Planejamento

Língua Portuguesa: como apoiar os alunos do 8º e 9º ano na volta às aulas presenciais

Elencar habilidades inegociáveis, apostar na tecnologia e trabalhar com a produção escrita dos estudantes são caminhos possíveis para o planejamento das aulas do segundo semestre

Ilustração de aluno gravando atividade em vídeo com celular.
Ilustração: Yasmin Dias/NOVA ESCOLA

Os últimos dois anos no Ensino Fundamental trazem desafios particulares: é hora de iniciar a preparação para o Ensino Médio e reparar eventuais lacunas nas aprendizagens esperadas para a etapa. Além disso, é preciso instigar o desenvolvimento da autonomia nos alunos do 8º e 9º ano, competência que será ainda mais necessária nos próximos anos da vida escolar, bem como cuidar do engajamento dos alunos e combater o abandono e a evasão escolar.   

Para apoiar as aprendizagens dos alunos do 8º e do 9º ano em Língua Portuguesa nos próximos meses, é importante planejar com cuidado os próximos passos, priorizar as habilidades consideradas inegociáveis para a progressão no ano e cuidar da transição do ensino remoto para o presencial.

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Dicas para planejar o retorno às aulas presenciais 

 - Parta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC): releia o que propõe o documento para as turmas do 6º ao 9º ano e busque priorizar habilidades inegociáveis, que envolvam práticas como a leitura e a produção textual dos alunos. 

- Consulte os Mapas de Foco do Instituto Reúna e revisite o especial Replaneje com a BNCC do Nova Escola Box: a priorização de conteúdos e habilidades sugeridas pelos materiais pode ser inspiração para o seu trabalho no resto do ano. 

- Aproveite a tecnologia quando possível: Aplicação de questionários on-line, como aqueles criados a partir do Google Formulários, são ferramentas interessantes para organizar os diagnósticos das turmas, em especial porque permitem maior agilidade e a criação de planilhas e gráficos que ajudam a visualizar como estão as aprendizagens. 

- Aposte na análise de produções escritas: Elas ajudam a considerar diferentes habilidades ao mesmo tempo e a avaliar os avanços e dificuldades dos alunos. 

- Dê atenção aos alunos mais vulneráveis: A Educação é um direito de todos os brasileiros. Neste momento de crise econômica e com as dificuldades de acesso durante a pandemia, é possível que alguns alunos estejam desmotivados e/ou impossibilitados de voltar para a escola. Converse com os colegas e com a gestão escolar para organizar uma busca ativa pelos estudantes que tenham perdido os laços com a escola.

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Conversamos com duas professoras de Língua Portuguesa para entender melhor os desafios enfrentados por elas no último período e para compartilhar sugestões e dicas delas para apoiar as turmas do 8º e do 9º ano no segundo semestre de 2021. 

Para Lorena Cardoso dos Santos, professora de Língua Portuguesa na EM Professora Nilcelina dos Santos Ferreira, em Duque de Caxias (RJ), é preciso repensar a escola para a qual os alunos voltarão, ainda mais diante de tudo o que aconteceu na vida de alunos e professores no último ano por conta da pandemia de covid-19. “Tendo em vista este momento que vivemos, é impensável retomar a escola no mesmo modelo anterior à pandemia”, reforça a educadora. 

No planejamento das aulas presenciais em 2021, Lorena aposta na força de atividades desafiadoras, capazes de despertar mais interesse dos alunos mais velhos: jornadas ou feiras científicas, cineclubes para analisar obras audiovisuais ou mesmo projetos de leitura, como clubes do livro. 

Uma abordagem interdisciplinar também é interessante para a retomada das atividades presenciais. Para essa faixa etária, Lorena sugere, além das avaliações processuais, a aplicação de pequenos simulados entre diferentes áreas de conhecimento. Tal proposta reforça a ideia de aprendizagem global e valoriza saberes que vão além dos componentes curriculares, desde que a avaliação também seja elaborada conjuntamente pelos professores daquela turma. A professora, que atua em todos os anos do Fundamental 2, reforça ainda a necessidade de Avaliações Diagnósticas pautadas nos conteúdos que foram trabalhados no primeiro semestre. “No caso específico de Língua Portuguesa, a ênfase precisa ser, sempre, na leitura, interpretação e produção textual”, afirma. 

Outro ponto de atenção para toda a escola é o aumento da possibilidade de evasão dos adolescentes, em especial diante da crise econômica e das dificuldades de acesso aos conteúdos escolares enfrentados ao longo da pandemia. 

“A evasão já é presente no nosso cotidiano. E, com a possibilidade de estudar exclusivamente de forma remota, o número de alunos que optaram por estudar de maneira híbrida, também indo até a escola, foi bem menor do que esperávamos”, conta Lorena, que aponta como estratégias importantes a apresentação de projetos mais interessantes para os adolescentes e a busca ativa por aqueles alunos que não comparecerem. 

Vanessa Bolina, professora de Língua Portuguesa no 8º e no 9º ano no Colégio Objetivo e na Escola Portal, ambos em Sorocaba (SP), encara o desafio de dar aulas remotas e presenciais para suas turmas desde meados do ano passado, quando foi autorizado o retorno parcial às aulas presenciais em seu estado. 

No caso dela, parte da turma comparecia às aulas presenciais, enquanto os demais assistiam à transmissões ao vivo. Diante da situação inédita, a professora buscou dar condições de aprendizagem semelhantes para os dois grupos e, principalmente, não deixar ninguém de lado. “O principal objetivo foi buscar o envolvimento do aluno. Pedir para eles responderem às questões, não para obter a nota, mas para eu mapear e entender o que eles tinham de defasagem naquele momento”, explica Vanessa. 

Para a organização das aulas no segundo semestre, a sugestão é elencar e priorizar habilidades consideradas inegociáveis, ou seja, aquelas que não podem mesmo ficar de fora do repertório dos alunos, não importa o contexto.

Os Mapas de Foco do Instituto Reúna são uma ferramenta muito útil nesta tarefa. Priorizadas as habilidades, Vanessa usou a tecnologia a seu favor. O envio de formulários on-line (gerados principalmente no Google Forms) para os alunos ajudou no mapeamento das respostas e na criação de gráficos que indicavam as lacunas e dificuldades em cada um dos conteúdos apresentados. 

Outro cuidado da professora Vanessa foi oferecer atividades inéditas, adaptadas à atual realidade, e propor questões cujas respostas não possam ser encontradas prontas com facilidade na internet. 

Nesse sentido, trabalhar com a produção de textos, escritos ou orais, dá uma visão mais ampla do aprendizado do aluno em Língua Portuguesa. 

De maneira prática, Vanessa trabalhou no Google Drive com a produção de texto em documento compartilhado entre os alunos. Lá eles escreviam suas produções e a professora verificava como eles trabalhavam com leitura, análise de imagem e regras gramaticais. 

Ela também utilizou outra ferramenta, o Microsoft Teams, que possibilita o envio da foto da redação no papel, atendendo aos alunos que têm mais facilidade em escrever à mão. “Fui mesclando essas formas, uma maneira de tentar contemplar as diferenças que existem entre os alunos”, ressalta. “No documento compartilhado você faz inserções muito precisas e consegue conversar, uma interação muito dinâmica. Já com o envio de foto, você tem como dizer o que vai avaliar. Não há interferência direta na escrita, mas você consegue elencar o que vai valer na correção. Então é bacana porque você mescla essas duas formas de avaliar”, afirma. 

Tudo o que é produzido pelos alunos é registrado por Vanessa. Ela optou pelo registro das atividades on-line, mapeando as habilidades trabalhadas em cada uma delas e apontando avanços e lacunas dos alunos. Fazer os registros em planilhas foi uma dificuldade da professora num primeiro momento, mas ela relata que, passada a fase, esse tipo de documento facilitou bastante seu trabalho, uma vez que o registro já entrega o rendimento dos alunos em cada uma das atividades. E ela pôde notar, ainda, que era comum que os alunos remotos e presenciais enfrentassem as mesmas dificuldades, o que abria a possibilidade de retomar conteúdos e refazer estratégias para saná-las. 

Independentemente do formato de ensino adotado, alunos e professores continuam buscando formas de se adaptarem e isso será encarado mais uma vez no segundo semestre. A realidade das escolas brasileiras é extremamente diversa, mas é possível pensar em atividades que exijam dos alunos o pensamento e a reflexão. Neste sentido, a produção de texto é muito bem-vinda sempre. “A produção de texto contempla tudo o que a gente precisa, muitas habilidades de uma só vez”, defende Vanessa.

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