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Eleições no Brasil em 2022: como trabalhar nas aulas de Matemática

A probabilidade e estatística permite aos alunos compreenderem como funcionam as pesquisas eleitorais e se aprofundarem em algumas das principais demandas da sociedade brasileira. Confira algumas sugestões para levar o tema às turmas de Ensino Fundamental

Ilustração abstrata misturando uma urna eletrônica com o quadro O Mestiço, de Cândido Portinari.
Ilustração: Nathalia Takeyama/NOVA ESCOLA

No próximo ano, milhões de brasileiros acima de 16 anos irão às urnas para votar para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Mas, em tempos de polarização, como levar o tema para a sala de aula sem entrar em questões sensíveis sobre as preferências do eleitorado ou os nomes dos candidatos? Uma boa opção é trabalhar as eleições de 2022 nas aulas de Matemática, especialmente com propostas relacionadas à probabilidade e estatística. 

“A Matemática torna-se uma aliada no processo de leitura das informações que a mídia vincula, principalmente na leitura de gráficos e dados que um candidato ou outro exibem em sua campanha. Ainda mais porque, infelizmente, é muito comum ver alguns candidatos distorcerem gráficos ou dados com recortes significativos para mostrar uma situação mais favorável a ele”, afirma Fernando Barnabé, professor de Matemática, formador de professores e mestre em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). 

Segundo Fernando, a análise de pleitos anteriores ou até mesmo das eleições municipais de 2020 permite projetar situações similares no próximo ano e discutir como deveriam ser expostas as informações para os dados não sofrerem distorções.

O professor Fernando ressalta que, antes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o principal foco dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) no campo da Estatística era o Tratamento da Informação.

“Com a homologação da BNCC, além da análise de gráficos e tabelas, uma leitura crítica dos dados obtidos em pesquisas e a compreensão de como elas podem e devem ser feitas, favorece muito a formação de um cidadão crítico e reflexivo sobre suas escolhas, inclusive as escolhas políticas, sem se deixar ser manipulado”, observa.

O cálculo de probabilidade está, geralmente, baseado nas pesquisas, o que dificulta muito a certeza por este ou aquele resultado, de acordo com o professor. “Quando os estudantes conseguem perceber que a pesquisa indica apenas a preferência de uma parcela da população sobre determinado candidato, conseguem compreender também os motivos para vermos resultados eleitorais que diferem das pesquisas”, explica.

Confira a seguir duas propostas de Fernando Barnabé para levar o assunto para as aulas de Matemática no Fundamental 1 e 2.

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ATIVIDADE: ELEIÇÃO PARA REPRESENTANTE DE TURMA

Trabalhe a compreensão dos alunos sobre pesquisas e resultados eleitorais a partir da escolha do estudante que vai representar os colegas junto aos professores e à direção da escola


Indicado para: Turmas de 4º e 5º ano

Na BNCC: EF04MA26, EF04MA27, EF04MA28, EF05MA24 e EF05MA25


1. Organize uma eleição com a própria turma. Faça os preparativos para a realização de uma eleição com os próprios estudantes para representante de turma. Os candidatos definem propostas que estejam relacionadas à função de representante de turma e a turma faz a votação.

2. Faça uma pesquisa de intenção de voto. Antes da eleição, coletivamente, o professor pode se juntar à turma para fazer uma pesquisa de intenção de voto, ou seja, em quem eles pretendem votar. Devem ser escolhidos apenas quatro ou cinco estudantes para a pesquisa. Sugerimos aqui, inclusive, que o professor escolha os estudantes e que eles respondam anonimamente ao educador, para que ninguém mais saiba o resultado da pesquisa.

3. Proponha uma roda de conversa após a revelação dos resultados. Após a realização da eleição, o professor deve divulgar os dados da pesquisa antes de revelar o resultado do pleito. Após a celebração do vencedor ou da vencedora, abre-se uma roda de conversa sobre o resultado da pesquisa e o resultado da eleição. Use perguntas que promovam a reflexão, como: Por que será que os resultados não foram os mesmos? Seria possível prever qual seria exatamente o resultado? E se um dos pesquisados mudasse o seu voto do momento da pesquisa para o momento da eleição?

O importante é que os estudantes percebam que nas pesquisas é feita uma previsão, mas que ela possui uma margem de erro. Ou seja, pode ser que ela não represente exatamente o resultado final de uma eleição.

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SUGESTÕES PARA TRABALHAR ELEIÇÕES NO 6º AO 9º ANO

Confira algumas dicas de pesquisa sobre o tema que podem promover o desenvolvimento de aprendizagens relacionadas à Matemática e a outros componentes curriculares


Indicado para: Turmas de 6º ao 9º ano

Na BNCC: EF06MA32, EF06MA33, EF07MA35, EF07MA36, EF07MA37, EF08MA23, EF08MA27, EF09MA21, EF09MA22 e EF09MA23


Como a BNCC propõe uma abordagem em Estatística pelo viés da pesquisa, trabalhar com esse propósito pode ser algo muito interessante para o desenvolvimento de gráficos e discussão das informações a partir da informação pesquisada. Confira algumas problemáticas possíveis de serem pesquisadas pelos estudantes:

- Temas prioritários de atuação para os representantes eleitos (Presidência, governo do estado, deputados e senadores);

- Principais necessidades no estado onde residimos;

- Principais necessidades no país onde vivemos;

- Principais necessidades no campo da Educação para nosso país;

- Obras necessárias para o nosso estado.

Além disso, é possível fazer discussões sobre um mesmo grupo de informações e discutir com a turma sobre a melhor possibilidade de representação desses dados, seja usando gráfico de colunas, de barras, de linhas, de setores ou até mesmo tabelas na apresentação das informações para o público (no caso, os futuros eleitores).

Esse tipo de discussão promove a criticidade na leitura de informações e evita a disseminação de fake news e dados imprecisos. Usando recursos digitais como as planilhas eletrônicas, é possível fazer a alternância de tipos de gráfico com facilidade a partir de dados representados em tabelas. Nesse sentido, as discussões sobre as diferentes representações podem tornar-se mais interessantes, desenvolvendo habilidades relacionadas à argumentação sobre situações apresentadas.

Um fator importante que muitos estudantes não percebem ao analisar numericamente os dados históricos é a compreensão de outros fatores histórico-sociais que merecem atenção em determinados períodos. Promover perguntas como: o que estava acontecendo em nosso estado ou em nosso país na época dessas informações? E no mundo, o que estava acontecendo? Quais as relações entre esses fatos?

Tudo isso favorece a construção da percepção interdisciplinar da vida em sociedade, estabelecendo vínculos entre Matemática, Geografia, História, Ciências da Natureza etc. Também é possível usar esses dados para a obtenção de cálculo de média aritmética das populações pesquisadas (idade, faixa de renda familiar etc.).

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