Para repensar a escola

Vamos convidar as famílias e os alunos para o conselho de classe?

Modelos participativos de reunião aproximam familiares e responsáveis da escola e podem trazer bons resultados para o desenvolvimento dos alunos

Confira dicas para facilitar a democratização do conselho e a participação dos responsáveis pelos alunos. Ilustração: Davi Augusto / Nova Escola 

Em muitas escolas, conselho de classe é sinônimo de se trancar na sala dos professores para discutir o desenvolvimento das turmas e traçar possibilidades para o futuro dos alunos. Mas por que não abrir esse processo para que pais e alunos também tenham a oportunidade de participar? Algumas escolas já provaram que é possível fazer isso de modo mais democrático e produtivo. 

A EE Professor Sérgio da Silva Nobreza, na capital paulista, organiza conselhos de classe participativos desde 2016. Em um primeiro momento, representantes de classe, grêmio escolar, professores e gestores fazem um levantamento listando agentes facilitadores e dificultadores da aprendizagem em cada turma. Nessa assembleia pedagógica, docentes e discentes já conversam a respeito do comportamento e desenvolvimento pedagógico dos alunos e sobre o trabalho dos educadores (desde que não exponham ninguém de modo pejorativo). 

Em um segundo momento, alunos e seus responsáveis são chamados para a reunião do conselho. Segundo a vice-diretora Jandira Baptista Pinheiro, “é um direito das famílias de acompanhar pedagogicamente seus filhos. Proporcionar um momento delas com o filho, o grupo de professores e a coordenação pedagógica já é importante por si só”. Ela diz que os alunos já comentam em casa o que está acontecendo na escola, e isso faz com que os pais já cheguem para a reunião cientes de alguns fatos. 

Para garantir que de fato compareçam à escola, a primeira recomendação é homologar e tornar público um calendário escolar com as datas em que os conselhos ocorrerão, o que deve ser feito no início do ano. Três dias antes da reunião um bilhete deve ser enviado para convidar pais e responsáveis para participarem do momento. Isso pode ser feito por intermédio de um bilhete escrito no caderno de recados dos alunos, mas algumas escolas já utilizam meios de comunicação digital para entrar em contato com os pais, o que pode facilitar muito para que eles recebam e leiam o convite. 

É papel dos gestores marcarem o horário exato em que a reunião começará e também qual será o tempo de fala das famílias, o que precisa ser informado a todos para que não haja falas muito longas. Nesse momento, elas poderão tirar dúvidas sobre o processo de ensino aprendizagem, opinar sobre tudo o que está sendo apresentado pelos educadores e justificar algo (por exemplo, “meu filho tirou uma nota baixa na prova porque faltou na aula por estar doente”). Entretanto, é importante que escola e família tenham claro que opiniões não são suficientes e não devem mudar estruturas. “A escola tem de cumprir um currículo e os pais não podem interferir na metodologia de aula. O profissional de ensino é o professor, que é orientado pelos coordenadores pedagógicos. O que os pais podem fazer é relatar sobre como alguma situação afeta ou não seu filho”, comenta Jandira.  

Gestão e professores precisam falar sobre o desempenho da turma como um todo, sempre elencando pontos positivos e aspectos que ainda possam melhorar. Deve-se tomar muito cuidado para não expor a situação de nenhum aluno específico. Críticas e até mesmo elogios mais efusivos devem ser feitos em particular. Caso seja possível, após o horário da reunião, os educadores podem ficar à disposição dos pais para conversas em particular. Do contrário, um novo horário precisará ser marcado para discutir questões mais delicadas.  

A chance de que todos os responsáveis compareçam à reunião de conselho é pequena, o que torna importante que a escola se mostre aberta para recebê-los em outro momento. Informe um telefone para que eles possam entrar em contato e marcar um horário. Atenção: não é recomendado discutir ou conversar com as famílias pelo celular ou por troca de mensagens. O ideal é que gestores e famílias encontrem  momento em que possam conversar pessoalmente. “Gosto de dizer que na Educação caminhamos com as seis mãos dadas: escola, aluno e família. Como essa união é essencial para bons resultados, é importante que os pais se esforcem para acompanhar o desenvolvimento pedagógico dos filhos”, explica a vice-diretora Jandira.

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