Para a sua formação

Conselho de classe: como avaliar com equilíbrio

10 dicas para julgar o desempenho do aluno sem punitivismo e contribuir para o avanço da aprendizagem dele

Valorizar o esforço e outras dicas para realizar uma avaliação justa. Ilustração: Davi Augusto/Nova Escola

Para alguns professores, o maior desafio do último bimestre é tomar uma decisão a respeito do futuro dos alunos. A responsabilidade é realmente grande e deve-se tomar uma série de cuidados para que o processo avaliativo não seja injusto e punitivista. Com a ajuda de Ademir Almagro, professor na rede estadual paulista, e Carlos Eduardo, diretor da Escola de Referência em Ensino Médio Professor Trajano de Mendonça, no Recife (PE), NOVA ESCOLA montou uma lista com dicas de como realizar uma avaliação justa e que contribua para a aprendizagem dos alunos. 

1. Avaliação não é punição 
A avaliação escolar não pode ser vista, de modo algum, como uma espécie de punição para os alunos. “Alguns professores acham que pela reprovação conseguem manter a qualidade de ensino, fazendo uma espécie de seleção interna, separando o joio do trigo. Aqui na escola, trabalhamos para mudar essa visão entre os educadores e entre os alunos também”, analisa Carlos Eduardo. Para que isso seja desconstruído, os gestores devem fazer reuniões formativas com a equipe. “Em que a reprovação ajuda o estudante? Por exemplo, percebemos que isso aumenta os índices de evasão. Temos de fazer o possível para trabalhar com o aluno naquele ano letivo, não jogar o problema para o ano seguinte”, comenta o diretor. 

2. Nada de decoreba 
Assim como outros instrumentos de avaliação, provas escritas são uma boa oportunidade não só para verificar o que os alunos aprenderam mas também para continuar sua formação. Os professores devem elaborar provas interessantes, coerentes e que não esperem receber apenas respostas decoradas. É tarefa dos docentes organizar-se para corrigir e registrar a nota de todas as avaliações até a data do conselho.  

3. Múltiplas avaliações 
Segundo Ademir Almagro, é um erro concentrar todas as possibilidades de avaliação em só um instrumento. “É preciso propor uma avaliação que consiga abraçar as múltiplas competências”, afirma. Para isso, além das avaliações por escrito, os professores devem investir em observar o desempenho dos alunos em seminários, notar a atenção que prestam à aula, o tempo que dedicam aos estudos e até mesmo como se relacionam com a turma diante de situações de conflito, por exemplo. Tudo deve ser levado em consideração e anotado no caderno de registros. 

4. Olhar individualizado
Por mais que cada escola tenha uma média preestabelecida para indicar o nível de aprendizado esperado, é preciso olhar a questão de modo mais individualizado. Para um aluno que tem muita dificuldade em Matemática, por exemplo, sair de uma nota 5 para 7 pode ser uma avanço maior do que o daquele que sempre varia de 9 a 10. 

5. Contexto 
Caso perceba que alguém apresenta mais dificuldades, procure saber por que isso ocorre. O aluno pode estar com problemas familiares, pessoais, bullying, precisar de uma motivação maior para os estudos ou até mesmo ter algum problema cognitivo. Para isso, converse com o estudante (tomando cuidado para não fazer perguntas muito invasivas) e coloque-se à disposição para escutá-lo. 

6. Ajuda de outros educadores 
Conversar com professores e gestores que já deram aula para aquela criança ou adolescente em anos anteriores pode ajudar a entender suas dificuldades e quais avanços ou regressões eles já tiveram. Além disso, consultar registros de anos anteriores é um caminho para saber quais tentativas já foram realizadas para ajudá-lo.  

7. Esforço valorizado 
Em muitos casos os alunos realmente demoram a demonstrar interesse pelos próprios estudos. Mas quando isso acontece o professor precisa estar atento para perceber a mudança de atitude e valorizar os esforços. Anote no caderno de registros qualquer mudança que perceber e ajude-o no que for possível para que os avanços sejam contínuos. 

8. Sim, a baixa frequência pode reprovar
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), um aluno que faltar mais de 50 dias de aula não pode ser aprovado. Portanto, é dever do professor realizar chamadas diárias e manter os dados de frequência muito bem organizados. Aos gestores, cabe convocar os pais para uma reunião e notificar o conselho escolar caso o aluno se ausente por 15 dias.   

9. Avaliação da escola e das práticas docentes
“Também é hora de a escola refletir sobre o que deu certo e o que precisa ser aprimorado na estrutura da instituição”, comenta o professor Ademir. Portanto, os gestores precisam estar atentos às informações que recebem durante o conselho escolar para identificar quais problemas são recorrentes e não específicos de um indivíduo. Na Escola Professor Trajano de Mendonça, uma das turmas reclamou que no fim do bimestre os professores pediam muitos trabalhos e provas, às vezes para o mesmo dia. “Discutimos isso com os professores, a solução criada foi colocar um calendário de tarefas em cada sala de aula para que eles tenham claro quando é possível pedir tarefas e quando não”, comenta Carlos Eduardo.

10. Oportunidades para recuperar 
Além de avaliar cada aluno de modo integral e individual, é imprescindível oferecer oportunidades para que ele se recupere. O ideal é organizar períodos de reforço escolar que podem ser aulas no contraturno, monitoria aluno-aluno ou outra atividade de apoio antes de aplicar uma segunda prova. 

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