente motivada dirigida às pessoas negras. 

O movimento também se expressa por meio de marchas, protestos e das redes sociais, com o uso da hashtag #blacklivesmatter, #vidasnegrasimportam ou #BLM. As ações inspiraram também discussões sobre racismo e violência policial no EUA e em outras partes do mundo. 

Os protestos são majoritariamente pacíficos, mas casos de depredação, reações violentas das forças policiais e conflitos com grupos identificados como supremacistas brancos costumam ganhar mais atenção da mídia. 

Como o Black Lives Matter começou

O movimento foi criado em 2013 por três ativistas negras americanas - Alicia Garza, Patrisse Cullors e Opal Tometi - ligadas a iniciativas de trabalhadoras domésticas contra a violência policial em Los Angeles e de imigrantes, respectivamente. Em 2013, foram convocados protestos em reação ao assassinato do adolescente negro Trayvon Martin pelo vigia branco George Zimmermann na Flórida. No ano seguinte, em 2014, dois outros casos de assassinatos de cidadãos negros deflagraram mais atos: Michael Brown e Eric Garner. O primeiro, um jovem de 18 anos baleado em Ferguson. O segundo, 43 anos, morreu sufocado em Nova York. Dali em diante, o Black Lives Matter passou a ser associado mundialmente também aos direitos da população negra.

Por que eles estão protestando em 2020

Neste ano, os protestos do Black Lives Matter ganharam projeção global, em meio à pandemia e à crise sanitária do coronavírus, a partir de atos convocados em reação aos assassinatos de George Floyd e Breonna Taylor nos Estados Unidos. Atos aconteceram inclusive no Brasil, atraindo milhares de manifestantes contra o racismo. Outras pautas locais foram agregadas, de acordo com o local: na Europa, houve forte reação contra estátuas relacionadas a figuras ou episódios de exploração colonial ou racismo, por exemplo.

Quem apoia o Black Lives Matter

Nos Estados Unidos, 55% dos adultos manifestaram algum nível de apoio ao movimento, segundo pesquisas do Pew Reasearch Center em setembro. Em junho, o apoio chegou a 67% na esteira das manifestações contra o assassinato de George Floyd. 

Há disparidade nos apoios de acordo com o grupo racial: 45% dos brancos americanos apoiavam o Black Lives Matter em setembro, ante 87% dos negros, 66% dos hispânicos/latinos e 69% dos asiáticos. 

Outro ponto de cisão é a adesão partidária: 88% dos identificados com o Partido Democrata apoiam o BLM, ante 16% dos partidário dos republicanos.  

O Black Lives Matter ganhou relevância e apoio nos últimos anos, com personalidades e políticos expressando adesão às pautas defendidas por eles. Entre eles, o sete vezes campeão mundial de automobilismo na Fórmula 1, Lewis Hamilton, e o ator britânico de origem nigeriana John Boyega (conhecido por seu papel como Finn na última trilogia de Star Wars). Hamilton chegou a usar a camiseta “Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor” no pódio, mas foi proibido de se manifestar por meio de camisetas no espaço pela F1 em setembro.


Isso aqui é muito importante. Isso aqui é vital. Vidas negras sempre foram importantes, nós sempre fomos importantes, e nós sempre encontramos sofrimento e o vencemos, a despeito das consequências.

Agora é a hora. Eu não vou esperar. Eu não vou mais esperar. Eu nasci neste país [Inglaterra]. Tenho 28 anos. Sou nascido e criado em Londres. Toda pessoa negra entende e reconhece a primeira vez em que você é lembrado de que é negro. Todas as pessoas negras aqui lembram-se de quando outra pessoa te lembrou de que você é negro. 

Essa mensagem é dirigida especificamente para os homens negros. Homens negros, homens negros, precisamos que vocês cuidem das nossas mulheres negras. Precisamos cuidar delas. Elas são todos nós. Elas são nós. Elas são o nosso futuro. Não podemos demonizar os nossos. Nós somos pilares da família. Imagine uma nação com famílias individuais prósperas, com saúde, que se comunicam e educam suas crianças com amor. É isso que precisamos criar. Homem negro, começa com você. 

Transcrição da fala do ator John Boyega em um protesto do Black Lives Matter em Londres, em junho de 2020


Quem critica o Black Lives Matter

Nos EUA, o movimento é menos apoiado pelos cidadãos brancos e pelos identificados com o Partido Republicano e com o 45º presidente, Donald Trump. Em setembro, derrotado pelo democrata Joe Biden, Trump declarou: “A primeira vez que ouvi falar do Black Lives Matter, eu pensei: 'Esse nome é terrível, é tão discriminatório'. É ruim para as pessoas negras, é ruim para todo mundo”, disse à emissora de TV Fox News.

Ao mesmo tempo, Trump evitou dar declarações de repúdio a organizações consideradas supremacistas brancas, como o grupo Proud Boys. Analistas consideram que a postura do presidente estadunidense contribui para o clima de conflagração, divisão e conflito no país. 

O que os protestos do Black Lives Matter têm a ver com o racismo no Brasil

No Brasil, a luta dos movimentos negros organizados contra o racismo já tem uma longa história. Para muitos analistas, a questão racial no Brasil, que tem semelhanças e diferenças com a dos EUA, é ainda mais grave do que nesse país. Isso porque o Brasil tem fatia maior da população identificada como negra (preta ou parda): 56% do total. Apesar disso, a herança da escravidão, do colonialismo e do racismo histórico mostra consequências até hoje: os negros são 75% dos assassinados, de acordo com dados do Atlas da Violência, e 64% dos desempregados, além de ganharem menos nas mesmas funções e de serem alvos em diferentes episódios de discriminação e injúria racial. 

Em nosso país, os protestos deste ano lembraram os assassinatos de crianças negras em diferentes estados e regiões: no Rio, falou-se de João Pedro, garoto negro de 14 anos atingido pelas costas por um tiro de fuzil durante operação policial na favela do Salgueiro.

No Recife, levantaram-se cartazes com alusão à morte do menino Miguel, morto aos 5 anos de idade em 2 de junho após cair de um prédio de classe média alta ao acompanhar a mãe, que trabalhava como empregada na casa de Sari Corte Real. Investigações, depoimentos e imagens de câmeras do circuito interno do condomínio mostraram que a patroa deixa a criança, que naquele momento estava sob seus cuidados, sozinha no elevador. A criança subiu até o nono andar, que dava para o lado de fora do edifício e caiu. 

Na véspera do Dia da Consciência Negra, o soldador João Alberto Silveira Freitas, o Beto, negro de 40 anos, foi agredido e sufocado por seguranças em frente à esposa em uma unidade da rede de supermercados Carrefour, na capital gaúcha. O impacto da violência causou revolta e motivou atos em diferentes estados. 

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