Parceria:

Para usar com as famílias

Como fortalecer a relação com as famílias

Leia seis sugestões para aproveitar a proximidade dada pelo ensino remoto na construção dessa parceria. A harmonia fará bem à saúde mental de todos

Compartilhar informações e fazer combinados contribuem para melhorar a relação família-escola. Julia Coppa | NOVA ESCOLA

Todos reconhecem que fortalecer o vínculo entre a equipe escolar e pais ou responsáveis é essencial para o desenvolvimento dos alunos. “Essa ideia de que família e escola podem se tornar parceiras é fundamental. Cada uma cumpre uma função distinta: a primeira educa no âmbito privado e a segunda, no coletivo. O compartilhamento das experiências desses dois aprendizados é importante”, explica Adriana Ramos, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Moral (Gepem) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do curso de pós-graduação sobre Relações Interpessoais no Instituto Vera Cruz.

O momento atual, com ensino remoto, escancara alguns problemas, mas também, oportuniza a criação de ações para potencializar essa relação. Quando o contato com pais e responsáveis é assertivo, colabora-se com a saúde mental de todos. Como professores e gestores podem contribuir para a construção e o fortalecimento dessa parceria?  Veja, abaixo, seis sugestões. 

1 - Entender o contexto familiar 

Para Adriana dos Anjos Pereira da Silva, orientadora pedagógica da EMEF Professora Zélia de Souza Madureira, em Caçapava (SP), a aproximação deve ser respeitosa. “Com o ensino remoto, entramos nas casas dos alunos. Esse deve ser um processo cuidadoso, de total escuta”, explica. Ouvir é uma postura que pode tornar a relação mais produtiva. Ser sensível à realidade que muitas famílias estão vivendo, compreender a situação delas é algo benéfico para o dia a dia. Isso significa identificar e reconhecer eventuais dificuldades em relação a questões de formação educacional ou de conhecimento do universo digital por parte de pais ou responsáveis, infraestrutura para o estudante estudar em casa, situação econômica e perda de algum parente próximo em razão da pandemia, entre outros pontos. 

Ao assumir a posição de ouvinte, a equipe escolar pratica a empatia. Mas não basta ouvir. É necessário assimilar o que é compartilhado pelas famílias e levar todas essas perspectivas em consideração. Isso é validar os sentimentos, reconhecer que a situação é complicada e as dificuldades se acentuaram neste momento. 

2 - Compartilhar informações e fazer combinados

Nas conversas com os familiares, gestores e professores também devem falar dos desafios que estão enfrentando. Essa troca é extremamente positiva e tem grande potencial de aproximação. “A escuta ativa significa reconhecer os sentimentos do outro e validá-los. É, ainda, a oportunidade de quem ouve de explicitar os seus próprios sentimentos”, comenta Adriana Ramos, pesquisadora do Gepem. Depois de compartilhar informações, é hora de avançar para ações práticas. “É preciso conversar com os responsáveis para estabelecer um contrato didático com eles, apontando limites e combinados”, afirma a orientadora pedagógica Adriana dos Anjos. A ideia é não sobrecarregar nenhuma das pontas. 

3 - Explicar o que a escola faz 

Partilhar as experiências institucionais colabora para que os familiares entendam o trabalho realizado pela escola. Neste período em que muitos pais e responsáveis estão mediando o uso de ferramentas digitais e acompanhando mais de perto as atividades dos alunos, é ainda mais importante ser didático. Explicar a intenção pedagógica por trás das propostas apresentadas evita desentendimentos e julgamentos precipitados e pode contribuir para que as famílias reconheçam e valorizem o trabalho dos professores. 

4 - Abrir-se para receber sugestões e críticas

Na nova rotina escolar, as famílias podem ter alguma dificuldade de auxiliar os alunos nas atividades, sentir que alguma dinâmica estabelecida antes não está funcionando ou sugerir alguma mudança. Ao acolher sugestões e críticas, os educadores constroem a possibilidade de discutir de maneira sincera o que é, ou não, possível ser feito. Esse movimento torna a escola mais cooperativa, reforçando-a como um ambiente de confiança e respeito. A cultura de diálogo é saudável e fortalece a instituição. “Em uma comunidade escolar há inúmeras narrativas de vidas e experiências sociais. Considerá-las faz parte do processo educativo. Todos os envolvidos nessa relação estão entrelaçados no processo de aprendizagem dos alunos”, argumenta Adriana dos Anjos. 

5 - Promover encontros virtuais

Estabeleça momentos periódicos para apurar a relação. E convide os pais e responsáveis a também indicarem temas para os encontros, que podem abordar saúde mental, a rotina dos alunos nas aulas a distância e as dificuldades encontradas pelas famílias, entre outras opções. Essas reuniões podem ser feitas por videochamadas coletivas ou individuais e precisam ser pensadas para não sobrecarregar ninguém. O objetivo é promover trocas de informações e experiências. “São ocasiões para cultivar a relação e estreitar os laços”, diz Adriana Ramos. Se não for possível, gestores e professores podem lançar mão de formulários de pesquisas em ferramentas gratuitas, como Google Forms, para coletar sugestões, opiniões e mais informações sobre as famílias.

6 - Utilizar linguagem construtiva

É importante lembrar que nenhum pai ou mãe quer ouvir apenas coisas ruins de seus filhos. Além de ser frustrante, isso pode afetar a saúde mental dos alunos e criar barreiras entre as famílias e a escola. Neste momento de ensino remoto, reconheça e valorize os esforços dos estudantes. E, se for necessário, converse sobre as dificuldades de acompanhamento das aulas. Mas lembre-se de que isso precisa ser apontado para a família com o objetivo de construir soluções coletivas.

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