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Para usar com os alunos

Contação de histórias – um universo de emoções

A leitura de textos literários permite abordar temas diversos e pode ajudar as crianças a falarem sobre seus sentimentos

A leitura de textos literários contribui para o desenvolvimento social, moral, cognitivo e afetivo. Julia Coppa | NOVA ESCOLA

A literatura é uma grande oportunidade de abrir os olhos de crianças e jovens para a vida. Cada livro contém um mundo de histórias e possibilidades que nutrem a fantasia e a imaginação dos alunos. A prática de leitura de textos literários ao longo do Fundamental I oferece recursos para que eles entendam o ambiente onde vivem e as relações que têm com os colegas, além de contribuir para o desenvolvimento social, moral, cognitivo e afetivo. “Ler com as crianças não é perda de tempo nem deve ocupar espaços ocasionais”, afirma a pedagoga Maria de Lurdes Martins, professora na rede municipal de Santos (SP) e pesquisadora da prática de leitura de poemas na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I. “É uma estratégia para alcançar objetivos educacionais, uma abertura para ir ao encontro de si e conhecer os outros”, explica. Ao conduzir uma atividade de leitura, o professor constrói vínculos com as crianças. Esse é um importante momento de aproximação e de cumplicidade.

Nas obras literárias, é possível encontrar todos os tipos de sentimentos humanos, dos mais nobres aos mais mesquinhos, e tudo isso pode e deve ser trabalhado com os alunos. Uma conversa aberta e honesta após uma atividade assim ajuda a qualificar a experiência. Essa possibilidade de abordar as mais diversas emoções pode abrir espaço para as crianças identificarem o que estão sentindo e se expressarem, algo ainda mais essencial no momento atual, em que as mudanças na rotina delas são muitas: ficar longe dos colegas, do professor e dos espaços da escola, ter de se adaptar para estudar em casa e presenciar as angústias dos adultos.

As crianças podem aprender muito com a leitura de textos literários, mas Maria de Lurdes faz um alerta sobre o uso desse recurso apenas para ensinar alguma coisa. “Não é recomendável colocar a história a serviço de ensinar o ‘certo’, mas sim, garantir e estimular a liberdade de pensamento dos alunos sobre o que a narrativa instiga em cada um.” De acordo com ela, é o pensar livre, com a mediação do professor, que vai permitir a eles construírem o próprio aprendizado sobre a vida, sobre eles mesmos ou até sobre o momento que estão vivendo.

Como se preparar para uma atividade de leitura?

Conhecer o objeto livro e a história que ele apresenta é essencial. Maria de Lurdes comenta ser preciso pensar nos aspectos da obra que as crianças sozinhas não perceberiam, seja em relação à trama, seja em relação aos recursos gráficos ou à linguagem escrita. Isso inclui, por exemplo, explorar capa, contracapa e orelhas ao longo da leitura. “Às vezes, o livro escolhido é muito importante para a literatura infantil ou o autor é reconhecido. Talvez ele faça parte de uma coleção ou é premiado. Esse conhecimento do adulto não precisa, necessariamente, ser todo compartilhado com as crianças, mas faz diferença para o professor ao lidar com o livro”, explica a pedagoga.

É interessante optar por um livro que não dê todas as respostas, pois assim, ele convida a criança a perguntar, decidir e surpreender-se com o inesperado da história. A especialista orienta também a evitar títulos com uma linguagem fácil ou infantilizada demais. E sugere prestar atenção na estética dos livros: o uso das cores, o traçado e a diagramação são elementos que podem surpreender.

Planejar a dinâmica da leitura também é necessário. A maneira de apresentar a história – por imagens, pelo título ou pelo autor – e a divisão da leitura precisam ser definidas antes. Cada livro permite uma abordagem, por isso é importante o docente conhecer a obra escolhida e elaborar as perguntas a serem feitas antes, durante ou depois da atividade.

Treinar a leitura contribui para enriquecer o momento da contação. Ao ler várias vezes sozinho é possível colorir a história, dando vida às emoções que a obra apresenta. O professor deve ensaiar em voz alta, percebendo os momentos da narrativa que podem chamar atenção.

Como conduzir a leitura e promover o debate depois?

Para comentar esses dois pontos, pedimos para a professora Maria de Lurdes gravar um depoimento em vídeo. Dê o play para conferir.

Para completar, Maria de Lurdes preparou uma lista com cinco indicações de livros que, por meio de narrativas diversas, abordam temas como mudanças, perdas, medo, tristeza, amor, melancolia e esperança.

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