Avaliação

Matemática + avaliação + volta às aulas: como fechar essa conta para apoiar a aprendizagem dos alunos

Evitar cobranças, mapear as evidências de aprendizagem e planejar os próximos passos são as sugestões dos especialistas para os professores de Matemática dos anos finais do Fundamental

Ilustração de aluno junto a professora fazendo experimentos matemáticos em área externa, desenhando equações e formas geométricas no chão.
Ilustração: Yasmin Dias/NOVA ESCOLA

Compreender o que os estudantes aprenderam é sempre essencial para planejar o prosseguimento das aprendizagens da turma. Isso torna-se especialmente verdadeiro após um ano e meio com a maioria das escolas fechadas, lidando com a desigualdade entre os estudantes de acesso ao trabalho pedagógico remoto e de condições para sua realização. 

O retorno de professores e alunos para as escolas na pandemia de covid-19 de 2021 exigirá planejar outras estratégias além de aplicar provas, que nem sempre refletem o que de fato o estudante aprendeu e podem gerar uma pressão a mais para crianças e adolescentes em um momento já tão delicado.

Nessa volta presencial, portanto, em primeiro lugar deve vir o acolhimento e a adaptação dos estudantes à rotina da escola, aos protocolos de biossegurança e à convivência social. 

"Depois, é evitar ao máximo apenas cobrar resultados de conteúdos desenvolvidos durante a pandemia. A ideia é mapear o que eles sabem, criando mecanismos para fazer isso de forma mais lúdica, como por meio de jogos", orienta Raquel Souza, professora da rede estadual de Sergipe.

Planejando a avaliação de quem está voltando (e de quem ficou em casa) 

Para saber o que avaliar, vale organizar o que foi já foi desenvolvido até aqui. As planilhas "Planejamento de Objetivos de Aprendizagem", criadas por Kátia Chiaradia, professora e autora de materiais pedagógicos, com base nos Mapas de Foco da BNCC, do Instituto Reúna, podem ajudar. Essas planilhas trazem as habilidades focais para garantir a progressão das aprendizagens dos estudantes na flexibilização curricular e um campo para marcar o que já foi contemplado. Ao final, é gerado automaticamente um relatório que permite ao professor identificar o que ainda não foi abordado e o que já foi e pode ser avaliado.

"Além de compreender se os estudantes aprenderam as habilidades relativas a este ano, é fundamental considerar também as do ano passado, quando os estudantes passaram a maior parte do tempo no ensino remoto", indica Fernando Barnabé, que integra o Time de Autores de NOVA ESCOLA e é diretor da rede Trilhas do Saber e da Edu.co Ensino Consultoria.

Em relação ao 6° e 7° ano, o especialista afirma que as turmas, de modo geral, ainda estão construindo a linguagem algébrica, então pode ser interessante analisar essa aprendizagem a partir do tipo de resolução que eles mobilizam em diferentes situações.

Já no 8° ano, a linguagem algébrica precisa estar consolidada e o estudante deve ser capaz de resolver problemas a partir dela. Isso é importante para que ele possa avançar, não só em Matemática, mas em outras áreas como a Física.

Com as evidências de aprendizagens da turma em mãos, é hora de planejar o trabalho pedagógico. Nesse processo, o primordial é garantir que todas as crianças e adolescentes tenham as mesmas condições de aprender e que ninguém fique para trás, desde que isso não signifique promover uma separação na turma por níveis de aprendizagens.


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"As estratégias precisam ser diferentes, mas rotular nunca vai ser interessante, porque eventualmente eles percebem isso, o que se torna um fator de desmotivação. Além disso, ter contato com as estratégias dos alunos mais desenvolvidos é interessante porque eles aprendem com isso", explica Fernando.

Na hora de avaliar os resultados, independentemente da maneira que escolher para coletar evidências de aprendizagem, Fabricio Eduardo Ferreira, professor da rede estadual de São Paulo e mentor do Time de Autores de NOVA ESCOLA, recomenda tentar identificar na maneira que o estudante pensou o exercício e registrou as respostas, se ele desenvolveu a fluidez esperada.

Conheça estratégias para coletar evidências de aprendizagem

Para se preparar. Os livros Preparando os Professores para um Mundo em Transformação: O que devem aprender e estar aptos a fazer e Planejamento para a Compreensão: Alinhando currículo, avaliação e ensino por meio da prática do planejamento reverso, ambos da Editora Penso, podem apoiar as reflexões e o planejamento do diagnóstico. 

Aposte no trabalho com rubricas de avaliação. As planilhas Planejamento de Objetivos de Aprendizagem podem servir de base para elaborar rubricas de avaliação, identificando as habilidades inegociáveis. A obra Avaliação Desmistificada (Ed. Artmed) traz considerações teóricas e práticas sobre as rubricas. 

Engaje os estudantes. Explique aos alunos o objetivo da avaliação, para deixar evidente que se trata de uma ferramenta para o planejamento do trabalho pedagógico. Isso favorece que eles fiquem mais tranquilos no decorrer das atividades e tenham mais condições para mostrar o que aprenderam.

Privilegie avaliações formativas. E outros formatos, como o trabalho por projetos, que sirvam para avaliação e aprendizagem ao mesmo tempo, a fim de otimizar os poucos meses que restam até o fim do ano letivo.

Dê preferência ao momento presencial. Em casa, muitos fatores podem atrapalhar os estudantes.

Use recursos digitais. Se a escola possuir um laboratório de informática ou se a turma inteira tiver acesso à internet, usar os recursos digitais explorados durante o ensino remoto pode tornar a avaliação mais dinâmica. Plataformas como o Kahoot!, que permite criar quizzes no formato de jogos, ou criar um Padlet colaborativo, são alguns exemplos possíveis.

Não deixe os estudantes sem uma devolutiva. Mesmo que esse processo não gere notas ou conceitos, é importante compartilhar com as crianças e adolescentes suas observações sobre os resultados e o planejamento feito a partir disso. Inclusive, pode ser muito proveitoso ouvi-los sobre o que esperam da escola neste retorno e convidá-los a fazerem contribuições a esse plano.


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