Planejamento

(Re)planejamento: o que priorizar na transição do ensino remoto para o presencial

Mapeamos cinco pontos para o educador prestar atenção na hora do planejamento do segundo semestre de 2021 e de preparar a volta, ainda que parcial, para as escolas

Ilustração digital simulando pintura manual de aluno andando sobre fundo abstrato.
Ilustração: Julia Coppa/NOVA ESCOLA

As férias de julho marcam o fim da primeira etapa do calendário escolar: é hora de arrumar a casa e planejar os passos que levarão alunos e professores no fim do ano letivo. Em 2021, o retorno às aulas no segundo semestre vem carregado de incertezas, já que muitas redes projetam a retomada do ensino presencial ou algum modelo híbrido ainda por ser testado. 

Mas o que o educador precisa colocar em primeiro plano neste retorno ou fase de transição?

1. Máscara e higiene: protocolos sanitários ainda merecem atenção

Embora os protocolos sanitários para o controle do contágio da covid-19   uso de máscaras, higiene constante das mãos e distanciamento já estejam bastante disseminados, este é o primeiro ponto de atenção no retorno às aulas. Como na vida comum, a responsabilidade pelo cumprimento das medidas é de todos, mas na escola é necessário um direcionamento da própria gestão e um engajamento genuíno de professores e funcionários. “Protocolos sanitários devem sempre ser seguidos. Estes prezam pela preservação da vida. Muitos professores serão, finalmente, vacinados, porém as crianças não. Precisamos estar atentos ao uso de álcool em gel, distância, água e sabão disponíveis e, evidentemente, máscaras do tamanho certo e com bom encaixe nos rostos das crianças”, ressalta a especialista em educação Kátia Chiaradia.

Para Joice Lamb, coordenadora pedagógica da EMEF Prof. Adolfina J. M. Diefenthäler, em Novo Hamburgo (RS), especialista em gestão escolar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e consultora de NOVA ESCOLA, é preciso discutir com os professores como os protocolos se darão, na prática, no retorno às aulas. Segundo a educadora, num primeiro momento a gestão deve trazer os professores para andarem pela escola e saberem como estão as marcações no chão para distanciamento, os cartazes de informações, onde ficará o álcool em gel, como será a disposição dos alunos em sala. É preciso também discutir como vão ficar dispostas as classes e como lidar com a troca de material entre os alunos e entregas para os professores. 

A clareza dos protocolos e disseminação de informação científica é capaz de dar segurança a todos e isso precisa ser passado aos professores. Joice reforça que receber o caderno de um aluno não transmitirá a doença imediatamente se há o cuidado constante com a higienização das mãos, por exemplo. Além disso, com o uso adequado de máscaras é possível aproximar-se um pouco mais do aluno para atendê-lo. É necessário, ainda, comunicar de forma clara às famílias como se dará a volta à escola. Na escola em que Joice trabalha, a gestão fez vídeos explicativos que mostram como se dá a entrada na escola e como é a organização da sala de aula, com os próprios alunos mostrando quais são as regras que precisam ser cumpridas. “Assim, os alunos já chegam sabendo o que precisa ser feito.”

2. Novos (e velhos) desafios pedagógicos 

Equalizadas as questões práticas do retorno, ainda que parcial, à escola, é hora de contemplar os desafios pedagógicos para o segundo semestre. O mais provável nas redes é a adoção de modelos híbridos, nos quais as turmas frequentarão parcialmente a escola. Será comum que alguns alunos sigam no modelo totalmente remoto, já que esta opção é dada em muitas redes. Então, o principal desafio é criar um modelo que não deixe ninguém para trás, mantenha a comunicação entre alunos e professores e seja padronizado, para não confundir, defende Joice.  

3. BNCC e o aluno no centro da aprendizagem 

Kátia lembra que a BNCC traz o paradigma da educação com foco em aprendizagem e, por mais que isso pareça óbvio, é algo ainda novo na realidade brasileira, que está habituada a uma educação com foco em ensinar conteúdo. Assim, a coisa mais importante é ter sempre em mente que a meta é a criança aprender. Em termos práticos, isso pode se dar pela definição de objetivos de aprendizagem embasados nas habilidades previstas para cada ano, seja pela BNCC, seja pelos currículos a ela alinhados.

4. O que priorizar nas aulas 

Para escolher esses objetivos, caso seja necessário priorizar, o que acaba sendo o caso na maioria das redes, Kátia afirma que é essencial considerar os aprendizados que criam progressão ano a ano. “Sabemos que todas as aprendizagens previstas nas habilidades são essenciais, mas vivemos uma pandemia, e o Brasil segue sendo um dos países com mais perdas, de diferentes naturezas. Isso significa que é preciso priorizar para assegurar a permanência das crianças na escola”, afirma.

É preciso, ainda, considerar que a aprendizagem é um processo, e quando falamos em competências e habilidades isso é ainda mais importante. Em termos práticos, significa dizer que há níveis de aprendizagem envolvidos e isso deve ser considerado. “Antes do resultado (in)correto de uma conta, há um raciocínio matemático; para além de palavras grafadas em desalinho com a norma, existem as estruturas de gênero dos textos em que essas palavras aparecem”, exemplifica.

Na prática, de acordo com Joice, o primeiro ponto é ter uma lógica de como os conteúdos serão apresentados. No ensino híbrido a proposta metodológica da escola tem de estar evidente para os professores para que o mesmo aconteça com os alunos. Na escola em que Joice leciona foi adotada uma rotina quinzenal na qual em uma semana os alunos ficam em casa e na outra estão na escola. Dentro desse bloco, existe uma proposta de trabalho para cada disciplina que contém o que será feito na aula presencial e o que será feito na aula on-line, além das tarefas que os alunos devem cumprir em casa.

5. Modelo de avaliação 

O modelo de avaliação também está contemplado no modelo de cada componente curricular. Qualquer que seja o modelo adotado, é preciso uma rotina de trabalho a ser seguida por todos os professores para não confundir os alunos. E os alunos que seguirão unicamente no remoto precisam ser inseridos na proposta sem gerar mais trabalho ao professor. Ainda na escola de Joice, todos os alunos recebem o mesmo material e devem cumprir as mesmas tarefas. A diferença é que os alunos que vão para a escola conversam com seu professor pessoalmente e os que ficam totalmente no remoto têm encontros on-line agendados. 

O alinhamento na avaliação também é primordial, trabalho conjunto entre professores e coordenação, ressalta Joice. Um planejamento efetivo nessa área evitará distorções como um professor demandar muito mais dos alunos do que outro e também que tipo de avaliação é possível fazer, considerando a realidade diversa dos alunos, seja em termos do modelo de ensino, seja em termos de acesso digital. 

Kátia ressalta que a aprendizagem deve ser continuamente avaliada, e essa avaliação, não importa qual o instrumento escolhido observação, depoimentos, rubricas , deve gerar retorno eficiente para professores e alunos. "É importante ter em mente que a aprendizagem acontece em multidimensões, então o instrumento de avaliação precisa dar conta de avaliar as multidimensões. Minha sugestão são rubricas”, finaliza.

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