Ciências Humanas

Local de vivência, China e pandemia são focos para Geografia até o fim do ano

Priorizar locais de vivência nas aulas do 6º e 7º ano e mergulhar na geopolítica com o 8º e 9º ano são recomendações para o planejamento do segundo semestre de 2021

Ilustração abstrata de criança anotando sobre mapa mundi gigante.
Ilustração: Yasmin Dias/NOVA ESCOLA

O retorno ao ensino presencial, ainda que gradual, no segundo semestre de 2021 exige que os professores de Geografia que atuam nos anos finais do Fundamental olhem para o planejamento do ano, considerem os estudantes e priorizem conteúdos para que os marcos de aprendizagem previstos para o ano letivo sejam alcançados. 

Em Geografia, se no 6º e no 7º anos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe a retomada da identidade sociocultural, do reconhecimento dos lugares de vivência e da necessidade do estudo sobre os diferentes e desiguais usos do espaço, no 8º e no 9º o estudo da Geografia concentra-se no espaço mundial.

Nesse sentido, especialmente nos dois últimos anos, é possível criar um diálogo ainda mais pertinente entre o conteúdo curricular e temas da atualidade, abordando, inclusive, assuntos relacionados à pandemia. 

Para ajudar os professores a priorizarem os temas a serem abordados nas aulas de Geografia do segundo semestre, NOVA ESCOLA ouviu a professora Juliana Flecher, que leciona para as turmas do 6º ao 9º ano no Colégio Vicentino Santa Isabel, de Petrópolis (RJ) e é do Time de Autores de NOVA ESCOLA, além de Milene Barbosa, professora da rede estadual de ensino de São Paulo e que faz parte da equipe curricular de Geografia da Seduc-SP. Milene orientou a reportagem com os conteúdos para o 6º e o 7º ano, enquanto Juliana mostrou o que priorizar para o 8º e o 9º ano. Confira:

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6º ano: O sujeito e seu lugar no mundo


A temática que não pode ficar de fora em Geografia é “O sujeito e seu lugar no mundo”. No 6º ano, anda lado a lado com o mundo do trabalho, trazendo como objeto de conhecimento identidade sociocultural e transformação das paisagens naturais e antrópicas, respectivamente.

Dentro do desenvolvimento dos anos finais do Fundamental, pretende-se garantir a continuidade e a progressão das aprendizagens, com isso priorizar a retomada da identidade sociocultural e o reconhecimento dos lugares de vivência, fortalecendo o estudo sobre os diferentes e desiguais usos do espaço. Esse tema é necessário para o desenvolvimento das habilidades futuras, sempre pensando nas interferências humanas no planeta.


Na BNCC: As habilidades trabalhadas pelas propostas estão presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Geografia nos códigos F06GE01, EF06GE02, EF06GE06 e EF06GE07.

Objetivos de aprendizagem: Promover uma construção identitária com olhar aos aspectos socioculturais, fortalecendo os lugares de vivência, e as ações antrópicas, contextualizando os conceitos de paisagem, necessário por ser objeto de investigação geográfica.

Como trabalhar na prática: Conhecer o lugar de atuação e vivência dos alunos é a primeira etapa: pode ser o bairro, a cidade ou o estado. Após esse momento, é possível apresentar aos estudantes as transformações na paisagem, tanto de cunho natural quanto o antrópico (produzido pela ação humana). Uma atividade pertinente para o momento é a construção de um jogo de observação, popularmente conhecido como jogo da memória, instigando os estudantes a registrarem de forma escrita aquilo que eles observaram, propondo também um raciocínio temporal. Ou seja, registrando uma análise de temporalidade em relação às transformações, o aluno pode, por exemplo, relacionar que o tempo de transformação de uma rocha depositada na areia de uma praia é muito maior do que a mudança no padrão arquitetônico da Avenida Paulista, por exemplo, ou outra localidade com a qual os alunos tenham familiaridade.


Para saber mais: 

ZUKIN, S. Paisagens Urbanas Pós-Modernas: Mapeando cultura e poder. Revista do Patrimônio, Iphan, nº 24, p. 205-219, 1996.

BOESCH, H. e CAROL, H. Princípios do Conceito de Paisagem, in Boletim Geográfico, 27 (202): jan-fev, Rio de Janeiro, IBGE, 1968.

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7º ano: Quem já morou no território que hoje é o Brasil?


Uma temática essencial presente na BNCC de Geografia é Conexões e Escalas, que trata da formação territorial do Brasil e das características da população brasileira. Apresentar aos estudantes discussões que fortaleçam o entendimento dos processos que envolvem a formação territorial do país em que vivemos contribuem para a progressão de aprendizagens ligadas à formação da América Latina, que serão aprofundadas no 8º ano e no Ensino Médio.


Na BNCC: As aprendizagens esperadas estão descritas nas habilidades EF07GE02, EF07GE03 e EF07GE04, da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Geografia. 

Objetivos de aprendizagem: Fortalecer as possíveis conexões existentes entre os componentes físico-naturais e as múltiplas escalas de análise, como também compreender o processo socioespacial da formação territorial do Brasil e seus desdobramentos até os dias de hoje, nos diversos contextos e momentos históricos.

Como trabalhar na prática: Para este momento em que ocorre a oportunidade de trazer a análise das mudanças territoriais, contextualizando seus diferentes momentos históricos, políticos e econômicos, é crucial a presença da cartografia como recurso de leitura. Com isso, é possível a criação de fichas (anotações) com as principais mudanças territoriais. Exemplo: ano, mudanças ocorridas no território, fase econômica e liderança política, entre outros. Após o preenchimento, é possível elaborar um painel com a linha do tempo, iniciando com as delimitações indígenas até a configuração territorial atual.


Para saber mais: 

BEAUJEU-GARNIER, J. Geografia da População. São Paulo, Nacional/Edusp, 1971.

MORAIS, Antônio Carlos Robert. Geografia Histórica do Brasil: Capitalismo, território e periferia. São Paulo: Ed. Annablume.

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8º ano: Como a pandemia afeta a América Latina


As questões relacionadas à América Latina são prioridades no 8º ano. O tema deve ser priorizado justamente pelo atual momento, que propicia uma comparação do Brasil com os demais países americanos. 

Nesse sentido, a própria pandemia é um gancho para a aprendizagem, já que é possível comparar como os países estão agindo no combate à covid-19. 

Questionar e pesquisar como os países estão atuando e quais as medidas políticas e sociais foram adotadas não é só questão de curiosidade, mas uma maneira de os alunos entenderem as complexidades que existem dentro do continente americano, suas diferenças e desigualdades.


Na BNCC: As aprendizagens esperadas são descritas na habilidade EF08GE05 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Geografia. 

Objetivos de aprendizagem: Contextualizar, analisar e comparar são os verbos que definem os objetivos de aprendizagem ao abordar as Américas. A partir deles é que os alunos poderão entender as ações no campo político e seus efeitos. Observar que alguns países adotaram ações relevantes, positivas e de resposta imediata e outros demoraram a responder às questões da pandemia abre o campo da compreensão e do olhar dos alunos a respeito desta questão tão atual, mas sempre focando no Brasil como um elo. 

Como trabalhar na prática: Como são temas que não estão organizados sistematicamente em aulas e conteúdos, a professora Juliana promove, normalmente, discussões em torno de notícias ligadas ao assunto escolhido. Ao trazer notícias sobre a situação da pandemia em Cuba, por exemplo, a professora promoveu pesquisas sobre os índices de contágio e morte na ilha, a dificuldade de obtenção dessas informações e ainda comparou a situação no país com relação a outros.

Ela dá algumas orientações para conciliar os alunos em sala com as aulas virtuais: no ensino presencial, distribua em três ou quatro mesas notícias ligadas aos assuntos que serão abordados e folhas onde, em duplas ou trios, os alunos possam analisar a questão e começar a produzir um texto-resposta a partir da notícia. Lembre-se de seguir todos os protocolos de distanciamento e uso de máscara. 

No ambiente virtual, Juliana pede aos alunos que façam videochamadas com os colegas, divididos em grupos, e busquem uma notícia relativa ao assunto, discutam entre eles e façam um texto de conclusão. Esta foi a saída encontrada para manter o trabalho em grupo e a troca de ideias no ensino remoto.

Outro eixo destacado por ela é o trabalho com as atualidades e o desenvolvimento de hipóteses para o futuro. Como o tema Mundo do Trabalho também é relevante nos anos finais do Fundamental, é possível levar o debate para este caminho: quais são os trabalhos mais presentes neste momento? Quais devem ter mais relevância no futuro diante dos desafios da atualidade?


Para saber mais: 

Monitor diário com dados da pandemia na América Latina. Disponível aqui.

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9º ano: China, globalização e a vida nas telas


O tema a ser priorizado no 9º ano é a China, e, mais uma vez, é essencial promover um diálogo do conteúdo curricular sobre o país com a atualidade, dada sua relevância no contexto da pandemia. A China é fundamental também em outro assunto presente no 9º ano, que é a globalização e sua relevância nas telecomunicações. “Neste momento, falar sobre China e globalização é falar também sobre como o mundo tem se organizado a partir da internet, das videoconferências, da própria escola que se estrutura com outro formato”, explica Juliana.


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A prioridade desse tema justifica-se por sua atualidade. É possível falar não só dos aspectos econômicos, mas também, comportamentais. Como a Geografia é muito dinâmica, as aulas do componente curricular não ficam restritas aos conteúdos previstos. Segundo Juliana, a disciplina permite interlocuções e, ao trabalhar a atualidade, o aluno vê mais sentido na aprendizagem. A progressão, portanto, é a partir do contexto da atualidade e com um diálogo com outras áreas do conhecimento, como as outras Ciências.


Na BNCC: As aprendizagens esperadas são descritas nas habilidades EF09GE05 e EF09GE02 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Geografia.

Objetivos de aprendizagem: Ao trabalhar o país no atual contexto, o objetivo é mostrar como os chineses responderam à pandemia de covid-19. Assim, o objetivo geral é compreender de que maneira esse país, um dos epicentros iniciais da pandemia, encontrou soluções para conter a doença e vem conseguindo manter a sua economia em crescimento. 

Em relação à globalização, o objetivo é analisar as questões contemporâneas, geopolíticas e também as relações estabelecidas internacionalmente ligadas às redes de cooperação científicas, tecnológicas, o uso da informática, o uso da internet, a fim de manter os trabalhos das pessoas e a atividade econômica.

Como trabalhar na prática: Por serem assuntos que não estão ainda contemplados nos livros, o primeiro passo é pedir que os alunos realizem pesquisas em material veiculado na imprensa. Juliana já desenvolveu com seus alunos um trabalho comparativo sobre acesso à internet por alunos de escolas particulares e públicas, o que serviu de ponto de partida para discutir acesso à informação, à tecnologia, um dos pontos a serem tratados no tema Globalização. 

Para qualquer um dos temas a serem abordados no 9º ano, vale a estratégia usada no 8º: no ensino presencial, distribua em três ou quatro mesas notícias ligadas aos assuntos que serão abordados e folhas onde, em dupla ou em trio, os alunos possam analisar aquela questão e começar a produzir um texto resposta a partir da notícia. No ambiente virtual, Juliana pede aos alunos que façam videochamadas com os colegas, divididos em grupos, e busquem uma notícia relativa ao assunto, discutam entre eles e façam um texto de conclusão. Essa foi a saída encontrada para manter o trabalho em grupo e a troca de ideias.

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