Para usar com as famílias

3 dicas para promover o faz de conta em casa

O segredo não é a quantidade de materiais oferecidos, mas a disposição para entrar no universo criado pelas crianças

Ilustração: Juliana Basile/NOVA ESCOLA

Passamos por um momento atípico. Sem escola ou possibilidade de sair de casa, é compreensível que as crianças estejam com muita energia acumulada. Sendo assim, as famílias têm o desafio de pensar em atividades estimulantes. "A convivência familiar é a melhor maneira de diminuir a ansiedade e amenizar a situação", afirma Clarice Fernandes, professora, autora de planos de atividade NOVA ESCOLA e especialista em Psicopedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Estar em casa não significa que as famílias estejam disponíveis para brincar o dia todo. Essa diferença, porém, não é clara para as crianças, por isso elas ficam na expectativa de quando será o momento de brincar com os responsáveis. Para tal, Gisele Goller, coordenadora de Educação Infantil da Comunidade Educativa CEDAC, aponta a importância de estabelecer horários e organizar esses momentos de brincar juntos. "Deixar clara essa reorganização da rotina contribui para diminuir a ansiedade."

O faz de conta, além de contribuir para o desenvolvimento das crianças, tem uma facilidade: ele acontece naturalmente. O papel do adulto é de facilitador e companheiro, mas quem faz todo o trabalho de construir o enredo são as elas. 

Para enriquecer essas ocasiões, é necessário ouvir as crianças para descobrir o que elas gostariam de brincar. "O faz de conta vem do próprio repertório delas", afirma Nilcilene Brambila, formadora na rede de Cariacica (ES). Depois é só aproveitar o que tem dentro de casa e deixá-las brincarem. 

Para auxiliar as famílias a promoverem um ambiente favorável à imaginação e ao faz de conta, reunimos três orientações essenciais:

Não tenha medo de se jogar no faz de conta delas

Valorize as iniciativas, dê atenção. “Quando interagimos com as crianças, precisamos tirar essa visão de adulto. Elas gostam quando nos colocamos no lugar delas e nos transformamos em outra criança”, afirma Clarice.

Quando receber um convite, envolva-se, sempre que possível, com a atividade sugerida. Se a criança te traz um pratinho e uma colher para te dar de comer, entre na brincadeira dela. “Se envolver com a proposta dá credibilidade para a criança, alimenta sua autoconfiança e estreita o vínculo”, complementa Clarice. E, dentro do enredo criado, observe como ela brinca para poder pensar em proposições que estimulem sua imaginação. 

Crie propostas interessantes, mas sem dirigir a brincadeira

Uma estratégia muito utilizada nas escolas é preparar cantinhos para as crianças explorarem e criarem livremente. “Caixas com diferentes materiais são um convite para brincar”, diz Camila Bon, consultora pedagógica de Educação Infantil. 

Essa seleção e organização pode ser feita como uma maneira de perceber os interesses das crianças e entender os significados que elas atribuem para aqueles objetos - sejam eles brinquedos ou outro tipos de materiais. 

O adulto pode escolher os materiais com base no que tem disponível, mas o faz de conta é por conta das crianças. “A brincadeira só se constitui quando a iniciativa e a decisão do que será feito parte delas”, afirma Karina Rizek, consultora da Avante Educação e Mobilização Social e formadora da Escola de Educadores. 

Não se deve dirigir, forçar a ideia que está na sua cabeça ou criar um roteiro para o faz de conta das crianças. “O adulto é um grande cenógrafo”, diz Zilma Ramos de Oliveira, pedagoga, livre-docente pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Psicologia do Desenvolvimento Humano. 

Mas, o que isso quer dizer? Ela explica que a família pode construir um ambiente interessante sem dar um direcionamento claro e observar como as crianças brincam. Esse cenário não precisa de muito: deixar o espaço escuro e usar lençóis já pode criar uma atmosfera assustadora e resultar em uma aventura na floresta mal-assombrada - ou não, a criança pode te surpreender ao pensar em outra narrativa. 

Explore os materiais disponíveis 

Para construir um grande faz de conta não é necessário ter muitos materiais disponíveis. "O brinquedo mais rebuscado pode se tornar desinteressante rapidamente, porque tem sempre a mesma função", ressalta Gisele. 

"Muitos elementos podem ser feitos de sucata. É necessário desidealizar a ideia de utilizar muitos materiais e deles serem rebuscados. As crianças não precisam de tudo isso", completa Karina. Um pote de iogurte pode ser uma torre ou uma panelinha, um galho vira uma varinha ou uma espada, um tecido se transforma em um circuito ou um lago na floresta, uma caixa pode se tornar em tantas coisas…

Com um olhar diferente, mesmo objetos que têm uma funcionalidade clara podem se transformar em outros. “Trabalhar com o que se tem e adaptar. Embaixo da mesa pode ser uma caverna, o sofá pode ser um trem”, diz Fátima Herculano Marcolino, diretora pedagógica no Instituto Educar São Paulo e autora de planos de aula NOVA ESCOLA. 

Essa capacidade de ir além do óbvio é algo muito fácil para as crianças. Por isso, abra-se para aprender com elas.  Veja os papéis e as ressignificações que elas dão para os objetos e embarque na aventura delas. 



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