Para repensar a prática

Explore a abordagem investigativa no ensino de Ciências

Fazer experimentações facilita a compreensão do conteúdo e contribui para desenvolver competências gerais, como colaboração e empatia

Por Maria Lígia Pagenotto

Investigue, em casa, os estados físicos da água. Fotos: Rogério Pallatta/NOVA ESCOLA

Vários copinhos com água são colocados dentro do congelador pelos alunos do 4º ano do Fundamental I da Escola Camões-Pinochio, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. “O que vocês acham que vai acontecer?”

No dia seguinte, os estudantes vão ao congelador e observam o que ocorreu. “Por que será que ela endurece?” Inicia-se, assim, uma discussão sobre a transformação da água do estado líquido para o sólido. Alguns desses copinhos vão para o sol e a turma aguarda ansiosa por outra transformação. Observam o que ocorreu. Trocam ideias a respeito.

Essa é uma das aulas sobre as transformações da matéria, no caso da água, propostas pela educadora Fabiane de Sant’Ana Leite, pedagoga, com pós-graduação em Filosofia e Educação Moderna pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e autora de planos de aula de NOVA ESCOLA. Com 25 anos de experiência no Ensino Fundamental, coordena atualmente a área de Educação Infantil do Colégio Camões-Pinochio.

Fabiane sugere que esse conteúdo seja abordado de maneira prática, instigando os alunos a terem uma postura investigativa diante do aprendizado. “Trabalhamos com experimentações desde a Educação Infantil”, explica. A criança é estimulada a perceber o seu entorno, a observar a chuva, por exemplo, e a fazer proposições acerca desse fenômeno. 

Ao explicar a transformação do líquido para o gasoso, ela sugere, por exemplo, que os professores façam com os alunos o experimento da panela no fogo. Diante do cenário atual, os experimentos podem ser realizados em casa pela família. 

Para Fabiane, uma “ficha” teórica de estudos é muito diferente da vivência prática. Esta última pode se transformar em algo que o estudante “leva para a vida”, acredita. “Quando a criança participa do momento da experimentação, faz parte do que está sendo ensinado, ela consegue reter muito mais esse conhecimento”, diz. 

A cada experimento, ela orienta o docente a suscitar um debate. “Uma tempestade de ideias”, gosta de dizer. Mas, segundo Fabiane, isso nem é preciso, porque os questionamentos surgem espontaneamente. A criança é, no geral, curiosa. Quer saber, entender, participar. O professor deve facilitar esse processo. 

Alunos inclusivos aprendem da mesma maneira. “Não há limitação de faixa etária nem de grau de dificuldade. As Ciências, ensinadas de maneira lúdica, atingem a compreensão de todos, desde a Educação Infantil até as séries mais avançadas, com necessidade especial ou não”, enfatiza.

No caso da passagem do estado sólido da água para o líquido, com as crianças do 4º ano, Fabiane diz que pode ser o momento de introduzir o tema do aquecimento global. 

“Os alunos se envolvem quando lançamos um tema desses para eles, trazem reportagens, fotos, comentam sobre os ursos polares. Com base nisso, podemos promover diversas discussões e realizar muitas atividades.” 

Uma aula assim, na avaliação da educadora, colabora para desenvolver também várias habilidades não específicas de Ciências e algumas das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “A leitura e a escrita são algumas dessas habilidades, pois sugerimos aos alunos buscarem informações e depois escreverem o que aprenderam”, diz Fabiane. “Das competências gerais, temos o trabalho em grupo, que promove a colaboração e o respeito às ideias do outro e ao tempo de cada um na aquisição do conhecimento”, completa.


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